Muitos projetos de código aberto são mantidos por esforços altruístas
Publicado em: 11/07/2026 00:34Autor:Redação AI NotíciaLeitura: 5 min de leituraAI Notícia
Resumo
incidente no OpenMandriva Linux envolveu desenvolvedor Davide Beatrici e mantenedor AngryPenguin, resultando em suposta sabotagem à distribuição;
distribuição foi criada em 2012 após a descontinuação do Mandriva Linux e é mantida desde então pela OpenMandriva Association;
mantenedores do OpenMandriva estão restaurando os repositórios deletados e as funcionalidades afetadas, visando minimizar os danos causados pelo incidente.
Muitos projetos de código aberto são mantidos por esforços altruístas. Mas isso não garante que não haja conflitos internos. Prova recente disso vem do OpenMandriva Lx: um incidente com um desenvolvedor trouxe vários transtornos para colaboradores e usuários da distribuição Linux.
O OpenMandriva surgiu em 2012 após a descontinuação do Mandriva Linux que, por sua vez, foi uma distribuição que surgiu da união dos projetos Mandrake Linux (França) e Conectiva Linux (Brasil). A OpenMandriva Association toca a iniciativa até hoje para atender, principalmente, usuários domésticos e entusiastas.
Eis que, nesta semana, o desenvolvedor “AngryPenguin”, que é um dos mantenedores do projeto, usou o fórum do OpenMandriva para relatar o que ele considera uma tentativa de “sabotagem da distribuição”.
Beatrici se juntou ao OpenMandriva há algum tempo e, como parte de sua colaboração, se ofereceu para migrar os repositórios da distribuição Linux do GitHub para uma instância privada na OneDev.
É de se esperar que haja ressalvas sobre direcionar a infraestrutura de um projeto amplo para um serviço controlado por uma única pessoa, mas a proposta acabou sendo aceita, afinal, como reconheceu AngryPenguin, “ele [Beatrici] era uma figura tão conhecida que não esperávamos nada de ruim”. Leia também: Projeto de lei no Brasil quer impedir que empresas “matem” games
Duas outras pessoas se juntaram ao projeto junto com Beatrici. Os problemas supostamente começaram com uma delas, que teria passado a apresentar comportamento conflitoso com outros membros. Os transtornos resultantes teriam sido grandes a ponto de outros colaboradores abandonarem o sistema operacional, conta AngryPenguin.
A pessoa que teria causado esses problemas foi banida de um dos chats principais do fórum do projeto. Embora ela não tenha sido totalmente banida, Beatrici não teria gostado da decisão e, então, resolveu deixar de colaborar com o OpenMandriva.
Diante disso, os mantenedores do projeto entenderam que não fazia mais sentido espelhar os repositórios da distribuição Linux na infraestrutura privada de Beatrici. “Isso enfureceu tanto Davide que, abusando dos privilégios administrativos que ainda possuía, ele sabotou a distribuição hoje de madrugada”, contou AngryPenguin.
A suposta sabotagem teria sido executada na forma de eliminação de determinados repositórios e na publicação de um pacote vazio “que tornou obsoletos todos os pacotes do Gnome e do Cosmic”, ainda de acordo com AngryPenguin.
Davide Beatrici nega sabotagem ao OpenMandriva
Ao The Lunduke Journal, Davide Beatrici negou ter tentado sabotar a distribuição. O desenvolvedor reconheceu que alterou os pacotes do Gnome e do Cosmic, mas deu a entender que a ação foi resultado de uma falha de comunicação. Mais de tecnologia
Ainda de acordo com Beatrici, a ação foi executada porque o “OpenMandriva sempre se concentrou no KDE e no LXQt e toda a equipe concorda com essa filosofia, exceto alguns membros”.
Os mantenedores afirmam que os repositórios deletados estão sendo restaurados, bem como as funcionalidades de pacotes obsoletos afetados.
Mas fica a lição: é importante estabelecer hierarquias bem claras em projetos como o OpenMandriva e evitar a centralização de recursos críticos nas mãos de uma única pessoa, pois conflitos interpessoais também podem ser um problema de segurança, muitas vezes, de modo mais grave do que o ataque de um agente externo.
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Escrito
Emerson Alecrim
Repórter
Emerson Alecrim cobre tecnologia desde 2001 e entrou para o Tecnoblog em 2013, se especializando na cobertura de temas como hardware, sistemas operacionais e negócios. Formado em ciência da computação, seguiu carreira em comunicação, sempre mantendo a tecnologia como base. Em 2022, foi reconhecido no Prêmio ESET de Segurança em Informação. Foi reconhecido nas edições 2023, 2024 e 2025 do Prêmio Especialistas, em eletroeletrônicos. Participa do Tecnocast, já passou pelo TechTudo e mantém o site Infowester.