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Anúncios do Instagram promovem material com abuso sexual infantil na Índia

Article Information Author, Divya Arya Role, Serviço Mundial da BBC Published 7 julho 2026, 04:49 -03 Tempo de leitura: 10 min Importante: esta reportagem contém

Anúncios do Instagram promovem material com abuso sexual infantil na Índia
Silhueta de um menino abraçando os joelhos, em frente a um fundo vermelho e um telefone celular com o logotipo do Instagram
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    • Author, Divya Arya
    • Role, Serviço Mundial da BBC
  • Published 7 julho 2026, 04:49 -03
  • Tempo de leitura: 10 min

Importante: esta reportagem contém descrições de abusos.

O Instagram vem publicando anúncios pagos promovendo material que contém abuso sexual infantil na Índia, segundo concluiu investigação da BBC.

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Os anúncios, conferidos pelo Serviço Mundial da BBC, empregam expressões como "vídeo de estupro" e "vídeo infantil" e oferecem aos usuários links para canais no aplicativo de mensagens Telegram, onde o material pode ser comprado por até 99 rúpias indianas (cerca de US$ 1, ou R$ 5,15).

Após a publicação da reportagem, o governo indiano ordenou que a Meta, empresa proprietária do Instagram, desabilitasse imediatamente os anúncios e pediu explicações, no prazo de uma semana, sobre os motivos que os levaram a serem autorizados na plataforma, segundo uma autoridade de alto escalão.

Os anúncios no Instagram só são publicados depois de aprovados pela sua tecnologia de moderação. Leia também: Como os Estados Unidos viraram um país

A BBC denunciou um dos anúncios ao Instagram. A plataforma de rede social respondeu 24 horas depois, afirmando que a postagem não violava as "normas da comunidade".

A BBC enviou posteriormente um pedido de comentários à Meta, que respondeu já ter desativado diversos anúncios e suspendido as contas responsáveis pelas postagens.

A empresa afirmou ter removido outros anúncios, desativado mais contas e bloqueado URLs (endereços na Internet) de outros conteúdos que violavam suas políticas, em resposta às descobertas da BBC. Mais de mundo

O Telegram declarou ter removido mais de 274 mil grupos e canais relacionados a materiais contendo abuso sexual infantil em 2026.

A BBC criou uma conta com nome alternativo no Instagram, após perceber que a plataforma estava impulsionando conteúdo sexualmente sugestivo, mesmo para usuários que não buscavam este tipo de material.

Este conteúdo incluía mulheres que postavam sobre comida, o clima e o dia a dia na Índia, vestidas com roupas reveladoras e usando insinuações sexuais nas suas postagens. Leia também: Biotônico Fontoura: o remédio alcoólico popularizado por Monteiro Lobato

Criada na Índia, a nova conta com nome alternativo começou a seguir essas mulheres e outras pessoas similares (10, ao todo) para investigar conteúdo sexualizado na plataforma.

Dias depois, a plataforma começou a mostrar anúncios de crianças com adultos em situações sexualmente sugestivas e links para canais no Telegram.

Madan Lokur de pé, em uma sala com paredes brancas, olhando para a câmera. Ele veste um colete com camisa branca e tem cabelo e barba grisalha
Legenda da foto, O juiz aposentado da Suprema Corte da Índia, Madan Lokur, declarou recear que o Instagram estivesse 'ganhando dinheiro ao participar de atividade criminosa'

Surgiram ao todo cerca de 30 anúncios diferentes promovendo abuso sexual infantil, mas alguns deles foram compartilhados por diversas contas. Nossa conta alternativa também recebeu cerca de 20 anúncios mostrando pornografia com adultos.

A distribuição de material relativo a abusos sexuais infantis e pornografia de adultos é crime na Índia. E a política da Meta afirma que os anúncios não devem conter nudez de adultos ou genitais, nem conteúdo que explore sexualmente crianças ou as coloque em risco.

A BBC reportou todos os anúncios e os canais no Instagram para as autoridades indianas.

Logotipo da Meta exibido contra vidro fosco rosa e silhuetas de pessoas atrás do logo
Brian Boland
Legenda da foto, O ex-vice-presidente do Facebook, Brian Boland, declarou que o algoritmo do Instagram foi projetado para manter os usuários na plataforma, mostrando 'algo mais extremo, mais tentador'
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