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Ler matéria →História de novela: PlayStation nasceu da traição da Nintendo à Sony Por Diego Corumba
• Editado por Jones Oliveira | Os anos 1980 foram muito importantes para toda a indústria gaming, seja pelo surgimento de diversos gêneros de jogos e de estúdios— com muitos começando a ganhar destaque a partir desta época.
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Porém, uma fabricante se destacou das demais e deu início a uma nova era nos games: a Nintendo. Com o NES lançado em 1985, o Game Boy em 1989 e o Super Nintendo chegando no ano de 1990, seu reinado era absoluto dentro do mercado. Não apenas por jogos como Super Mario, The Legend of Zelda e Kirby, mas por finalmente popularizar o que víamos nos fliperamas dentro das nossas casas.
Um feito muito grande, diga-se de passagem. A SEGA se esforçava bastante para alcançá-la, muitas vezes até conseguindo abalar suas estruturas. O Mega Drive, por exemplo, gerou uma intensa guerra de consoles contra o SNES e foi responsável por manter a rivalidade (nada saudável) contra a gigantesca companhia.
Ainda que eles tivessem uma disputa acirrada, era a Big N quem ditava as regras. Todas as principais inovações no mercado partiam dela, com as demais acompanhando seus passos. Isso pode tê-los mantido na dianteira, mas há sempre um limite e eles alcançaram um ponto no qual precisavam de algo maior para seguir adiante. Leia também: 5 piores filmes de Christopher Nolan
E isso ela não poderia fazer sozinha. Enquanto isso, a Sony sempre foi uma gigante no mercado de áudio e vídeo, com vários dispositivos para alimentar os consumidores que desejavam ver filmes ou ouvir suas músicas com qualidade. Nos anos 1980, ela já tinha tradição e um vasto legado (a companhia foi fundada no Japão em 1946, para ter uma ideia), algo que causava uma boa impressão em toda a indústria.
Tanto a Nintendo quanto a Sony já exerciam grande domínio em suas próprias áreas. Porém, elas queriam evoluir e, juntas, tinham mais chances de criar algo único. E formou-se uma parceria traiçoeira, responsável por mudar para sempre toda a indústria gaming e mover cada uma para uma direção bem diferente daquela que uniu as duas.
Parceria entre Nintendo e Sony O elemento-chave para dar o primeiro passo nesta parceria entre as duas companhias foi Ken Kutaragi, um engenheiro da Sony que ajudou a desenvolver o chip de som utilizado no Super Nintendo. A produção do SPC700 aproximou-as, levando à um time de desenvolvimento que buscava novas soluções de mercado para que ambas crescessem.
O próprio Kutaragi estava à frente disso, com sua grande expertise e ideias para um próximo passo. É importante levar em consideração que ele fazia parte do time que criou os displays LCDs e as câmeras digitais— que revolucionaram o mercado e se tornaram produtos de grande sucesso em suas respectivas áreas. O nome era o certo, mas os executivos da Sony continuavam temerosos sobre uma parceria mais profunda com a Nintendo.
Lembra daquele antigo pensamento de que “videogame são brinquedos”? Era exatamente esta a linha de pensamento daquela época e se tinha algo que a companhia não queria se envolver muito era neste nicho. Mesmo com esta influência, isso não impediu Ken Kutaragi e a Nintendo de continuarem trabalhando juntas para inovar a indústria gaming. Mais de tecnologia
E depois de reuniões, projetos descartados e muita deliberação, surgiu em 1988 a ideia que mudaria a história das duas para todo o sempre: O SNES-CD. Ele seria um Super Nintendo capaz de rodar seus cartuchos, mas chegaria ao mercado acompanhado de um leitor de disco— o que permitiria a reprodução de jogos produzidos para este formato, algo que a Sony via com bons olhos (já que ela que produzia as mídias).
Porém, isso também desbloquearia muitas melhorias para o console lançado pouco tempo depois. Podemos resumir algumas delas como um espaço maior de armazenamento, possibilidade do SNES-CD rodar cenas em vídeo (Full-Motion Video, também conhecidas como as famosas cutscenes) e um áudio de maior qualidade para os games. Isso sem falar na possibilidade de utilizar o console para reproduzir outras mídias, como CDs de música.
Ainda que a Nintendo tenha aprovado que o projeto seguisse em frente, eles estavam muito céticos sobre o desempenho que ele teria. A maior preocupação era sobre o tempo de carregamento mais lento que os CDs teriam, em comparação ao que já viam nos cartuchos— considerada uma mídia mais confiável pela companhia. Não é à toa que eles sequer esperaram a sua conclusão para disponibilizar o SNES no mercado. Leia também: 4 formas de bloquear chamadas e SMS de golpes no Android de forma eficiente
Outro grande problema que elas enfrentaram neste relacionamento é que a Sony queria o controle completo do formato “Super Disc” e do licenciamento de software. Isso sem contar que todo conteúdo de música e vídeo para a plataforma teriam de ser produzidos exclusivamente por eles (o que impediria acordos comerciais com outras grandes produtoras e estúdios). Seria como se a Nintendo entregasse, de mãos beijadas, todos os direitos de jogos de Mario, The Legend of Zelda, F-Zero e outros que fossem produzidos para o CD para a sua “parceira”.
Quem conhece a Big N sabe que isso não era sequer cogitado pela sua “alta cúpula”. Inclusive, relatos apontam que o presidente da companhia na época— Hiroshi Yamauchi— achava que os termos eram inaceitáveis.
Traição em público: o dia que mudou a indústria E assim, caros leitores, o palco para o clímax dessa novela japonesa estava completamente armado. Sony, que não queria nem entrar no mercado de games, estava “emocionada” demais com os seus termos. Já a Nintendo, que seria a maior interessada, não concordava com a posição da sua colega sobre o que ficaria nas mãos de cada uma.
Assim, chegamos na Consumer Electronics Show (CES) em 1991. Entre a chegada dos primeiros computadores com CD-ROM e a entrada de companhias como Toshiba e Compaq no mercado de notebooks, vimos a Sony subir ao palco para apresentar o seu Play Station. No console multimídia, você poderia jogar, ouvir músicas, ver vídeos e fazer outras atividades, ressaltando a participação da Nintendo no projeto.
Seria um anúncio maravilhoso se a Nintendo, no dia seguinte, não tivesse realizado a maior traição de toda a história dos videogames. Após a revelação da Sony, eles subiram no palco da CES 1991 para anunciar a sua parceria com a Philips para produzir um console com leitor de CD (o infame CD-I). Ou seja, eles abandonaram a Sony
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