
Crédito, Getty Images
- Author, Ángel Bermúdez
- Role, BBC News Mundo
- Published Há 2 horas
- Tempo de leitura: 10 min
Maria tinha a esperança de que, no dia do seu aniversário, a única vela de que iria precisar seria colocada em cima do seu bolo.
Leia no AINotícia: Primeiro sobrevivente de caverna inundada no Laos é resgatado
Mas, no último dia 5 de maio, quando telefonei para dar os parabéns, não havia eletricidade na sua casa em Maracaibo, a segunda cidade mais populosa da Venezuela, no oeste do país.
"Eu acreditava que, hoje, não iriam nos cortar a luz, porque já haviam cortado ontem e, nas semanas anteriores, os apagões ocorriam em dias alternados", comentou ela, resignada.
O corte se estendeu das 20 horas até à meia-noite. Por isso, quando chegou a hora de cantar "Ah, que noite tão linda" — a longa canção tradicional de aniversário da Venezuela —, eles continuavam sem luz. Leia também: Por que o T. rex tinha braços 'ridiculamente pequenos'?
Ela também comprou ventiladores, que ajudam a enfrentar o calor sufocante da sua cidade. Ali, a temperatura média anual é de cerca de 30 °C.
A falta de eletricidade não é um problema exclusivo de Maracaibo.
A edição mais recente da Pesquisa de Condições de Vida (Encovi, na sigla em inglês), publicada em 2025 pela Universidade Católica Andrés Bello, da capital venezuelana, Caracas, indica que nove em cada 10 residências do país relataram interrupções do fornecimento de energia elétrica. E quatro em cada 10 afirmaram que esses cortes são diários e se estendem por várias horas.
Também não se trata de um problema novo.
Pelo menos desde 2009, durante a presidência de Hugo Chávez (1954-2013), o governo venezuelano começou a aplicar medidas de racionamento do consumo de eletricidade. E, em 2010, foi declarada a chamada "emergência elétrica", supostamente para possibilitar os investimentos necessários neste setor. Mais de mundo
Mais de 15 anos se passaram e os venezuelanos continuam sofrendo com a falta de energia elétrica. E os cortes parecem ter aumentado neste ano de 2026.

Crédito, Getty Images
Crescimento sem energia?
A organização atribuiu as manifestações aos frequentes cortes elétricos sem anúncios programados, "que afetam as atividades domésticas, comerciais e de serviços, além de gerar prejuízos econômicos e danos em equipamentos".
O governo da presidente interina, Delcy Rodríguez, atribui os problemas elétricos ao aumento das temperaturas e da atividade econômica do país.
"Estamos observando a abertura e o desenvolvimento econômico do país nos últimos meses. E esta abertura traz consigo um aumento do consumo", declarou o ministro da Energia Elétrica, Rolando Alcalá, em entrevista à televisão estatal VTV, no início de maio.
"Os venezuelanos têm mais receita e isso permite que eles comprem mais eletrodomésticos. E a maior quantidade de aparelhos conectados à rede aumenta a demanda", explica o ministro.

Nem potência, nem transmissão

Soluções a médio e longo prazo

Tempo, dinheiro e planejamento

Leia também no AINotícia
- Por que o medo vai definir a eleição para presidente da Colômbia deste domingoMundo · agora
- Israel faz novos ataques e avança no sul do Líbano em meio a negociaçõesMundo · 3h atrás
- 'É como se a morte viesse nos buscar todo mês': o pesadelo das mulheres comMundo · 4h atrás
- Por que o T. rex tinha braços 'ridiculamente pequenos'?Mundo · 4h atrás
