Unifor inaugura centro de tratamento e pesquisa de doenças raras
Centro de Doenças Raras é inaugurado na UNIFOR
A Fundação Edson Queiroz inaugurou o Centro de Neurodesenvolvimento em Doenças Raras (CEND), na Universidade de Fortaleza (Unifor), na quinta-feira (5). Instalado no Núcleo de Atenção Médica Integrada (NAMI), o centro é voltado para o atendimento de crianças de até seis anos.
O espaço reúne pesquisa, diagnóstico e assistência no mesmo local. A proposta é integrar desde a pesquisa em laboratório até o atendimento clínico, além de terapias e reabilitação.
A cerimônia de inauguração contou com a presença da presidente da Fundação Edson Queiroz, Lenise Queiroz Rocha, e do médico neurocientista Miguel Nicolelis, um dos principais especialistas do mundo em neuroengenharia.
Lenise destacou que o centro pode ampliar o acesso ao tratamento, principalmente para famílias que não conseguem arcar com os custos da rede privada de saúde.
Centro de Neurodesenvolvimento em Doenças Raras foi inaugurado na Universidade de Fortaleza (Unifor). — Foto: Kid Junior/SVM
Doenças raras
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma doença é considerada rara quando afeta até 65 pessoas a cada 100 mil habitantes. Quanto mais incomum a enfermidade, maiores costumam ser as dificuldades para chegar ao diagnóstico e ao tratamento.
Entre as histórias que mostram os desafios enfrentados por famílias de crianças com doenças raras está a do pequeno Gustavo. No ano passado, ele foi diagnosticado com glicosilação congênita tipo 2, uma condição rara que afeta o desenvolvimento do organismo.
Centro atenderá crianças de até 6 anos com doenças raras. — Foto: Kid Junior/SVM
Antes da descoberta da doença, a família viveu meses de angústia tentando entender a causa das crises convulsivas que o menino apresentava.
"É bastante difícil você conseguir o acesso. De toda forma, o Gustavo na época tinha plano de saúde, então a gente acabou conseguindo uma consulta rápida com a neuro, mas mesmo assim, por ser algo raro, ela não tinha conhecimento", disse a mãe, Thaissa Souza.
Felipe Queiroz e Paulinha Sampaio são pais de uma menina que nasceu com uma síndrome genética rara. Eles destacam a importância de terem recebido o diagnóstico ainda durante a gestação.
Paulinha Sampaio, mãe de uma criança com síndrome genética rara, disse que a criação do centro traz esperança para famílias que enfrentam dificuldades para conseguir diagnóstico e tratamento.
"Vinha sempre também uma angústia de pensar nas outras mães, nas outras famílias que não tinham o acesso que a gente tinha, que não tinham acesso a bons médicos, que não podiam fazer tratamentos continuados com seus filhos. Então, hoje estar aqui, não só como família, mas como uma mãe representando outras mães de crianças raras, é um presente muito grande, é um presente para a sociedade e eu tenho certeza que isso aqui vai transformar a vida de muitas famílias."
Funcionamento do CEND
Centro funciona no Núcleo de Atenção Médica Integrada (NAMI). — Foto: Kid Junior/SVM
O atendimento do Centro de Neurodesenvolvimento em Doenças Raras (CEND) será voltado para crianças de 0 a 6 anos. O acesso ocorrerá por meio de encaminhamentos e parcerias com instituições de saúde.
Um dos objetivos do centro é acelerar o diagnóstico de doenças raras e reduzir o tempo de espera das famílias por atendimento especializado. Atualmente, o espaço já atende cerca de 35 crianças com doenças raras e algum tipo de alteração no neurodesenvolvimento.
"A partir de agora, a ideia é expandir e beneficiar o maior número possível de crianças”, afirmou Eduardo Jucá.
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