Tatiana Sampaio ganha homenagem com arte urbana em mural de grafiteiro em Uberlândia: 'A maior influenciadora desse país'
Cientista que desenvolveu a polilaminina, substância que pode ajudar pessoas com lesões na medula a recuperar movimentos, foi retratada em um mural em Uberlândia. O artista Dequete já homenageou outros famosos como Fernanda Torres e Wagner Moura.
-
A cientista Tatiana Sampaio é a mente por trás da polilaminina, uma substância inovadora para a recuperação de movimentos em lesões medulares.
-
A pesquisa da polilaminina, que já dura quase três décadas, busca recriar conexões neuronais para restaurar funções motoras.
-
Em testes experimentais, a substância permitiu que seis de oito pacientes com paralisia recuperassem movimentos, um deles voltando a andar.
-
O medicamento, 100% brasileiro, recebeu autorização da Anvisa para iniciar a fase 1 de estudos clínicos, avaliando sua segurança.
-
A palestra, parte da "Mostra Mulheres Extraordinárias", será transmitida ao vivo online para o público que não conseguiu vaga presencial.
Tatiana Sampaio é homenageada em Uberlândia — Foto: Redes sociais/reprodução
Uma imagem de Tatiana Sampaio, cientista que desenvolveu a polilaminina — substância que pode ajudar pessoas com lesões na medula a recuperar total ou parcialmente os movimentos do corpo — foi transformada em arte pelas mãos do grafiteiro Tiago Dequete. A homenagem estampa o muro de um prédio no bairro Martins, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro.
Nas redes sociais, o artista se referiu à Tatiana Sampaio como a “maior influenciadora deste país” ao anunciar a nova obra, que disse ser uma singela homenagem à pesquisadora que "está ajudando muita gente a ficar de pé". Nos comentários, internautas parabenizaram Dequete por dar visibilidade a Tatiana e, consequentemente, à ciência brasileira.
“Belíssima homenagem!!! Viva a ciência! Viva as mulheres! Viva a arte!”, comentou uma seguidora do artista.
A pintura fica na Rua Carmo Gifoni, número 322. Ao lado da figura de Tatiana, Dequete representou a pesquisa pioneira e 100% nacional com elementos como um frasco do medicamento e a estrutura da proteína laminina — em formato de cruz — que, ao se agrupar, dá origem à polilaminina. Entenda mais sobre quem é a Tatiana Sampaio e a pesquisa que ela lidera abaixo.
Os seguidores do artista parabenizaram Dequete pela homenagem à Tatiana Sampaio — Foto: Redes sociais/reprodução
Homenagem a personalidades brasileiras
Essa não é a primeira vez que Dequete homenageia personalidades brasileiras que levaram o nome do país a patamares mais altos, inclusive no cenário internacional.
Em janeiro, o ator Wagner Moura virou arte urbana no Beco do Planalto, espaço artístico a céu aberto, após vencer o Globo de Ouro na categoria de Melhor Ator.
Antes dele, outra artista brasileira que elevou o cinema nacional em premiações internacionais também foi retratada por Dequete: Fernanda Torres, que trouxe para o Brasil o Globo de Ouro de Melhor Atriz de Drama, em 2025, por seu papel em Ainda Estou Aqui.
Dequete é natural de Belo Horizonte, mas mora em Uberlândia desde 2013, cidade pela qual diz ser apaixonado. O artista colore a cidade com tons de verde, laranja e azul — combinação que se tornou sua marca registrada. Quem bate o olho em uma das obras espalhadas pela cidade logo reconhece: foi feita por Dequete.
A arte do grafiteiro não homenageia apenas celebridades ou pessoas de renome nacional. Dequete também retrata pessoas comuns e provoca reflexões sociais, espalhando arte de forma democrática por Uberlândia.
Pintura de Dequete em Uberlândia — Foto: Dequete/Divulgação
Quem é Tatiana Sampaio
Tatiana Coelho Sampaio é bióloga e chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. Desde 1997, a cientista estuda a polilaminina, uma versão derivada da laminina — proteína produzida naturalmente pelo corpo humano — desenvolvida em laboratório.
No início deste ano, o resultado de quase três décadas de pesquisa se transformou em um medicamento 100% brasileiro, autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a iniciar a fase 1 de estudos clínicos.
Antes do início dos testes com a polilaminina, pacientes estão acionando a Justiça em busca do tratamento — Foto: Reprodução/TV Globo
A pesquisa pioneira e 100% nacional
Tatiana Sampaio conseguiu produzir em laboratório a polilaminina, uma rede de proteínas que se torna mais escassa no organismo ao longo da vida.
O estudo extraiu proteínas de placentas e aplicou a polilaminina em oito pacientes paraplégicos e tetraplégicos. A substância teria sido capaz de recriar conexões entre neurônios no cérebro e o restante do corpo, devolvendo movimentos a seis pacientes. Um deles, que estava paralisado do ombro para baixo, voltou a andar sozinho.
A polilaminina é uma versão modificada da laminina, proteína produzida pelo corpo humano — Foto: Cristália/Via BBC
Agora, a polilaminina deixa o ambiente exclusivamente acadêmico e entra na primeira fase de testes para aprovação de um novo medicamento pela Anvisa. Nesta etapa inicial, as equipes vão avaliar a segurança do uso da substância, observando se ela provoca reações adversas.
Cinco pessoas com lesão completa da medula espinhal receberão uma única aplicação de polilaminina até 48 horas após o trauma. Segundo o protocolo, elas serão acompanhadas por seis meses. Caso não sejam registradas reações adversas graves, terão início as próximas fases do estudo clínico, que vão avaliar se a polilaminina é, de fato, eficaz para devolver movimentos ao corpo.
- UFU desenvolve teste rápido de Covid com saliva e IA e resultado pelo celular
- Pesquisadores da UFU buscam propriedades antivirais da saliva para prevenir contaminação pelo coronavírus
- Pesquisa de professor da UFU aponta características do solo ártico 'paradas no tempo' reveladas pelo aquecimento global