4 razões que explicam por que é difícil manter um cessar-fogo no Irã
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Crédito, Reuters
- Author, Theo Leggett
- Role, Correspondente de Negócios Internacionais, BBC News
- Published Há 10 minutos
- Tempo de leitura: 12 min
A bordo, 230 passageiros se acomodavam para uma viagem de nove horas e meia até Londres. Dentre os 230, 169 eram cidadãos indianos e 53, britânicos. Dez tripulantes de cabine trabalhavam na aeronave.
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Na cabine de comando, estavam o comandante Sumeet Sabharwal, um piloto com décadas de experiência, e seu colega mais jovem, o copiloto Clive Kunder. Apenas 32 segundos após a decolagem, o avião caiu, matando todos os que estavam a bordo, exceto uma pessoa. Outras 19 pessoas que estavam em terra também morreram.
Imagens de câmeras de segurança do aeroporto e um vídeo publicado nas redes sociais mostram a aeronave decolando de forma aparentemente normal. Mas, em vez de ganhar altitude, ela parece ficar suspensa no ar antes de descer suavemente.
O avião desaparece atrás de prédios e árvores. Segundos depois, surge uma enorme nuvem de fogo e fumaça preta, e a dimensão do desastre fica evidente. As imagens, no entanto, não deixam claro o que de fato causou a queda. Leia também: 'A Copa não é para nós': os torcedores que desistiram após serem barrados

Crédito, PA Media
Descobrir por que tantas pessoas morreram na queda do voo 171 da Air India é tarefa do Escritório de Investigação de Acidentes Aéreos da Índia (AAIB), órgão ligado ao Ministério da Aviação Civil do país. Segundo o direito internacional, conforme estabelecido no Anexo 13 da Convenção sobre Aviação Civil Internacional, o país onde ocorre um acidente é diretamente responsável pela investigação oficial.
Outras partes, incluindo o país onde a aeronave ou seus motores foram fabricados, também podem participar ativamente como "representantes credenciados". No caso do voo AI171, isso significa o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB, na sigla em inglês). O NTSB enviou uma delegação que incluía especialistas técnicos da Boeing, fabricante do avião, da GE Aerospace, que produziu os motores, e da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês), órgão regulador da aviação no país.
De acordo com o Anexo 13, "o único objetivo da investigação de um acidente ou incidente deve ser a prevenção de acidentes ou incidentes. O objetivo dessa atividade não é atribuir culpa ou responsabilidade".
Ainda assim, há muito em jogo. Mais de mundo
Para a Boeing, empresa já abalada por anos de escândalos de segurança, está em questão a integridade de um de seus produtos premium: o 787 Dreamliner, aeronave que até então tinha um histórico de segurança impecável. A Air India, companhia aérea deficitária pertencente ao grupo Tata, dificilmente pode se dar ao luxo de ver a sua marca manchada. Já as famílias das vítimas querem saber o que realmente aconteceu com seus parentes.
As conclusões finais da investigação ainda não foram publicadas, embora mais detalhes possam surgir nos próximos dias. Mas o caso já gerou intensa controvérsia e expôs questões mais profundas sobre a forma como são conduzidas as investigações de grandes acidentes aéreos. Afinal, é possível confiar que autoridades nacionais conduzam investigações que, segundo críticos, estão sujeitas à percepção de pressão política e influência corporativa?
A reação à investigação
Em tese, a investigação deveria ser imparcial e informativa, um processo de descoberta voltado exclusivamente a melhorar a segurança dos passageiros. Mas, no caso do voo AI171, as informações reveladas até agora provocaram forte reação de defensores da segurança aérea, grupos de pilotos e advogados que representam familiares das vítimas.
Um fator central foi o relatório preliminar divulgado pela AAIB um mês após o acidente. O documento de 15 páginas não chegou a conclusões sobre as causas da queda nem fez recomendações.
Ainda assim, dois parágrafos curtos geraram grande controvérsia.
Primeiro, o relatório observou que, segundo o gravador de dados de voo da aeronave, os dois interruptores de corte de combustível, normalmente usados para acionar os motores antes de um voo e desligá-los depois, passaram da posição de funcionamento para a posição de corte segundos após a decolagem. Isso teria privado os motores de combustível, fazendo-os perder potência rapidamente.

Teorias concorrentes

Controvérsia e ceticismo

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