A criação do Ministério da Segurança Pública é dessas ideias recorrentes na política brasileira como solução mágica para problemas complexos, mas ao menos não é tão radical e temerária quanto a convocação de uma nova Assembleia Constituinte ou a mudança do sistema de governo.
O maior risco da proposta, que voltou à tona com a saída de Ricardo Lewandowski da Justiça, seria ela se mostrar inócua.
Não seria a primeira vez.
O tal ministério chegou a ser instituído em 2018, sob Michel Temer (MDB), mas não sobreviveu à troca de presidente no ano seguinte.
Poucos parecem se lembrar disso —e por boas razões.
A tradicional pasta ora em troca de comando já se chama, não por acaso, da Justiça e Segurança Pública.
A segunda parte do nome respondeu por mais de 90% de seus gastos de R$ 22,3 bilhões no ano passado.
Sua estrutura abriga a Polícia Federal (R$ 10,2 bilhões em 2025), a Polícia Rodoviária Federal (R$ 6,8 bilhões), o Fundo Nacional de Segurança Pública (R$ 3,4 bilhões), o Fundo Penitenciário Nacional (R$ 0,9 bilhão) e o Fundo Nacional Antidrogas (R$ 0,2 bilhão).

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Os defensores do desmembramento do ministério argumentam que hoje seu titular precisa dividir a atenção com outros temas, como direitos do consumidor, defesa da concorrência, proteção de dados e acesso à Justiça, entre outros.
Aponta-se ainda o aspecto simbólico de demonstrar prioridade à segurança pública, setor que cresce entre as maiores preocupações da sociedade.
São argumentos questionáveis, dado que todas essas áreas já contam com secretarias e repartições especializadas.
Nada impede, formalmente, que se nomeie um ministro mais dedicado à segurança e que ele delegue outras responsabilidades a um segundo escalão qualificado.
Os reais obstáculos são políticos e programáticos.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou de 23 para 38 o número de pastas na Esplanada brasiliense, mas ainda não se animou a criar a da Segurança, prometida na campanha eleitoral —opção mantida nesta terça-feira (13) com a escolha de Welington Lima e Silva para o lugar de Lewandowski.
O assunto nunca figurou entre as principais pautas da esquerda, que ademais evita correr o risco eleitoral de defender teses meritórias como a descriminalização de drogas leves.
Teme-se ainda, com razão, que propostas do Planalto sejam desvirtuadas pelo populismo de direita influente no Congresso, cujo ideário não vai muito além de elevar penas e favorecer a brutalidade policial.
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Será desafio para qualquer governo, qualquer que seja o nome do ministério encarregado, livrar o debate de disputas ideológicas e buscar um consenso mínimo em torno de um programa crível que una esforços federais e estaduais.
O avanço alarmante do crime organizado não permite que a agenda se limite a uma providência cosmética.
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com.
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Agradeço a Lewandowski pelo excelente trabalho e dedicação na condução do MJSP, diz Lula no X O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) agradeceu nesta terça-feira, 13, pelo X, o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, pelo período em que ficou na pasta.
Nesta terça-feira, 13, o Palácio do Planalto confirmou a indicação de Wellington César Lima e Silva para comandar a pasta.
"Agradeço ao ex-ministro Ricardo Lewandowski pelo excelente trabalho e toda a sua dedicação na condução do Ministério da Justiça e Segurança Pública", disse Lula no X.

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A indicação de Wellington César foi confirmada após reunião dele com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e com o então ministro interino, Manoel Carlos de Almeida Neto.
A nomeação de Wellington César vai ser publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) ainda nesta terça.
Por atuar na Petrobras, Wellington César fica no Rio de Janeiro.
Foi chamado a Brasília para conversar com o presidente nesta terça e receber o convite para assumir a pasta deixada por Ricardo Lewandowski, na última sexta-feira, 9.
Segundo a nota, Wellington César ocupará a chefia do Ministério da Justiça e Segurança