STJ retoma julgamento que pode reincluir ex-presidente da Vale entre réus por rompimento de barragem em Brumadinho

Decisão pode definir se Fábio Schvartsman será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri ou se continuará livre de ação penal. Restam os votos de dois dos cinco ministros da 6ª Turma do STJ.


  • O STJ deve retomar o julgamento de um recurso do MPF que pode reabrir a ação penal contra Fábio Schvartsman, ex-presidente da Vale, pela tragédia em Brumadinho.

  • O rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em 2019, causou 270 mortes e despejou rejeito de mineração no Rio Paraopeba.

  • Schvartsman tinha se tornado réu pelo caso em 2023, com mais 16 pessoas e duas empresas, mas um habeas corpus suspendeu a ação penal contra ele.

  • O entendimento foi de que não havia indícios suficientes da participação dele nos crimes investigados, mas o MPF recorreu.

  • O recurso do MPF solicita que o ex-presidente da Vale volte a ser incluído na lista de possíveis responsáveis pelo rompimento da barragem.

Fábio Schvartsman, ex-presidente da Vale — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) deve retomar nesta terça-feira (16) o julgamento de um recurso do Ministério Público Federal (MPF) que pode reabrir a ação penal contra Fábio Schvartsman, ex-presidente da Vale, pelo rompimento da barragem da mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG).

A tragédia de 2019 causou 270 mortes, sendo duas das vítimas grávidas, e despejou 12 milhões de metros cúbicos de rejeito de mineração no Rio Paraopeba, em comunidades e em instalações da mineradora.

Schvartsman tinha se tornado réu pelo caso em 2023, junto de outras 16 pessoas e duas empresas (Vale e Tüv Süd). Em março de 2024, uma decisão do TRF-6 concedeu habeas corpus e suspendeu a ação penal contra ele. O entendimento foi de que não havia indícios suficientes da participação dele nos crimes investigados, mas o MPF recorreu.

O recurso do MPF solicita que o ex-presidente da Vale volte a ser incluído na lista de possíveis responsáveis pelo rompimento da barragem. O executivo foi denunciado por homicídio qualificado e crimes ambientais. Os demais réus ainda serão julgados no TRF-6.

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Ministros do STJ pediram mais tempo de análise

A sessão para analisar o caso começou em setembro de 2025 na 6ª Turma do STJ. O ministro Sebastião Reis Júnior, relator do caso, chegou a apresentar voto para conceder em parte a solicitação do MPF. No entanto, o julgamento foi suspenso após o ministro Rogério Schietti pedir mais tempo para analisar o recurso.

Em dezembro, Schietti votou com o mesmo teor do voto do relator, favorável ao recurso. Mas um novo pedido de vista (mais tempo para análise do caso), dessa vez do ministro Antônio Saldanha, adiou novamente o julgamento. Agora, restam os votos de três dos cinco ministros que compõem a turma que analisa o caso.

O que está em jogo no julgamento

Há duas possibilidades no julgamento do recurso do MPF:

  1. Se o STJ acatar o pedido, a decisão do TRF-6 que excluiu Schvartsman da lista de réus será anulada e a ação penal contra o ex-presidente da Vale voltará a tramitar na Justiça Federal. Com isso, o processo seguirá para julgamento pelo Tribunal do Júri, responsável por decidir sobre culpa ou inocência do réu.
  2. Se o recurso for rejeitado, permanece válido o habeas corpus e Schvartsman ficará livre da acusação antes mesmo de enfrentar o júri.

Argumentos do MPF

O MPF sustenta que o TRF-6 ultrapassou sua competência ao avaliar de forma aprofundada as provas durante o julgamento do habeas corpus.

Para o órgão, essa análise caberia apenas ao juiz natural do caso e, posteriormente, ao Tribunal do Júri — e não deveria ser feita na análise da concessão de um habeas corpus.

Segundo a acusação, havia indícios suficientes para manter Schvartsman como réu, como já havia sido decidido em primeira instância.

Linha do tempo do processo

O que dizem os envolvidos

O g1 não conseguiu contato com a defesa do ex-presidente da Vale até a última atualização desta reportagem.

Em janeiro, quando a tragédia completou 7 anos, a Vale afirmou que não comenta ações judiciais em andamento.

Em nota, a Tüv Süd afirmou que "não tem responsabilidade legal pelo rompimento da barragem".

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) cobra responsabilização criminal e reparação integral às vítimas e comunidades afetadas. O grupo afirma que acompanhará o julgamento e pede celeridade ao Judiciário.