Como os profissionais de saúde estão tratando o Ebola e se mantendo seguros
Ler matéria →"As manhãs e as noites não existem mais": como é viver em um dos lugares mais quentes e úmidos do planeta

Crédito, Ankit Srinivas
- Author, Soutik Biswas e Neetu Singh
- Role, BBC News
- Published Há 1 hora
- Tempo de leitura: 10 min
Às 6h, o sol sobre o distrito de Banda parecia ter esquecido que o meio-dia ainda não havia chegado.
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A luz tinha o brilho intenso de uma tarde de verão. As sombras já encurtavam antes do café da manhã.
Em maio, esse distrito poeirento do estado indiano de Uttar Pradesh passou dias no topo de um ranking nacional nada invejável: o lugar mais quente do país.
O que chamou atenção, porém, foi a forma como as pessoas se adaptaram. Leia também: Israel ataca subúrbio de Beirute em resposta a disparos
Os mais de 2 milhões de habitantes de Banda, que dependem da agricultura, da construção, do transporte e de outros trabalhos ao ar livre, não tinham alternativa senão suportar o calor. Então, reorganizaram a vida em torno disso.
Os agricultores chegavam ao amanhecer com tomates, abóboras, pimentas, limões e melões. Queriam vender rápido e voltar para casa antes que o calor se intensificasse.
"Olhem o sol", disse Himanshu, comerciante em pé ao lado das caixas de tomates. "São apenas 6h15, mas parece que são 8h ou 9h."
O calor encurtava a vida útil dos produtos tanto quanto encurtava o expediente do mercado. "Uma caixa de tomates precisa ser vendida hoje ou amanhã. Com esse clima, eles não duram."
Onde antes a movimentação se estendia até o fim da manhã, agora começava a esvaziar às 8h. Às 10h, o mercado estava quase deserto. Mais de mundo

Crédito, Ankit Srinivas
O mesmo horário reduzido rege quase tudo em Banda.
Entre o céu incandescente e o solo escaldante, as pessoas fazem o que o jornalista polonês Ryszard Kapuściński observou certa vez em outra paisagem ardente da África: dedicar a energia à busca por "sombra e brisa". Leia também: Como os profissionais de saúde estão tratando o Ebola e se mantendo seguros
Pappu Verma é pedreiro e agora trabalha das 7h ao meio-dia e depois das 16h às 19h. As quatro horas no meio do dia são para esperar o pior do calor passar.
"Ainda assim você tem que cumprir oito horas", afirma. "Trabalhe sem parar no sol ou pare e recomece, o pagamento é o mesmo."
O descanso o livra de dores de cabeça e tontura provocadas pelo calor, mas estica o dia dele para 12 ou 13 horas. Se não fizesse assim, comenta dando de ombros, 'o que eu ganho seria gasto com remédio".
Círculo vicioso
Em um dia da semana passada, por volta das 14h, quando a temperatura em Banda chegou a 46ºC, três trabalhadoras se abrigaram embaixo de um caminhão-pipa em uma rodovia sobre a ponte do rio Ken para almoçar à sombra do chassi do veículo.
Uma delas, Shanti Devi, caminha seis quilômetros até o trabalho todas as manhãs e mais seis na volta.


Calor úmido



"Não sei se conseguirei suportar isso"


Risco de morte
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