A maioria da tripulação do navio africano rebocado ao Porto de Fortaleza não pode circular pela cidade e segue dentro da embarcação, nesta sexta-feira (3) - feriado nacional da Paixão de Cristo. Isso acontece porque, das 11 pessoas resgatadas, 9 ganenses não possuem visto e, por isso, só podem transitar por território brasileiro na companhia de uma autoridade.

Os outros dois tripulantes, europeus, têm visto para andar no Brasil. O holandês está hospedado em um hotel, com recursos próprios. Enquanto o albanês continua no navio, junto dos africanos, apurou a TV Verdes Mares.

➡️ O grupo passou quase dois meses à deriva no Oceano Atlântico até ser rebocado ao cais cearense pela Marinha do Brasil. Na última quinta-feira (2), eles receberam atendimento médico na UPA da Praia do Futuro.

De acordo com a Polícia Federal, os tripulantes foram resgatados com condições mínimas de higiene, restrições no acesso à água potável, elevado nível de estresse psicológico e falta de comunicação com familiares.

Sem visto, os africanos precisam de uma concessão de desembarque condicional, segundo a Polícia Federal (PF). Entretanto, o órgão aguarda um oficio da Secretaria dos Direitos Humanos do Ceará.

A Secretaria informou à TV Verdes Mares que acompanhou o atendimento dos tripulantes na UPA até 19h da última quinta-feira (2), sendo feito um atendimento clínico completo. Em seguida, eles receberam cestas básicas para se alimentarem durante o feriadão.

Tripulantes foram atendidos em UPA. — Foto: Reprodução/TV Verdes Mares

A Política Estadual para Migrantes e Refugiados, ligada à Secretaria dos Direitos Humanos do Ceará, participa do acolhimento aos tripulantes do navio africano no Ceará. De acordo com a coordenadora do órgão, Jamina Teles, eles foram encontrados com problemas de saúde.

"Homens hipertensos que estavam há mais de 40 dias sem a medicação, com problemas também de diabetes e outras patologias. Desde o momento que fomos acionados, a gente já está cuidando em dar essa manutenção com alimentação, no âmbito da saúde com a medicação, também no atendimento nas questões burocráticas migratórias", informou Teles.

Segundo ela, a Política Estadual para Migrantes e Refugiados atua junto da Polícia Federal para resolver problemas burocráticos dos tripulantes, que incluem a falta de visto para os ganenses.

Navio africano ficou quase dois meses à deriva — Foto: Divulgação/Marinha do Brasil

Embarcação ficou à deriva

O navio teve um problema hidráulico, e a tripulação encontrou dificuldades para se comunicar. Já não era possível a comunicação satelital e via rádio High Frequency (HF - comunicação de maior alcance e independente de satélite).

A única forma de contato com o navio era por Very High Frequency (VHF) - ou seja, era possível apenas receber informações de navios próximos. A embarcação passou mais de 50 dias em alto-mar.

O resgate do navio

No dia 9 de março, o Navio-Patrulha Oceânico Araguari, da Marinha do Brasil, foi enviado para interceptar o navio africano, a fim de estabelecer comunicações, avaliar o estado da tripulação e, caso necessário, prestar apoio com suprimentos.

Ao mesmo tempo, o navio Corveta Caboclo saiu de Salvador (BA) e chegou em Fortaleza (CE) para também encontrar o navio africano.

Alguns dias depois, o Navio Rebocador de Alto-Mar Triunfo desatracou do porto de Natal (RN), resgatou o navio estrageiro e o levou para o Porto de Fortaleza. O navio chegou na capital cearense dia 27 de março.

"As ações referentes às atividades de Busca e Salvamento desenvolvidas pela Marinha do Brasil resultaram no salvamento do navio, na manutenção da segurança da navegação e na prevenção da poluição hídrica. Porém, o êxito no cumprimento da missão reside na integridade física e psicológica dessas 11 vidas que poderão, em breve, voltar para os seus lares”, afirmou o Comandante do 3º Distrito Naval, Vice-Almirante Jorge José de Moraes Rulff.

Desde então, a Polícia Federal atua na verificação da situação migratória dos tripulantes, bem como na adoção das medidas administrativas cabíveis, em articulação com a Marinha do Brasil e demais órgãos competentes, observando os preceitos humanitários e a legislação vigente.

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