'Mustazafin', nome dado aos jovens de classes baixas do Irã, formaram a base da Guarda Revoluionária, que hoje protege a ditadura que oprime a população do país — Foto: Reprodução / Fantástico

Para entender quem sustenta o regime iraniano até hoje, é preciso voltar à Revolução Islâmica de 1979. Foi naquele momento que milhares de jovens de origem pobre passaram a integrar a base do novo poder que surgia em Teerã.

Eles eram chamados de “Mustazafin”, ou “oprimidos”. O termo era usado pelo aiatolá Khomeini para mobilizar as classes mais baixas em nome da revolução religiosa que derrubou a monarquia.

Veja na reportagem abaixo do Fantástico.

O raio-x da Guarda Revolucionária que sustenta o regime autoritário dos aiatolás

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Esses jovens ajudaram a formar a Guarda Revolucionária, criada para proteger o novo regime. A missão era clara: defender a República Islâmica contra inimigos internos e externos.

Com o tempo, essa estrutura se expandiu. Sob o comando da Guarda, surgiu também a milícia Basij, uma força que hoje teria quase dois milhões de integrantes.

O Fantástico mostra que muitos desses jovens eram atraídos por discurso religioso, sentimento de pertencimento e promessa de reconhecimento social. A lealdade ao líder supremo e ao sistema político se tornou um dos pilares do grupo.

Um ex-integrante ouvido na reportagem conta que entrou para esse sistema ainda adolescente. Segundo ele, os recrutas passam por forte doutrinação ideológica e aprendem a obedecer sem questionar.

'Mustazafin', nome dado aos jovens de classes baixas do Irã, formaram a base da Guarda Revoluionária, que hoje protege a ditadura que oprime a população do país — Foto: Reprodução / Fantástico

Hoje, a Guarda Revolucionária atua como exército de elite, serviço de inteligência e força de repressão interna. Já a Basij é frequentemente associada à vigilância da população e à contenção de protestos.

A morte da estudante Mahsa Amini, em 2022, após ser presa pela polícia moral, desencadeou manifestações em várias cidades. A resposta do regime foi dura, com repressão nas ruas e milhares de detenções.

Para especialistas ouvidos na reportagem, essa base formada lá atrás, pelos “oprimidos” da revolução, se transformou na espinha dorsal do sistema. É ela que ajuda a manter de pé uma estrutura que não admite contestação e reage com força a qualquer ameaça ao poder.

Nos últimos meses, há a um cenário de instabilidade interna e de ameaça externa. O regime pode ser alvo por um fenômeno que deu origem a ele: a fúria popular. A verdadeira bomba relógio pode estar dentro do próprio país, com uma população que voltou às ruas e enfrenta repressão.

Veja mais nas reportagens do Fantástico, no vídeo acima e abaixo.

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