
Crédito, Júlia Carneiro
- Author, Júlia Dias Carneiro
- Role, De Campina Grande para a BBC News Brasil
- Há 3 horas
- Tempo de leitura: 9 min
O aroma de frango refogado com coentro, cenoura e batata se espalha pela casa. O ensopado depois vai para o liquidificador, virando uma papinha para nutrir tanto a filha bebê quanto a mais velha.
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Ester Emanuelly, de 1 ano e meio, engole com gosto as colheradas que a mãe lhe dá na boca enquanto quica pelo sofá.
Sophia Emanuelly, de 10, se alimenta de outra forma: por uma sonda que leva a papinha direto para seu estômago. Há dois anos que é assim, depois da cirurgia de gastrostomia que ela fez por causa dos vômitos recorrentes, refluxo e da broncoaspiração quando comia — alguns dos muitos problemas causados pela síndrome congênita do vírus da zika.
"Ela nem sente o gosto, mas percebe quando a alimentação está entrando e faz o movimento de mastigação", diz a mãe, Ianka Mikaelle, de 28 anos, enquanto enche mais uma seringa de 10 ml com o almoço e a encaixa na sonda para pressionar o êmbolo com a papinha alaranjada. Leia também: Anna Jarvis, a mulher que inventou o Dia das Mães e depois se arrependeu
Sophia nasceu no auge da epidemia de zika, em . Ianka tinha 17 anos quando soube que a bebê de 7 meses que carregava na barriga tinha microcefalia, causada pela virose transmitida pelo Aedes aegypti.
"Foi nesse tempo que o pai dela me deixou. Ele disse que estava com nojo de mim, que me desprezava, e me deixou, me abandonou", contou Ianka à BBC News Brasil na época.
Conhecemos mãe e filha quando Sophia era recém-nascida, no ambulatório especializado em microcefalia do Hospital Municipal Pedro 1º, em Campina Grande, na Paraíba, e mantivemos contato com Ianka desde então.
Quando Sophia fez 10 anos, reencontramos mãe e filha na Paraíba e conhecemos os novos integrantes da família.
Vitor Francisco de Lima, de 27 anos, com quem Ianka se casou em 2023, e que adotou Sophia de imediato como uma filha; e Ester, que nasceu em dezembro de 2024. Efraim ainda estava na barriga de Ianka na nossa visita e veio ao mundo em 30 de abril. Mais de mundo

Crédito, Julia Carneiro
Uma década, um dia após o outro
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Como em cada aniversário, Ianka se esmerou na comemoração dos 10 anos de Sophia. Preparou uma festa com docinhos, balões e um vestido de princesa para a filha, tudo em tons de lavanda, tema que escolheu por simbolizar "serenidade, pureza e unção para cura na Bíblia".
"Eu nunca deixei passar nenhum aniversário em branco, porque cada dia é uma vitória para a gente", conta.
O marco de uma década superou em muito as previsões que Ianka recebeu quando Sophia nasceu.
"Eu estava muito empolgada pelos 10 anos. Eu dizia: 'Meu Deus, Sophia, tu vai fazer 10 anos, vai fazer uma década já de vida!'. Para quem os médicos disseram que nem ia nascer com vida...", comemora a mãe.
Apesar de todas as dificuldades do começo, Ianka diz que a situação hoje é ainda mais difícil. "Porque, apesar de já fazer 10 anos, a gente vive todos os dias achando que vai ser o último."

Indenização e melhorias

'Zika ficou como um tormento'

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