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Adversário do Brasil, Japão tem um desafio fora de campo: um enigma econômico

Adversário da Seleção: Japão empata com a Suécia e enfrenta o Brasil na segunda fase Após derrotar a Escócia na fase de grupos, a seleção brasileira terá pela frente

Adversário do Brasil, Japão tem um desafio fora de campo: um enigma econômico

Adversário da Seleção: Japão empata com a Suécia e enfrenta o Brasil na segunda fase

Após derrotar a Escócia na fase de grupos, a seleção brasileira terá pela frente, nesta segunda-feira (29), um adversário que desperta interesse não apenas dentro de campo. O Japão chega à segunda fase da Copa do Mundo de 2026 levando consigo um dos casos mais estudados da economia mundial.

Leia no AINotícia: Mundo em foco: panorama

Quarta maior economia do planeta, o país permanece entre os líderes globais em inovação e na produção de bens de alta tecnologia. Ao mesmo tempo, convive há décadas com crescimento econômico modesto e desafios estruturais que limitam uma expansão mais acelerada. (entenda mais abaixo)

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Jacob Funk Kirkegaard, pesquisador do Peterson Institute for International Economics (PIIE), explica que esse cenário começou a tomar forma após o estouro das bolhas imobiliária e do mercado de ações, entre meados da década de 1980 e o início dos anos 1990. Leia também: 'Baixe sua arma': pressão de moradores leva militares a ajudar em resgates

A partir dali, o Japão entrou em um longo período de baixo crescimento e inflação muito baixa— em alguns momentos, até de queda generalizada dos preços, fenômeno conhecido como deflação.

Ao mesmo tempo, a baixa taxa de natalidade, a redução da população em idade ativa e o envelhecimento acelerado passaram a pressionar o mercado de trabalho e as contas públicas.

  • 📉 Esse conjunto de fatores ficou conhecido entre economistas como "Japanificação", termo usado para descrever economias que convivem por longos períodos com crescimento fraco, inflação persistentemente baixa e dificuldade para recuperar o dinamismo.

Mais de três décadas depois, porém, parte desse quadro começou a mudar. A inflação voltou a se aproximar da meta do Banco do Japão (BoJ), permitindo que a autoridade monetária abandonasse a política de juros negativos. Hoje, a taxa básica está em 1% ao ano. Mais de mundo

"Pela primeira vez, desde que o envelhecimento populacional se acelerou no início dos anos 1990, o Japão pode ter um caminho plausível para desenvolver pressões sustentadas de salários e preços impulsionadas internamente", afirma Kirkegaard.

Kazuo Ueda, presidente do Banco Central do Japão (BoJ), participa de uma coletiva de imprensa após uma reunião de política monetária em Tóquio, Japão, em.—

Quebra-cabeça econômico

A melhora recente, no entanto, não eliminou as características que fazem da economia japonesa um caso singular.

O país mantém uma das menores taxas de desemprego do mundo— tendo alcançado 2,5% em abril —, e tem um PIB per capita estimado em cerca de US$ 35,7 mil pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Leia também: Quando a seleção brasileira era formada por filhos de imigrantes e operários

Também continua entre as economias mais inovadoras do planeta: de acordo com o Global Innovation Index 2025, da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (WIPO), ocupa a 12ª posição no ranking e lidera indicadores ligados à sofisticação industrial e à cooperação entre universidades e empresas.

Em 2023, destinou 3,44% do Produto Interno Bruto (PIB)— cerca de US$ 145 bilhões— à pesquisa e desenvolvimento. Ainda assim, sua economia cresce, em média, apenas 1% ao ano há cerca de três décadas.

É essa combinação que pesquisadores do Centro de Desenvolvimento Internacional, da Universidade Harvard, definem como um "quebra-cabeça econômico".

Apesar do crescimento modesto, o Japão lidera o Índice de Complexidade Econômica desde 1981, reflexo da capacidade de produzir bens de alto valor agregado.

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