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- Author, Thais Carrança
- Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
- Published Há 34 minutos
- Tempo de leitura: 7 min
Flávio Bolsonaro (PL) é o grande perdedor com as novas ameaças comerciais do presidente americano Donald Trump ao Brasil, avaliam cientistas políticos.
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Segundo analistas, as ameaças ao Pix e de novas tarifas retaliatórias de 25% contra produtos brasileiros devolvem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o discurso de soberania nacional que fez subir sua aprovação em meados de 2025.
Esse efeito eleitoral positivo deve superar eventuais impactos econômicos negativos das medidas dos EUA, avaliam estes observadores políticos. E pode ser o diferencial que dará a Lula a vitória numa corrida eleitoral que deverá ser disputada "cabeça a cabeça".
As novas ameaças de Trump também podem fortalecer candidatos alternativos no campo da direita, com Ronaldo Caiado (PSD) mais bem posicionado no momento atual para colher os benefícios de um enfraquecimento de Flávio, dizem os analistas. Leia também: Tarifas dos EUA podem ter efeito imediato apesar de prazo de negociação, diz
O governo dos Estados Unidos concluiu nesta segunda-feira (1/6) uma investigação comercial iniciada contra o Brasil em julho do ano passado, avaliando que certas práticas do governo brasileiro são "irrazoáveis" e "oneram ou restringem o comércio dos EUA".
O documento propõe um novo tarifaço de 25% contra produtos brasileiros e traz o Pix entre as práticas consideradas abusivas pelo governo americano. Mas eventuais medidas a serem tomadas a partir do resultado da investigação deverão ser discutidas entre os países nas próximas semanas.
Para a cientista política Denilde Holzhacker, professora de Relações Internacionais da ESPM, a conclusão da investigação comercial americana tem um lado negativo para o governo Lula, que vinha negociando com o governo americano na tentativa de manter um diálogo.
"Do ponto de vista do governo, é uma medida ruim porque tem um impacto econômico num momento eleitoral", diz Holzhacker.
"Por outro lado, do ponto de vista de campanha, o governo ganha novamente a força da narrativa da soberania, de um governo que enfrenta uma potência como os Estados Unidos, e que está buscando diálogo, mas o outro lado não busca." Mais de mundo
"Então, Lula ganha força, inclusive do ponto de vista da opinião pública", acredita.

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Já para Flávio Bolsonaro, o efeito é o oposto, depois de uma semana em que ele buscou mostrar ter influência sobre a Casa Branca, ao se reunir com Trump pouco antes do anúncio da decisão dos EUA de classificar as facções criminosas PCC e Comando Vermelho como terroristas.
A movimentação buscou criar uma agenda positiva para Flávio, após as notícias de que ele negociou R$ 134 milhões com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro (PL).
Nesta terça-feira, pouco depois do anúncio da nova ameaça de tarifaço, Flávio buscou se distanciar da medida do governo americano, publicando nas redes sociais um vídeo em que diz que pediu a Trump, ao vice-presidente J.D. Vance e ao secretário de Estado americano Marco Rubio que não taxassem produtos brasileiros.
"Sempre defendi as empresas brasileiras e, em qualquer oportunidade que tiver, vou continuar a defender nosso setor produtivo. Pedi expressamente ao presidente Trump para não taxar nossas empresas. Tarifa não é solução", disse Flávio.
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Aumento na rejeição

Caiado beneficiado

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