Juíza Gabriela Hardt é afastada do cargo em caso ligado à Lava Jato
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Eliane Trindade
São Paulo
Uma viagem mágica, de sonhos, ao lado das filhas e de amigos com passeios na neve, visita ao Papai Noel na Lapônia e imagens espetaculares da aurora boreal. É assim que a empresária Roberta Luchsinger, 41, resume o passeio de cinco dias pela Finlândia, em janeiro de 2025, na companhia de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, a mulher dele, Renata, e filhos. A mesma viagem que ganhou manchetes como "Lulinha foi à Finlândia bancado por lobista em hotel com diária de R$ 37 mil".
As despesas de viagem, as contas bancárias, os contratos e até o closet de Roberta, repleto de bolsas e roupas de grife, viraram objeto de investigação da Operação Sem Desconto, que apura suspeitas de desvios no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Leia no AINotícia: Lula garante que Lulinha não terá privilégios se for investigado
"Desde dezembro, sou criminalizada, julgada e ameaçada de todas as formas por ser amiga do filho do presidente Lula", diz a herdeira de um ex-acionista do antigo banco Credit Suisse, ao reafirmar laços com Fábio e a mulher dele, Renata. "Minha melhor amiga."
Amizade sacramentada com a mesma tatuagem de um R da inicial do nome de ambas no pulso esquerdo e em memórias registradas em inúmeras fotos do casal que Roberta mostra no iPad.
Uma delas foi parar em um porta-retrato de madrepérola na estante da suíte master do apartamento da empresária em um bairro nobre de São Paulo, alvo de mandado de busca e apreensão cumprido pela Polícia Federal em 18 de dezembro do ano passado. Leia também: Juíza Gabriela Hardt é afastada do cargo em caso ligado à Lava Jato
Com o aposto de "amiga do Lulinha", Roberta se viu no epicentro do inquérito que apura a aproximação entre o filho do presidente e o empresário Antônio Camilo, que ganhou notoriedade sob a alcunha de "Careca do INSS".
Em depoimento à PF em 20 de maio, a empresária confirmou que os apresentou, mas classificou o ato como um gesto de "boa educação". "Jamais apresentei os dois com intuito de negócio. Tanto que eles nunca tiveram transações comerciais."
Aproximação que ocorreu, segundo ela, quando não havia nada que desabonasse a conduta de Camilo. "Ele virou o Careca do INSS depois da CPMI [Comissão Parlamentar Mista de Inquérito], quando colocaram esse apelido. Até então era uma figura ilesa."
A empresária diz que firmou contrato com o então ex-executivo de sucesso da indústria farmacêutica. Uma consultoria de R$ 300 mil mensais, totalizando R$ 1,5 milhão em pagamentos ao longo de cinco meses.
"Quando meus advogados levantaram os antecedentes do Antônio e da empresa dele para assinarmos o contrato, não havia um único processo", diz. Após as denúncias sobre desvios no INSS, decidiu fazer o distrato. Mais de politica
Quanto às suspeitas que pairam sobre a contratação de sua empresa, a RL Consultoria, Roberta diz que sua atuação foi técnica. "A polícia chegou a colocar no inquérito que eu queria vender canabidiol para o Ministério da Saúde. Isso jamais existiu, até porque não havia produto nem regulamentação."
A lista de suspeições foi crescendo a partir de "vazamentos seletivos" e uso político do caso, critica Roberta.
"Em ano eleitoral e num país tão dividido, o fato de eu expressar minhas opiniões políticas em rede social acabou dando munição para criar narrativas e ilações." Leia também: Centrais se mobilizam para ato inaugural da campanha de Lula e cobram pauta
Roberta diz ter comprovado que não bancou a tal viagem à Finlândia, organizada pela agência de turismo de luxo da amiga Marina Mantega, filha do ex-ministro Guido Mantega.
Reafirma não ser sócia nem ter feito transferências a Lulinha, conforme quebra de sigilo fiscal e bancário de ambos.
Vestida com um conjunto de calça e blusa de seda e scarpin Valentino, ela recebeu a Folha no apartamento decorado com requinte. Mostrou o armário central do closet danificado pelos agentes durante a operação da PF.
"Estava em Brasília, quando minha funcionária me ligou apavorada. Minha filha pequena estava dormindo e ficou nervosa", relata ela, sobre a caçula de 14 anos, fruto do relacionamento com o ex-deputado Protógenes Queiroz.
Segundo relato da empregada, o delegado que chefiou a operação foi educado e profissional, enquanto um dos agentes teria cometido excessos como se referir a Roberta usando termos chulos e intimidar a funcionária ao vasculhar gavetas e armários.
AMIZADE COM LULINHA
VIAGEM LUXUOSA
MARINA MANTEGA
MACHISMO
CARECA DO INSS
CONSULTORA OU LOBISTA
BUSCA E APREENSÃO
FÉ NA JUSTIÇA
DE ESQUERDA
USO POLÍTICO
Raio-X | Roberta Moreira Luchsinger, 41
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