Tenente-coronel acusado de matar esposa responderá a processo que pode levá-lo à expulsão da PM

Pasta da Segurança diz que oficial será submetido a Conselho de Justificação. Procedimento administrativo pode resultar na perda da patente e desligamento da corporação.


  • A Polícia Militar (PM) de São Paulo vai abrir um processo administrativo que pode resultar na perda da patente e na expulsão do tenente-coronel Geraldo Neto, de 53 anos, preso sob acusação de matar a esposa, a soldado Gisele Alves, de 32.

  • Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o oficial será submetido futuramente a um Conselho de Justificação, responsável por avaliar se ele tem condições de permanecer na corporação.

  • A abertura formal do Conselho de Justificação depende da conclusão do inquérito que investiga o tenente-coronel por suspeita de ter matado a soldado.

Os detalhes que transformaram o tenente-coronel em réu pelo feminicídio da PM Gisele Alves

Os detalhes que transformaram o tenente-coronel em réu pelo feminicídio da PM Gisele Alves

A Polícia Militar (PM) de São Paulo vai abrir um processo administrativo que pode resultar na perda da patente e na expulsão do tenente-coronel Geraldo Neto, de 53 anos, preso sob acusação de matar a esposa, a soldado Gisele Alves, de 32.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o oficial será submetido futuramente a um Conselho de Justificação, responsável por avaliar se ele tem condições de permanecer na corporação.

A informação foi confirmada nesta quinta-feira (26) pela pasta da Segurança. Por meio de nota, a SSP informou que o procedimento será proposto pela própria PM, mas ainda não há prazo definido para sua instauração.

A abertura formal do Conselho de Justificação depende da conclusão do inquérito que investiga o tenente-coronel por suspeita de ter matado a soldado. Apesar de ela ter sido a esposa dele, a questão envolve também a relação hierárquica entre os dois estarem atrelados à PM.

O relatório final do caso, que será feito pela Corregedoria da Polícia Militar, será encaminhado ao Comando-Geral da corporação para se manifestar. Só após isso é que Neto irá responder ao processo no Conselho de Justificação.

O que diz a pasta da Segurança

O tenente-coronel Geraldo Neto e a esposa, a PM Gisele Alves Santana. — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou:

“A Polícia Militar do Estado de São Paulo informa que o oficial citado permanece preso preventivamente por decisão judicial, após representação da Corregedoria. O Inquérito Policial Militar (IPM) que apura o caso está em fase final. Assim que for concluído e remetido ao Judiciário, o Comando-Geral avaliará os autos para a instauração de Conselho de Justificação.

O procedimento administrativo é independente da esfera penal e pode resultar na perda do posto e da patente, com o desligamento do oficial dos quadros da instituição. A Polícia Militar reafirma seu compromisso com a legalidade, a disciplina e a preservação dos valores que regem a atividade policial militar.”

O que é o Conselho de Justificação

A PM Gisele Santana e o marido Geraldo Leite Rosa Neto, tenente-coronal da Polícia Militar. — Foto: Reprodução/TV Globo

O Conselho de Justificação é um processo disciplinar aplicado a oficiais e pode levar à perda do posto, da patente e, consequentemente, resultar na expulsão. No julgamento, são analisados aspectos morais, éticos e profissionais do militar, que também tem direito a apresentar defesa.

O g1 procurou a defesa de Neto para comentar o assunto e aguarda o seu posicionamento. Em outras ocasiões, seus advogados sempre sustentaram que o cliente é inocente das acusações, e que o caso é de suicídio e não, feminícidio.

Caso da PM Gisele

Corregedoria prende tenente-coronel da PM acusado de matar esposa e simular suicídio

Corregedoria prende tenente-coronel da PM acusado de matar esposa e simular suicídio

O caso da PM Gisele ganhou novos rumos ao longo das investigações da Polícia Civil e da Corregedoria da PM. Inicialmente tratado como suicídio, passou a ser apurado como morte suspeita e, posteriormente, como feminicídio, diante de inconsistências no relato do oficial e de indícios encontrados no apartamento do casal, no Brás, região central de São Paulo.

Gisele morreu após ser atingida por um tiro na cabeça dentro da residência, no dia 18 de fevereiro. Na ocasião, o marido afirmou ter encontrado a vítima caída no quarto e alegou que ela havia se matado com a arma dele. O motivo, segundo Neto, seria o fato de ele ter pedido o divórcio.

Uma exumação do corpo, realizada por determinação da Justiça, apontou lesões no pescoço e no rosto da policial, com marcas compatíveis com dedos e unhas. Os resultados dos laudos e as imagens das gravações das câmeras corporais dos policiais militares que atenderam a ocorrência colocaram a versão de suicídio em xeque.

Desde então, o 8º Distrito Policial (DP), no Brás, passou a investigar o caso como assassinato. Para os policiais, Neto matou Gisele porque era ela que queria se separar do marido, e não ele. Conversas de WhatsApp entre o casal reforçaram essa conclusão.

A pedido da investigação e do Ministério Público (MP), a Justiça decretou a prisão preventiva do tenente-coronel. Ele foi preso em 18 de março, e se tornou réu por feminicídio (assassinato de mulher por razões de gênero, como violência doméstica ou familiar, ou menosprezo à condição feminina), responde por fraude processual (por supostamente manipular a cena do crime para simular suicídio).

O processo administrativo sobre a conduta do oficial pode avançar paralelamente ao criminal e resultar na exclusão definitiva do oficial da Polícia Militar.

Coronel Geraldo Neto (ao centro) é preso pela Corregedoria da PM por suspeita de matar a esposa, a soldado Gisele Alves — Foto: Reprodução/TV Globo

LEIA MAIS: