A produção, que se passa na capital pernambucana, disputa quatro premiações no Oscar 2026.


Tecnologia transforma a cidade de Recife em personagem no filme O Agente Secreto

Tecnologia transforma a cidade de Recife em personagem no filme O Agente Secreto

Falta pouco para a festa do Oscar e expectativa é grande no Recife. Em "O Agente Secreto", a tecnologia transformou a cidade em personagem.

No Recife, o tubarão saiu da vida real e foi parar na tela do cinema, em uma das cenas do filme "O Agente Secreto".

Depois das gravações, a réplica do tubarão-tigre foi doada para uma universidade federal. Virou atração.

"Quando ele foi liberado para ser exposto, aí todo mundo no laboratório queria ver, queria tirar foto, foi um 'auê' aqui, foi muito bacana", diz Mari Rêgo, pesquisadora e coordenadora do NEA / UFRPE

"O Agente Secreto" é ambientado no Recife. Diversos pontos da cidade serviram de locação.

O Parque Treze de Maio, o Ginásio Pernambucano e o Cinema São Luiz, onde a atriz Mariza Moreira gravou uma participação no filme.

"Eu olhava o meu sapato, eu olhava aquele cigarro, as vitrines, os carros, e eu me lembrava, misturava memória com o que eu estava vendo ali agora, né", comenta Mariza Moreira, atriz.

Para o diretor Kleber Mendonça Filho, a cidade onde nasceu é universal.

"O Recife está no Oscar da mesma maneira que durante tantos anos, eu vi filmes franceses, americanos. Eu vi Paris, Nova York, Los Angeles, e, dessa vez, a gente tem um filme feito em Recife, Pernambuco, que está sendo visto no mundo inteiro", destaca Kleber Mendonça Filho, diretor de "O Agente Secreto".

O Recife, mais que cenário, também é personagem de "O Agente Secreto". Boa parte das cenas do filme - indicado ao Oscar em quatro categorias - foi filmada lá. Mas, para contar uma história que se passa no final da década de 1970, vários pontos da cidade precisaram entrar no túnel do tempo com a ajuda da tecnologia.

Os letreiros nos prédios, o chão da ponte, o ônibus... a equipe de VFX ou efeitos visuais reconstituiu tudo digitalmente.

"Boa parte disso foi feito com pesquisas iconográficas, de foto e de vídeo. Eu organizava esse material e enviava diretamente para a casa de VFX, e lá eles tinham uma base suficiente para construir cenários virtuais, para acrescentar placas antigas", explica André Pinto, supervisor de efeitos visuais no set.

Voltar ao passado abriu as janelas do mundo para o Recife. É o futuro do cinema que, por Recife, já chegou.

"Que bacana 'O Agente Secreto' dar essa visibilidade a uma cidade e mostrar que o cinema não é preciso ser feito apenas nos grandes centros. As pessoas perguntam muito 'ah, você acha que vai ganhar o Oscar?'. Olha, para mim já ganhou! O prêmio já está aí, é esse reconhecimento que o filme tem", diz Alexandre Figueiroa, crítico e professor de cinema.

Tecnologia transforma a cidade de Recife em personagem no filme O Agente Secreto — Foto: Reprodução/TV Globo