
Crédito, ©Carol Guzy/ZUMA Press, iWitness para Miami Herald/World Press Photo 2026
- Author, Leire Ventas
- Role, Correspondente da BBC News Mundo em Los Angeles
- Há 1 hora
- Tempo de leitura: 3 min
"Uma mãe e crianças inconsoláveis, desesperadas após a detenção do pai da família".
Assim a fotógrafa Carol Guzy descreve o momento que retrata o que foi reconhecido como a "Imagem do Ano" do World Press Photo 2026, um dos prêmios mais prestigiados do fotojornalismo em nível mundial.
Guzy recebeu a honraria nesta quinta-feira (23/4), durante uma cerimônia realizada em Amsterdã, na Holanda.
A fotografia, intitulada Separados pelo ICE, foi feita em 26 de agosto do ano passado, em um dos poucos espaços governamentais dos Estados Unidos ao qual os fotógrafos têm acesso: os corredores do infame Edifício Federal Jacob K. Javits. Leia também: O que o consumo de carne de burro na Patagônia revela sobre a atualidade da Argentina
Localizado em Manhattan, Nova York, o prédio abriga em seu décimo andar um tribunal de imigração que se tornou nos últimos meses epicentro das deportações em massa do governo do presidente Trump.
Ali estava Luis — um imigrante equatoriano residente no bairro nova-iorquino do Bronx — junto com sua família para uma audiência de rotina.
Segundo a mulher, Luis não tinha antecedentes criminais e era o único provedor do lar, o que deixou a esposa e os três filhos do casal, de 7, 13 e 15 anos, enfrentando uma situação econômica incerta.
'Registro duro e necessário'
"Esta imagem mostra a dor inconsolável das crianças ao perderem seu pai em um lugar que foi construído para fazer justiça", disse a diretora executiva do World Press Photo, Joumana El Zein Khoury, ao entregar o prêmio.
"É um registro duro e necessário da separação familiar por trás das políticas de imigração dos EUA. Em uma democracia, a presença de câmeras naquele corredor serve como testemunha de uma política que transformou os tribunais em locais que destroem vidas; é um exemplo poderoso da relevância do fotojornalismo independente". Mais de mundo

Crédito, AFP via Getty Images
Uma ordem executiva de janeiro de 2025 revogou as medidas que impediam o ICE de realizar prisões em "lugares sensíveis", como escolas, hospitais ou tribunais. Leia também: Cessar-fogo entre Líbano e Israel é prorrogado por três semanas, diz Trump
A estratégia, impulsionada com um financiamento de US$ 75 bilhões para o ICE, resultou em um aumento sem precedentes na detenção de pessoas sem antecedentes.
"É muito forte que tenham escolhido uma imagem que reflete o que está acontecendo agora nos EUA", disse Guzy à NPR, a rádio pública americana, ao saber da premiação.
"Neste momento, é imprescindível que a mídia mostre o rosto daqueles que estão sendo afetados [pelas políticas de imigração do governo Trump], daqueles que estão sendo detidos e as consequências que as famílias estão enfrentando", acrescentou.
"Como imprensa, não nos cabe julgar, mas acredito que todas essas fotografias aumentam a conscientização e responsabilizam as agências [governamentais] e as autoridades judiciais", concluiu Guzy, cujo trabalho também já foi reconhecido com o Prêmio Pulitzer quatro vezes.
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