Poemas originais esquecidos por Paulo Leminski em avião são devolvidos 44 anos depois: 'Tem uma poesia nessa história'
Envelope com papéis foi esquecido em um voo entre Curitiba e São Paulo. Na época, gerente da companhia tentou procurar o dono, mas não obteve sucesso. Mais de 40 anos depois, contou com ajuda da filha para devolver o material para a família do poeta curitibano.
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Há mais de 40 anos, Paulo Leminski esqueceu um envelope em um avião.
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A equipe entregou o item ao gerente da companhia aérea, Ernani Edson de Paula, que tentou localizar o dono do envelope. Sem sucesso, ele guardou o objeto em uma caixa.
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Mais de 40 anos depois, enquanto mexia nas lembranças com a filha, o homem reencontrou o envelope.
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Com a ajuda da filha e de um amigo, Ernani conseguiu localizar a família do escritor e devolveu os poemas originais.
Envelope que Paulo Leminski esqueceu em voo há 44 anos é entregue à família do poeta, com poemas e anotações
Um envelope que levou 44 anos para ser entregue revela, agora, novos fragmentos de criação de um dos principais nomes da literatura paranaense: Paulo Leminski.
A jornada começou quando o agora aposentado Ernani Edson de Paula trabalhava como gerente de uma companhia aérea. A equipe entregou a ele um envelope esquecido no avião por um passageiro em uma viagem entre Curitiba e São Paulo.
"Tentamos diversos contatos com eles, familiares e amigos, etc... Mas não conseguimos absolutamente nada, sem sucesso. Aí simplesmente foi arquivado", detalha.
Poemas estavam em envelope esquecido por Leminski em avião — Foto: RPC
Sem sucesso na busca, Ernani guardou o achado em uma caixa, e lá o material ficou esquecido. Mais de 40 anos depois, enquanto mexia nas lembranças com a filha, o homem reencontrou o envelope.
Com a surpresa, Ernani confiou à filha Caroline de Paula a tarefa de devolver a carta aos donos.
"Eu falei, 'nossa pai, isso aqui é um tesouro! Pode ter coisas aqui que o mundo não conhece!''", relembra a filha.
E de fato tinha. Dentro do envelope, Caroline encontrou 12 folhas. Nelas, tinham alguns poemas escritos à mão, outros datilografados. Havia também um recorte de jornal com uma coluna assinada pelo poeta. Juntos, os materiais revelam o processo de estudos do escritor curitibano, morto em 1989.
O reencontro
Para encontrar a família de Leminski, Caroline procurou o amigo e jornalista Célio Martins, que admite ter ficado espantado com o achado.
"Ela tirou a mochila das costas, abriu, tirou o envelope e disse: 'Eu tenho isso!'. Eu abri o envelope na mesa e falei [enquanto colocava a mão na boca]: 'Você está brincando?''", conta.
Carol contou com a ajuda do amigo e jornalista Célio Martins para localizar a família do poeta curitibano — Foto: RPC
Para confirmar que os originais eram do escritor curitibano, Célio procurou a família de Leminski. A partir do momento em que as filhas viram os materiais, qualquer resquício de dúvida se dissipou.
"A caligrafia realmente é dele, o estilo, as palavras escolhidas, a métrica, tudo leva a gente a ter certeza absoluta de que esse material era dele", afirma Áurea Leminski, filha do escritor.
Para Célio, a história, desde o começo, é também literatura.
"É um momento sublime, muito importante para a cultura brasileira. Eu considero assim. Esquecer nas alturas, nas estrelas, nas nuvens, o Leminski... Tem uma poesia aí nessa história", brinca.
Envelope foi devolvido para a família Ruiz-Leminski em cerimônia realizada em Curitiba — Foto: RPC
Áurea classifica o reencontro como mais um novo contato do pai. A família já catalogou mais de 30 mil documentos escritos por ele e, mesmo após 36 anos da morte do escritor, os familiares continuam recebendo materiais inéditos, em uma produção artística que parece não ter fim.
"Essa história é muito linda e muito interessante. A gente tem a impressão de que ele está aqui querendo conversar com a gente, contar mais coisas, conectar mais pessoas e fazer com que esse pensamento todo dele continue tão vivo como sempre foi", afirma Áurea.
Depois de a carta finalmente chegar ao destino pretendido, parte do material está em uma exposição na Biblioteca Pública do Paraná. Na quarta-feira (18), uma cerimônia marcou a entrega oficial do envelope para a família Ruiz-Leminski.
"Depois de 44 anos, eu considero isso aí missão cumprida", comemora Ernani.
Curitibano Paulo Leminski (1944-1989) é considerado um poeta pop — Foto: DICO KREMER
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