UERR retoma aulas presenciais após normalizar pagamentos por serviços de limpeza terceirizados

Início do semestre 2026.1 ocorreu com aulas pela internet desde 20 de fevereiro e foi alvo de protestos dos alunos. Retorno ocorre após pagamentos a serviços terceirizados, segundo a universidade.


  • UERR anunciou o retorno das aulas presenciais no Campus Boa Vista para a próxima terça-feira (3).

  • Retomada ocorre após a normalização dos serviços de limpeza e reabertura do sistema Fiplan, segundo a instituição.

  • Início do semestre 2026.1 ocorreu com aulas pela internet desde 20 de fevereiro. Estudantes protestaram contra regime remoto.

  • Setor de limpeza é o centro de uma crise na UERR. Ex-reitor e empresários são alvos do MP por suspeita de desvio R$ 15 milhões em contratos terceirizados.

Campus Boa Vista da Universidade Estadual de Roraima. — Foto: UERR/Divulgação

A Universidade Estadual de Roraima (UERR) anunciou que as aulas presenciais no Campus Boa Vista serão retomadas na próxima terça-feira (3). O retorno, segundo a instituição, ocorre após a normalização dos serviços de limpeza do prédio, que permitiu o restabelecimento das condições de uso dos espaços.

Os alunos da universidade estavam acompanhando as aulas de forma remota desde o dia 20 de fevereiro. No dia 20 de fevereiro, estudantes fizeram um protesto em frente à sede administrativa da instituição. O ato era contra a decisão de iniciar o semestre letivo 2026.1 com aulas pela internet.

Em nota à imprensa, a universidade informou que a retomada só foi possível graças à reabertura do Sistema Integrado de Planejamento, Contabilidade e Finanças (Fiplan) e a um remanejamento no orçamento da instituição.

Alunos protestaram contra aulas remotas em frente a prédio da reitoria no dia 20 de fevereiro. — Foto: Nalu Cardoso/g1 RR

Segundo a Pró-Reitoria de Ensino e Graduação (Proeg), as coordenações de curso já foram notificadas para avisar os acadêmicos sobre o retorno. Os professores também estão sendo orientados a reorganizar o cronograma de disciplinas.

Crise institucional e investigação

O remanejamento orçamentário citado pela UERR para o retorno dos serviços de limpeza ocorre em meio a um embate recente com o governo de Roraima. Em fevereiro, a reitoria reclamou de "estagnação" no orçamento da universidade para custear contratos essenciais.

O Executivo estadual rebateu e revelou que, no dia 20 de fevereiro (mesmo dia em que as aulas presenciais foram suspensas), autorizou a liberação de R$ 4,8 milhões solicitados pela própria UERR. Desse total, R$ 4 milhões foram destinados justamente para pagar empresas terceirizadas.

O setor de serviços de limpeza e vigilância é o epicentro de uma crise institucional na universidade. O ex-reitor Regys Freitas é alvo de um pedido de prisão do Ministério Público, suspeito de liderar um esquema que teria desviado cerca de R$ 15 milhões em fraudes com uma empresa terceirizada.

Além do ex-reitor, foram denunciados os empresários Bruno Rheno Pinheiro e Silva e Shirley Ibiapino Cirqueira, sócios da empresa Ibiapino & Pinheiro Ltda.

Dados do Fiplan

O sistema Fiplan, mencionado pela UERR, também é peça-chave na investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Segundo o MP, dados financeiros da universidade registrados no Fiplan começaram a ser apagados em dezembro do ano passado, em uma tentativa do grupo investigado de destruir provas e ocultar o superfaturamento dos antigos contratos, segundo o MP.

Veja início de semestre com aulas remotas na UERR:

UERR alega falta de recursos para começar aulas

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