'Arquitetura chavista' pode ter agravado danos de terremotos na Venezuela
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Crédito, Getty Images
- Author, Luiz Fernando Toledo
- Role, BBC News Brasil
- Reporting from, Londres
- Published Há 3 horas
- Tempo de leitura: 14 min
"Não me animei [com a orientação do oftalmologista], pois ainda vejo bem. Agora vou seguir sua orientação", escreveu ela nos comentários do vídeo.
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O médico do YouTube não existe. É um avatar criado por inteligência artificial.
Embora o YouTube sinalize que o conteúdo foi gerado por IA, o vídeo alcançou quase 300 mil visualizações e cerca de 300 comentários, muitos de pessoas como Celi, que buscam informações sobre saúde na terceira idade e acreditam estar recebendo orientação de um profissional de saúde real.
O lucro pode vir tanto das visualizações no próprio YouTube quanto da venda de e-books e produtos anunciados nos canais. Leia também: Após crise com Flávio, Michelle Bolsonaro deixa presidência do PL Mulher
Para aumentar a audiência, tutores ensinam a criar títulos e roteiros que despertem medo e sensação de urgência, levando o espectador a acreditar que corre um risco imediato à saúde e incentivando-o a assistir ao vídeo até o fim.
Segundo esses criadores, os idosos são um público ideal porque passam horas assistindo a vídeos longos, podem ter renda disponível para gastar e tendem a confiar em quem promete ajudá-los.
A produção desse tipo de material pode ainda configurar crimes, segundo professores de direito ouvidos pela reportagem, como falsa identidade e exercício ilegal da medicina.

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Celi disse à BBC News Brasil que a decisão de não fazer a cirurgia nos olhos não foi motivada pelo vídeo e que costuma seguir apenas dicas de alimentação encontradas no YouTube.
Ela se surpreendeu, porém, ao descobrir pela reportagem que o médico do vídeo não existia. Leia também: Influenciadores lucram ensinando homens brasileiros a conquistar mulheres
"Esse vídeo apareceu para mim. Uso muito o YouTube. Não percebi que era inteligência artificial. Achei que fosse um médico de verdade, até porque o que ele falava parecia plausível. Não eram coisas absurdas. Pela minha idade, até me considero esperta com computador, mas ainda não sei distinguir o que é IA e o que é real", afirmou.
Ela contou à reportagem que esse tipo de conteúdo aparece com frequência em seu feed porque saúde é um dos assuntos que mais pesquisa na internet. Seus comentários estão espalhados por vários canais de IA do tipo.
"Quando entro, aparecem vários vídeos. Aí acabo clicando para assistir."
Celi disse que nunca seguiria recomendações de um vídeo para tomar ou interromper medicamentos e que é acompanhada pelo mesmo médico há mais de 20 anos.
"Jamais seguiria um estranho. Eu sigo o meu médico."

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