Tripulantes de navio africano que ficou à deriva são levados a UPA, em Fortaleza

Onze pessoas estavam à deriva no Oceano Atlântico quando foram resgatadas pela Marinha do Brasil. Navio chegou a Fortaleza no dia 27 de março.


  • A tripulação do navio africano, rebocado ao Porto de Fortaleza, foi atendida na UPA da Praia do Futuro.

  • O grupo passou quase dois meses à deriva no Oceano Atlântico até ser rebocado ao cais cearense pela Marinha do Brasil.

  • De acordo com a Polícia Federal, os tripulantes foram resgatados com condições mínimas de higiene e restrições no acesso à água potável.

Marinha resgata navio africano que estava à deriva há dois meses 

Marinha resgata navio africano que estava à deriva há dois meses 

A tripulação do navio africano, rebocado ao Porto de Fortaleza, foi atendida na UPA da Praia do Futuro nesta quinta-feira (2). O grupo passou quase dois meses à deriva no Oceano Atlântico até ser rebocado ao cais cearense pela Marinha do Brasil. Dos 11 resgatados, 6 receberam atendimento na unidade de saúde pela manhã, enquanto as outras 5 iriam passar por atendimento de tarde.

De acordo com a Polícia Federal, os tripulantes foram resgatados com condições mínimas de higiene, restrições no acesso à água potável, elevado nível de estresse psicológico e falta de comunicação com familiares.

Conforme apuração da TV Verdes, 9 dos 11 tripulantes são de Gana, país na costa ocidental da África. Os outros dois são da Europa, um dos Países Baixos e um da Albânia. Os resgatadas permanecem alojados no navio que estavam.

Por conta de problema hidráulico na embarcação, a comunicação com o comandante ficou inviável. Já não era possível a comunicação satelital e via rádio High Frequency (HF - comunicação de maior alcance e independente de satélite). A única forma de contato com o navio era por Very High Frequency (VHF), ou seja, sendo possível apenas receber informações de navios próximos.

Navio africano ficou quase dois meses à deriva — Foto: Divulgação/Marinha do Brasil

Até o momento, nenhum responsável legal pela embarcação se apresentou. A Polícia Federal atua na verificação da situação migratória dos tripulantes, bem como na adoção das medidas administrativas cabíveis, em articulação com a Marinha do Brasil e demais órgãos competentes, observando os preceitos humanitários e a legislação vigente.

O resgate

No dia 9 de março, o Navio-Patrulha Oceânico Araguari foi enviado para interceptar o navio africano, a fim de estabelecer comunicações, avaliar o estado da tripulação e, caso necessário, prestar apoio com suprimentos.

Ao mesmo tempo, o navio Corveta Caboclo saiu de Salvador (BA) e chegou em Fortaleza (CE) para também seguir em direção ao navio africano.

Alguns dias depois, o Navio Rebocador de Alto-Mar Triunfo desatracou do porto de Natal (RN), resgatou o navio estrageiro e o levou para o Porto de Fortaleza. O navio chegou na capital cearense dia 27 de março.

"As ações referentes às atividades de Busca e Salvamento desenvolvidas pela Marinha do Brasil resultaram no salvamento do navio, na manutenção da segurança da navegação e na prevenção da poluição hídrica. Porém, o êxito no cumprimento da missão reside na integridade física e psicológica dessas 11 vidas que poderão, em breve, voltar para os seus lares”, afirmou o Comandante do 3º Distrito Naval, Vice-Almirante Jorge José de Moraes Rulff.