Ancelotti garante Danilo, do Flamengo, na Copa: "Estará na lista final porque gosto dele"

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O primeiro convocado para a Copa do Mundo de 2026 da seleção brasileira está anunciado, e Carlo Ancelotti foi objetivo ao dizer que fatores além do campo garantem Danilo em seu terceiro Mundial. Lateral-direito com Tite em 2018 e 2022, o jogador do Flamengo chegará ao torneio em EUA, Canadá e México não somente como um coringa da zaga, mas como um elo entre gerações para ajudar a conter os impactos de um Brasil que busca o hexa para tentar evitar o maior jejum de títulos da história.

Com uma relação de confiança de longa data, Ancelotti vê em Danilo a figura de um líder com voz ativa em todo o ciclo, influência nos mais jovens e versatilidade para resolver urgências em campo que outros tantos testados não o convenceram de que mereciam mais.

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– Danilo é um jogador muito importante, não só em campo, mas também fora. Danilo é seguro de que estará na lista final de 26, porque eu gosto dele. Como caráter, personalidade, como jogo. Pode jogar em todas as posições atrás. Entre os nove defensores, vai estar o Danilo – disse o treinador.

Danilo com a bola no treino da seleção brasileira — Foto: Leo Sguaçabia

O ge foi atrás destes bastidores e destrincha os motivos que justificam a convicção de Carleto no jogador:

Versatilidade

Antes de qualquer situação, Carlo Ancelotti acredita que Danilo é útil pelo que apresenta em campo. Seja pela experiência, seja, principalmente, pela versatilidade. Logo na primeira vez que convocou o jogador do Flamengo, o treinador reforçou que entende que ele pode desempenhar qualquer função na linha defensiva: zagueiro pelos dois lados, lateral-direito e até lateral-esquerdo. O período na Europa foi mais do que suficiente para o italiano atestar a capacidade técnica e tática do defensor de 34 anos.

E é justamente esse conhecimento que faz com que Carleto em muitos momentos sequer faça questão de escalar o atleta, como na partida contra a Croácia, nesta terça, em Orlando. Convicto da capacidade de Danilo, Ancelotti prefere observar alternativas, como Ibañez, às vésperas da lista final da Copa do Mundo. Para estar no Mundial, basta Danilo estar saudável, e a comissão técnica da Seleção entende que há números que comprovam isso pelo Flamengo.

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Danilo disputou 36 partidas em 2025, marcou cinco gols e deu duas assistências. Neste ano, foram cinco partidas, sem que seja titular por escolhas de Filipe Luís e Leonardo Jardim, não por questões físicas. A situação, por sinal, também é tratada com naturalidade nos bastidores da Seleção. O titular da posição no Flamengo é Léo Ortiz, que também foi observado de perto por Ancelotti, que entende que Danilo apresenta características como defensor que lhe agradam mais.

O comparativo é importante também para explicar a convicção do italiano. Não dá para dizer que Ancelotti não deu oportunidades para que a vaga destinada ao veterano fosse colocada em disputa. Entre laterais-direito e zagueiros, 15 nomes foram convocados, mas nenhum dos mais jovens o convenceu de que merecia levar a melhor na disputa. Na direita, por exemplo, Vitinho e Paulo Henrique ficaram para trás, enquanto Vanderson acabou perdendo espaço por consecutivas lesões.

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Regularidade

Carlo Ancelotti não é o único treinador a abraçar Danilo na Seleção. Todos os quatro treinadores que passaram ao longo do ciclo convocaram o defensor, que só não foi chamado nos momentos em que estava lesionado. Dos 34 jogos do Brasil desde a Copa de 2022, ele esteve à disposição em 24, entrou em campo em 18 e envergou a braçadeira de capitão dez vezes.

A história com a camisa da Seleção começou em 2011, com 67 partidas, um gol marcado e seis assistências. Danilo foi titular na lateral direita com Tite nas Copas de 2018 e 2022, e desempenhou a mesma função com Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior, até que Carleto abriu o leque para o perfil mais versátil do defensor nos últimos anos de Juventus e após a chegada no Flamengo.

Danilo em ação pela Seleção — Foto: Vitor Silva/CBF

Liderança e voz ativa

Danilo é uma das principais vozes da Seleção internamente desde o início do ciclo. Se o papel de capitão é dividido com Alisson, Marquinhos e Casemiro na ausência de Thiago Silva, não é exagero afirmar que o defensor foi quem mais deu a cara para bater no momentos de cobranças.

Ainda durante a gestão Ednaldo Rodrigues, o defensor saiu a público mais de uma vez para falar do que considerava condução errada e da falta de organização no ciclo projetando a Copa de 2026. Em outros momentos, assumiu as rédeas na condução de processos internos quando, no primeiro ano do ciclo, a CBF sequer tinha um diretor de seleções.

Internamente, a percepção é de que Danilo é uma liderança positiva pela postura e pelas ações, o que ganhou ainda mais relevância depois da chegada de Carlo Ancelotti. O treinador tem contato direto com o jogador mesmo fora dos períodos de convocações e chegou a pedir conselhos sobre a vida no Rio de Janeiro quando estava em vias de assinar contrato. A relação de cumplicidade vem de longa data.

Foi Carleto quem indicou Danilo ao Real Madrid no início de 2015 em negociação com desfecho curioso: o brasileiro, então no Porto, assinou com o clube espanhol na reta final da temporada 2014/2015, mas, quando se apresentou, já não era Ancelotti mais o treinador. Ainda assim, a dupla criou uma relação de respeito e confiança até que trabalhassem juntos pela primeira vez na Seleção.

O histórico de Danilo na Itália foi suficiente para que Ancelotti determinasse sua relevância nos bastidores. O brasileiro foi o primeiro capitão estrangeiro a erguer um troféu pela Juventus e recebe tratamento de ídolo no clube de Turim.

Experiência

O quarteto de jogadores que vai para a terceira Copa do Mundo é apontado como determinante para minimizar os impactos da renovação em massa que foi realizada quase de maneira obrigatória neste ciclo para 2026. Alisson, Casemiro, Marquinhos e Danilo formam o quadrado que tem papel interno de fazer com as novas gerações o que para muitos não existiu com geração deles, nascidos entre 1991 e 1994.

O diagnóstico é de que a ruptura da Copa de 2010 para a de 2014 acabou impedindo que jogadores mais experientes assumissem a responsabilidade e minimizassem as cobranças para talentos como Neymar, Oscar, Lucas Moura, o próprio Danilo, entre outros campeões do mundo sub-20 em 2011.

Ainda relevante dentro de campo, o quarteto tem clara a missão nos bastidores de fazer a passagem de bastão, estar aberto ao diálogo e apontar atalhos em um ambiente de cobrança excessiva como o da Seleção. Ancelotti entende que neste quadrado Danilo tem perfil comportamental único para dialogar com os mais jovens.