Os investimentos que a JHSF fez nos últimos anos em seus negócios de renda recorrente se provaram transformacionais para a companhia, fazendo com que deixasse de ser somente uma incorporadora para se tornar um ecossistema de alta renda. Somente em um ano, a estratégia ajudou a companhia a mais do que dobrar o valor de suas ações, passando a ser avaliada em mais de R$ 8 bilhões. E ela foi determinante para que a JHSF apurasse no começo do ano o melhor primeiro trimestre da história – o lucro líquido somou R$ 371,6 milhões, aumento de 9% em base anual; a receita atingiu R$ 537,7 milhões, alta de 33%; e Ebitda ajustado chegou a R$ 250,6 milhões, crescimento de 27%, segundo o balanço divulgado nesta sexta-feira, 8 de maio.
Mas Augusto Martins, CEO da JHSF, destaca que esse é só o começo. Considerando as entregas que pretende fazer nos próximos anos, a expectativa é de que a renda recorrente catapulte a JHSF a um novo patamar no médio e longo prazo. “
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Com tudo o que estamos para fazer, a gente projeta uma geração de caixa perto de R$ 2 bilhões dos negócios de renda recorrente”, diz ele ao NeoFeed. “ Como são negócios recorrentes possuem múltiplos de 15 a 20 vezes, se projetarmos esses R$ 2 bilhões no médio e longo prazo, estamos falando de levar o valuation para entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões.
” Para chegar a esses números, a JHSF planeja uma série de entregas nas mais diversas frentes da parte de renda recorrente, que terão efeitos tanto no longo prazo quanto, em alguns casos, já em 2026. Entre as entregas previstas para este anos estão o shopping que fica no Boa Vista Village e a expansão do Cidade Jardim; a inauguração de três novos hangares no Catarina Aeroporto; a conclusão da nova fase Usina São Paulo, empreendimento de restaurantes e escritório no Rio Pinheiros; e novas unidades da JHSF Residences, além da estreia da operação na Sardenha, Itália. Nos próximos anos, o pipeline da JHSF conta com a chegada de novas operações, como o shopping na Faria Lima, previsto para o próximo ano, além de nove novos hotéis e 11 restaurantes, mais expansões no Aeroporto Catarina e novos empreendimentos da JHSF Residence, que possui 56 unidades em fase final de obras e planos para novos clubes. Leia também: preso político
Esses ativos serão incorporados a operações que já rodam forte, fazendo com que a parte de renda recorrente também registrasse nos três primeiros meses do ano o melhor resultado para um primeiro trimestre da história da empresa, com Ebitda ajustado de R$ 176,6 milhões, alta de 20%, e receita bruta de R$ 389,8 milhões. Internacionalização e incorporação No plano da JHSF de chegar em até R$ 40 bilhões em valuation, a internacionalização apresenta peso relevante, com a companhia apelando para M&As para aproveitar oportunidades que surgiram no mercado e reforçar diferentes frentes.
A JHSF começou o ano forte, com o anúncio de três aquisições relevantes – do Palazzo Taverna Medici del Vascello, em Milão; do complexo Enjoy Punta del Este (antigo Conrad), no Uruguai; e da Embassair, operação de aviação executiva localizada no Opa-Locka Executive Airport, em Miami. Movimento que começou há 15 anos, quando desembarcou em Punta del Este, depois em Nova York, a companhia decidiu focar inicialmente na expansão da parte de hospitalidade, no formato asset light, operando ativos da marca Fasano, por ser um nome bastante reconhecido lá fora.
Mas a ideia é levar também outras frentes de negócios para fora do País. Isso já está ocorrendo na Sardenha, em que a JHSF está levando o ecossistema completo, com condomínios, hotel, lotes e campo de golfe. A empresa também tem planos de agregar novos aeroportos ao portfólio como o de Miami, criando um ecossistema que não atenda apenas aos brasileiros.
A pretensão da JHSF é ser uma multinacional de alta renda. “ A internacionalização se dá para atender o público de alta renda internacional. Mais de esporte
Parte desse clube de alta renda internacional é o cliente brasileiro, mas ele é uma parte menor em relação à amostragem que a gente tem. Em Nova York, no nosso restaurante, mais de 90% do público é internacional”, afirma Martins. Sem abrir números, o executivo diz que a parte internacional ainda tem uma participação minoritária no resultado da JHSF, mas ele entende que possa haver um equilíbrio entre a geração de caixa internacional e nacional no médio e longo prazo.
Enquanto trabalha nas entregas da parte de renda recorrente no Brasil e no mundo, em incorporação, a JHSF já começa a planejar novos lançamentos, depois da venda de R$ 5,2 bilhões de estoque de empreendimentos prontos e em desenvolvimento no fim do ano passado. “ A gente continua com R$ 30 bilhões de estoque em VGV para ser lançado para frente, de que vão reforçar a margem da companhia e o resultado da companhia para frente”, afirma Martins. Leia também: mega sena 30 anos
Num momento em que a economia local e global passa por turbulência, o CEO da JHSF diz que a robustez da estrutura de capital permite seguir com os planos, sem ver riscos de grandes intercorrências. A empresa fechou o primeiro trimestre com caixa líquido positivo de R$ 1,8 bilhão, apoiado pelo IPO do fundo imobiliário. O montante é menor que os R$ 2,3 bilhões apurados ao fim de 2025.
A alavancagem financeira foi negativa em 0,97 vez, enquanto nos três meses anteriores foi negativa em 1,3 vez. “ Hoje, 95% das nossas dívidas estão distribuídas no mercado de capitais, de forma sofisticada e pulverizada, trazendo o menor custo da estrutura de capital que já tivemos”, diz.
“ O balanço patrimonial é robusto, são mais de R$ 18 bilhões em ativos, e um patrimônio de R$ 7,5 bilhões, o que traz uma solidez muito grande para continuarmos com os investimentos nos ativos de renda recorrente”, diz. As ações da JHSF fecharam o pregão de quinta-feira, 7 de maio, com queda de 4,50%, a R$ 12,11.
No ano, os papéis acumulam alta de 54,4%, levando o valor de mercado a R$ 8,3 bilhões.

