
- Author, Reha Kansara
- Role, Unidade Global sobre Desinformação da BBC
- Há 4 horas
- Tempo de leitura: 9 min
"Se uma só pessoa conseguir ter acesso à internet, acho que tivemos sucesso e que valeu a pena", afirma Sahand.
O iraniano está visivelmente nervoso ao conversar com a BBC, mesmo estando fora do Irã. Ele explica cuidadosamente que faz parte de uma rede de contrabando, que transporta clandestinamente tecnologia de internet via satélite (que é ilegal no Irã) para dentro do país.
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Sahand é um nome fictício. Ele receia pelos seus familiares e outros contatos que estão em território iraniano.
"Se eu for identificado pelo regime iraniano, eles poderão fazer as pessoas com quem tenho contato no Irã pagarem o preço", explica ele.
O Irã vive um apagão digital há mais de dois meses. O governo do país mantém um dos mais longos bloqueios nacionais de internet já registrados em todo o mundo. Leia também: 'Projeto Liberdade': o que sabemos sobre o plano de Trump para reabrir estreito de Ormuz
O apagão atual começou após os ataques aéreos dos Estados Unidos e Israel ao Irã em 28 de fevereiro.
O acesso à internet havia sido parcialmente restaurado apenas um mês antes dos ataques, após outro apagão digital imposto em janeiro, durante a repressão do regime aos protestos que se espalharam pelo país.
Naquela ocasião, mais de 6,5 mil manifestantes foram mortos e 53 mil foram detidos, segundo a Agência de Notícias Ativistas dos Direitos Humanos (HRANA, na sigla em inglês), com sede nos Estados Unidos.

Crédito, AFP via Getty Images
Os aparelhos da Starlink que Sahand envia para o Irã são uma das formas mais confiáveis de escapar do apagão. Mais de mundo
Os terminais podem ser acoplados a roteadores e fornecem acesso à internet por conexão com a rede de satélites da empresa SpaceX, de Elon Musk. Eles permitem aos usuários evitar totalmente a internet doméstica iraniana, altamente controlada.
Sahand explica que várias pessoas podem se conectar a cada terminal ao mesmo tempo.
Ele conta que ele e outras pessoas da rede compram os aparelhos e "os contrabandeiam pelas fronteiras" em uma "operação muito complexa". Mas ele se recusa a fornecer mais detalhes. Leia também: As refinarias chinesas que 'driblam' sanções dos EUA e compram petróleo de Rússia, Venezuela e Irã
Sahand afirma que já enviou uma dúzia de aparelhos para o Irã desde janeiro e "estamos buscando ativamente outras formas de levar mais".
A organização de defesa dos direitos humanos Witness estimou em janeiro que havia pelo menos 50 mil terminais Starlink no Irã. Mas os ativistas afirmam que o número provavelmente aumentou.
A BBC entrou em contato com a SpaceX para obter mais detalhes sobre o uso da Starlink no país, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem.
No ano passado, o governo iraniano aprovou leis sujeitando o uso, compra ou venda de aparelhos da Starlink a até dois anos de prisão. E as penas por distribuir ou importar mais de 10 aparelhos podem atingir até 10 anos.
A imprensa afiliada ao Estado iraniano relatou diversos casos de pessoas sendo presas por vender e comprar terminais Starlink, incluindo quatro pessoas (duas delas, estrangeiros) que foram presas no mês passado por "importar equipamento de internet via satélite".



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