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Ler matéria →As derrotas mais traumáticas do Brasil em Copas do Mundo

Crédito, Francois Xavier Marit- Pool/Getty Images
- Author, Edison Veiga
- Role, De Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil
- Published 5 julho 2026Atualizado Há 2 horas
- Tempo de leitura: 11 min
A eliminação da Seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026 pelo placar de 2 a 1 diante da Noruega é mais um capítulo que deve entrar para a história das derrotas mais dolorosas do escrete nacional.
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Neste ano, a derrota tem ainda o sabor do jejum: a Seleção canarinho chegara à próxima Copa, em 2030, com um hiato de 28 anos sem erguer a taça— o que nunca ocorreu desde que o time brasileiro foi campeão pela primeira vez, em 1958.
Não tem como fugir dos números. Se o Brasil é o único país a participar de todas as 23 edições da Copa, além de ser o maior campeão— ergueu a taça cinco vezes —, é natural que tenha sofrido 18 dolorosas eliminações. Destas derrotas, com a ajuda de especialistas, a BBC News Brasil elencou as mais traumáticas.
2014: Gooool da Alemanha
A festa era grande, o Brasil sediava uma Copa do Mundo 64 anos depois da única vez que isso havia ocorrido, em 1950. O time comandado pelo técnico de Luiz Felipe Scolari, se não era unanimidade, tinha ingredientes o suficiente para empolgar— inclusive pela memória afetiva, já que o treinador era o mesmo que havia conquistado o penta em 2002. Leia também: Na escalação do Brasil contra Noruega, Ancelloti sinaliza time mais ofensivo
Depois de uma primeira fase em que o Brasil ganhou da Croácia— 3 a 1, de virada —, empatou com o México sem gols e goleou Camarões por 4 a 1, o time venceu o Chile nos pênaltis— depois de empatar em 1 a 1 durante a partida— e a Colômbia por 2 a 1.
Na semifinal, encararia a Alemanha no Estádio do Mineirão, em Belo Horizonte. Foi uma tragédia inesquecível: 7 a 1 para o time europeu, que se sagraria campeão dias depois, vencendo a Argentina na final.
O Brasil já perdia por um a zero e tomou outros quatro gols entre os minutos 23 e 29 do primeiro tempo— provavelmente no mais catastrófico "apagão" da história do escrete canarinho. O Brasil ainda perderia para a Holanda na disputa do terceiro lugar— outra goleada, mas mais modesta: "apenas" 3 a 0.
"Foi um balde de água fria, aquele desastre tático", diz o historiador Marcel Tonini, doutor pela Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador no Centro de Referência do Futebol Brasileiro, do Museu do Futebol (CRFB). "E eles tiraram o pé, senão seria ainda maior a goleada."
Para o jornalista e pesquisador Celso Unzelte, comentarista da ESPN, consultor do Museu do Futebol, membro da Academia Brasileira de Letras do Futebol e professor na Faculdade Cásper Líbero o marcante da derrota para a Alemanha não foi a derrota em si— mas sim a diferença de gols, "a maneira como o resultado aconteceu". "Perder para a Alemanha seria um resultado absolutamente normal. O placar é que não foi", pontua. Mais de mundo
"Foi a pior derrota não apenas pelo placar, mas por tudo o que envolvia aquele jogo", diz o especialista em marketing esportivo Marcelo Paganini de Toledo, professor na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).
"Estávamos jogando uma Copa em casa, havia uma expectativa enorme da torcida e poucos imaginavam um resultado daquela dimensão. Foi uma derrota que ultrapassou o aspecto esportivo e se transformou em um choque para o país."

Crédito, Jamie McDonald/Getty Images Leia também: Haaland ou Vini Jr? No interior de Goiás, norueguesa adotou o Brasil
Também professor de marketing esportivo na ESPM, o administrador de empresas Ivan Martinho explica o misticismo negativo em torno do 7 a 1. "A seleção brasileira é um dos raros elementos capazes de unir um país tão diverso. Durante a Copa, existe no imaginário coletivo uma expectativa quase inevitável de vitória", contextualiza.
"O 7 a 1 foi tão marcante porque representou exatamente o oposto disso: em casa, diante do próprio povo, um símbolo nacional de excelência sofreu uma derrota sem precedentes", acrescenta. "Mais do que um resultado, foi um choque cultural para o Brasil."
Como "o tempo passou, as pessoas também", Unzelte acredita que o 7 a 1 contra a Alemanha em 1954 vieram para apagar o epíteto de "maior derrota" que era dado para o Maracanaço. "Esportivamente foi pior do que o Maracanaço. Mas pelo contexto social e político, eu diria que o Maracanaço foi pior", comenta Tonini.
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