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Ler matéria →A espécie de peixe que vive sem machos há 100 mil anos- Author, Florence Craig- Role, BBC Future- Published- Tempo de leitura: 10 min Nos rios do México e do sul do Estado americano do Texas, é possível encontrar uma espécie de peixe que não deveria existir. Nas águas quentes e lentas da região, ela se move em meio ao seu cardume, todo composto de fêmeas.
Suas escamas prateadas tocam levemente os machos de espécies similares. E é ali que ela escolhe um parceiro. Mas, em uma guinada evolutiva incomum, a prole não herda os genes do pai.
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Este processo biológico é conhecido como ginogênese. Nele, a fêmea usa o esperma do macho apenas para iniciar o desenvolvimento das ovas, descartando rapidamente o DNA do pai. Ela produz apenas fêmeas e cada uma é um clone dela própria.
Este peixe é a molinésia-amazona. Seu nome não vem da floresta sul-americana, mas da tribo de mulheres guerreiras da mitologia grega. E a espécie intriga os cientistas há quase um século.
Segundo a teoria da evolução, as espécies assexuadas deveriam se extinguir rapidamente. Afinal, sem o sexo, elas acumulam mutações prejudiciais nos seus genomas ao longo do tempo. Mas esta espécie, composta apenas por fêmeas, persiste há cerca de 100 mil anos. Leia também: James Handy, ator de Jumanji, é morto a facadas aos 81 anos nos EUA, e enteado
Na análise convencional, sua presença na árvore da vida deveria ter sido efêmera. Ainda assim, esta criatura pequena e despretensiosa insiste em sobreviver. Como a molinésia-amazona sobreviveu quando a teoria sugere que ela deveria ter sido extinta há muito tempo?
Novas pesquisas começam a desvendar este mistério. E os cientistas estão descobrindo que as espécies assexuadas podem ser mais resilientes do que se pensava, desafiando a antiga ideia de que a vida sem sexo está condenada ao fracasso. Por que o sexo é importante Para compreender por que a sobrevivência da molinésia-amazona sem sexo é tão notável, é preciso saber antes o seguinte: afinal, por que existe o sexo?
" A reprodução sexuada é uma forma bastante estranha e complicada de reprodução, não é? ", segundo o biólogo computacional Edward Ricemeyer, da Universidade Ludwig Maximilian de Munique, na Alemanha.
Ele é um dos autores do novo estudo sobre a molinésia-amazona. Ricemeyer explica que o sexo é caro. Os indivíduos precisam encontrar e competir por um parceiro e cada um deles contribui com apenas metade do seu DNA.
A reprodução, muitas vezes, é desigual. As fêmeas de muitas espécies investem muito mais energia que os machos na produção, parto ou incubação e na criação dos filhotes. Já a reprodução assexuada parece um processo muito melhor. Mais de mundo
Nele, não há necessidade de encontrar e lidar com um parceiro e você consegue transmitir 100% dos seus genes. Ainda assim, na árvore da vida, o sexo (a mistura e recombinação de genes de indivíduos diferentes), na verdade, é dominante. "
Se você observar o quadro como um todo, é 99,9% sexo", afirma o biólogo evolutivo Dave Speijer, da Universidade de Amsterdã, na Holanda, especialista nas origens da reprodução sexuada. Uma razão, segundo Speijer, é que o sexo permite que as populações explorem o "espaço de possibilidades" genéticas com mais eficiência.
Durante a reprodução sexual, o DNA dos dois pais é reordenado por meio de um processo conhecido como recombinação, que oferece a cada filhote uma combinação única de genes. A recombinação funciona como embaralhar e distribuir as cartas de um baralho, com cada embaralhamento criando um novo jogo a ser testado pela evolução. Isso significa que, normalmente, existe mais variedade genética entre as espécies que se reproduzem sexualmente, pois cada indivíduo tem uma mistura de genes (um jogo de cartas) diferente, o que costuma ser benéfico para a sobrevivência da espécie. Leia também: Eleições no Peru e na Colômbia podem consolidar 'círculo de fogo' pró-Trump
O sexo também oferece proteção. Sem a recombinação genética, os genomas enfrentam uma ameaça lenta, mas crescente, conhecida como catraca de Müller. Quando o DNA é copiado, explica Speijer, "sempre existem erros".
Nas espécies que se reproduzem sexualmente, esses erros podem ser eliminados do conjunto genético pela recombinação. Mas, nas espécies clonais, eles são sempre transmitidos de uma geração para outra. Acredita-se que, ao longo do tempo, estas mutações prejudiciais se acumulem sem possibilidade de retorno, como em uma catraca, degradando pouco a pouco o genoma, até a extinção da espécie.
Segundo esta ideia, as espécies assexuadas teriam vida curta e seriam fadadas à degradação dos seus genes. Mas, ainda assim, algumas delas sobrevivem e se proliferam, como a molinésia-amazona. Speijer acredita que parte desta confusão pode vir de como a teoria é interpretada.
" A catraca de Müller não diz 'ei, se você não tiver sexo, irá sofrer um colapso mutacional'. "
Ele defende que, na verdade, ela é mais bem compreendida como uma restrição mais ampla de todas as formas de vida. Qualquer sistema deve ter uma forma de gerenciar "erros " genéticos, e o sexo é apenas uma dessas estratégias.
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