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Quando o líder venezuelano Hugo Chávez (1999-2013) construiu um conjunto habitacional com seu nome, os novos moradores encontraram um recomeço. Eles haviam sofrido com uma enchente histórica que, uma década antes, devastara Catia La Mar, no estado de La Guaira, na Venezuela.
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Agora, um novo desastre se abateu sobre os residentes do complexo Urbanismo Hugo Chávez. Os dois terremotos consecutivos da semana passada derrubaram grande parte dos mais de 190 prédios, colocando-os no centro da tragédia venezuelana.
A região foi a mais impactada pelos tremores. Uma análise de imagens de satélite de Catia La Mar, realizada pelo laboratório AI for Good da Microsoft, determinou que cerca de um terço das quase 30 mil estruturas da cidade foram danificadas. Leia também: Goleador, 'rival' de Gabriel Magalhães e youtuber: quem é Haaland, o maior
Ainda é cedo para definir o que levou construções individuais a desmoronarem. Mas engenheiros pedem que o governo audite rapidamente os conjuntos habitacionais públicos que seguem de pé.
A suspeita é que anos de negligência, não aplicação dos códigos de construção e práticas precárias de licenciamento possam ter agravado o custo humano dos terremotos. Os especialistas apontam também para a instabilidade do solo em La Guaira, que aumenta os riscos para a construção de imóveis.
"Perdi todo o meu apartamento", disse Yelsa Rojas, que desde 2015 vivia no segundo andar do edifício conhecido coloquialmente como "Los Cocos", por sua proximidade com uma praia de mesmo nome. Na hora dos terremotos, ela estava numa consulta médica. "Acreditamos que todos no segundo andar estejam mortos."
Prédios danificados pelos terremotos três dias após atingirem Catia La Mar, Venezuela.— Foto: Matías Delacroix/AP Photo
Engenheiros se voluntariam
Enquanto socorristas correm para encontrar pessoas soterradas nos escombros, os engenheiros temem que outros edifícios ainda possam estar vulneráveis. Grandes rachaduras se espalharam pelos prédios do conjunto habitacional, revelando os materiais de construção internos. Alguns deles caíram e outros pareciam à beira do colapso. Mais de mundo
Por ora, o governo se reuniu com a principal associação profissional de engenheiros do país, mas não iniciou avaliações. A presidente interina, Delcy Rodriguez, anunciou que estava criando uma comissão para examinar estruturas habitacionais danificadas. Ela não disse quando as avaliações começariam.
"É criminoso que o governo não esteja aceitando mais rapidamente ofertas de engenheiros e universidades", disse Enrique Larrañaga, arquiteto e urbanista da Universidade Simón Bolívar, que já prestou orientação ao governo. O Ministério da Comunicação não se posicionou. Leia também: Após crise com Flávio, Michelle Bolsonaro deixa presidência do PL Mulher
Segundo o especialista, muitos empreendimentos, acelerados pelo governo no seu programa político voltado a programas sociais, provaram representar riscos de segurança ao longo dos anos, enquanto o país perdeu parte da expertise em engenharia durante o colapso econômico iniciado em 2013. "Eles precisam dar às pessoas que têm conhecimento acesso à informação e aos recursos."
Engenheiros voluntários estão oferecendo serviços aos cidadãos, disse Glennys Gonzalez, arquiteta e engenheira civil que coordena dezenas de profissionais. A avaliação inicial do seu grupo sugere que, em muitos casos, protocolos foram ignorados. Mas falta estudar por que algumas estruturas resistiram ao impacto e outras desabaram completamente.
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Precariedade e corrupção
O governo Chávez começou a construir conjuntos como Los Cocos pouco antes das eleições de 2012, como parte de um esforço para erguer milhões de unidades baratas em todo o país. O seu sucessor, Nicolás Maduro, deu continuidade ao projeto, ampliando o acesso à moradia para venezuelanos de baixa renda.
À medida que Chávez e Maduro centralizaram o poder, as instituições se enfraqueceram, assim como os controles de qualidade sobre novas construções e a manutenção de estruturas existentes, dizem arquitetos e engenheiros.
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