'As Malvinas são argentinas': o que diz a regra da Fifa e o que aconteceu
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- Author, Alejandro Millán Valencia
- Role, Enviado especial da BBC News Mundo ao Equador
- Published Há 46 minutos
- Tempo de leitura: 16 min
Para as pessoas com síndrome de Laron, uma condição rara que impede o corpo humano de crescer mais de 1,20 m de altura, o mundo é uma terra de gigantes. Nele, tudo é enorme, alto e inacessível: a mesa da cozinha, os degraus dos ônibus, a roupa do varal, a entrada de um consultório médico, o escritório de trabalho.
Muitas delas tentam compensar essa vida desproporcional com sonhos. Ou ilusões.
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Paola Boada quer ter uma família.
María Gabriela García sonha em ter um trabalho que permita que ela compre a passagem aérea para presenciar o casamento da sua irmã, na Espanha.
Já María del Cisne Romero deseja ter uma fábrica de chocolate. Leia também: A inteligência artificial vai ajudar você no trabalho ou roubar seu emprego?
Todas elas alimentam seus sonhos no Equador, país que possui uma incidência bastante incomum da síndrome de Laron.
É ali que se encontram cerca de um terço das 840 pessoas com desta condição em todo o mundo, com especial concentração nas províncias de El Oro e Loja, no sul do país.
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"O que acontece é que o corpo não processa o hormônio do crescimento e as pessoas não atingem a altura padrão", explica o endocrinologista Jaime Guevara, especialista no tratamento desses pacientes. Ele estuda a condição há mais de duas décadas. Mais de mundo
"Mas isso não os prejudica em nível físico, apesar da falta de altura", prossegue Guevara. "Além disso, sua condição faz com que eles tenham menos probabilidade de desenvolver câncer ou sofrer de diabetes."
Ou seja, a síndrome traz uma limitação e um benefício.
Muitos dos pacientes equatorianos que receberam a reportagem da BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC, levam uma vida normal. Mas, quando falam dos seus sonhos, às vezes, eles são vencidos pelo cansaço e pela frustração. Leia também: Inteligência artificial da dona do ChatGPT se rebela e faz ataque hacker
"Uma das coisas que mais me frustraram por ter o Laron é o relacionamento com os homens", conta Paola Boada, em lágrimas, vestida de rosa e preto, no seu apartamento projetado de acordo com o seu tamanho.
"Eles me partiram o coração porque existe um padrão de beleza no qual, aparentemente, eu não me encaixo."

"Eles me descartam de todas as entrevistas de trabalho devido ao meu tamanho", conta María Gabriela García. "Não vejo muitas opções para mim."
"Quando passamos pela rua, as pessoas ficam olhando, mesmo que já nos tenham visto muitas vezes", conta María del Cisne Romero.
"Esta é a doença da solidão", destaca Guevara. "E este país não oferece muito para que eles vivam melhor."
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