Plano de Saneamento de Piracicaba prevê R$ 1,85 bilhão em 30 anos; 59% vão para abastecimento e 1% para resíduos
Documento justifica o menor investimento no setor de resíduos por conta de o serviço ser concedido à iniciativa privada. Valor chega a R$ 20 milhões em 30 anos, enquanto abastecimento fica com R$ 1 bilhão.
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Piracicaba atualizou o Plano Municipal de Saneamento Básico e prevê investimento de R$ 1,85 bilhão em 30 anos.
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O objetivo é universalizar e melhorar os serviços dos quatro eixos que compõem o saneamento básico: Abastecimento, drenagem urbana, esgoto e manejo de resíduos sólidos.
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Segundo o documento, em 2018, a coleta seletiva em Piracicaba coletou resíduos de cerca de 7% dos domicílios do município.
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O documento também aponta que, em 2022, 38,5% dos materiais da coleta seletiva foram descartados em aterro sanitário, devido à baixa qualidade na triagem ou à contaminação.
Equipamentos para remoção automática de lodo na ETA Luiz de Queiroz — Foto: Prefeitura de Piracicaba
O novo Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) de Piracicaba (SP), oficializado no Diário Oficial de 27 de fevereiro, prevê investimentos de aproximadamente R$ 1,85 bilhão ao longo de 30 anos, entre 2026 e 2055.
O documento estabelece diretrizes e metas para a universalização e a melhoria contínua dos quatro eixos do saneamento:
Do total de R$ 1.85 bilhão previsto, a maior parcela será destinada ao abastecimento de água, que concentrará R$ 1.097 bilhão. O valor equivale a 59,26% do montante.
Já a limpeza urbana e o manejo de resíduos sólidos, como os que vão para aterros sanitários ou reciclagem, receberão R$ 20 milhões em 30 anos. O valor corresponde a 1,13% dos recursos.
O plano justifica o menor investimento no setor de resíduos por conta de o serviço ser concedido à iniciativa privada.
“Os investimentos são de responsabilidade quase que exclusivamente da Concessionária”, escreve.
Destinação de lixo doméstico no aterro sanitário de Piracicaba, em 2021 — Foto: Divulgação/ Ministério Público do Estado de São Paulo
A segunda maior fatia do orçamento será aplicada na drenagem urbana e no manejo de águas pluviais, com R$ 673 milhões, representando 36,39% do total. O esgotamento sanitário contará com R$ 59 milhões ou 3,22% dos investimentos previstos.
Os recursos estão distribuídos ao longo de três décadas, sendo que o período de médio prazo, entre 2030 e 2033, concentra o maior esforço financeiro, com 43,3% do total planejado.
Segundo o plano, o investimento é resultado do orçamento municipal e das receitas das tarifas de água, esgoto e resíduos.
Abastecimento de água
Semae executa serviços de setorização com troca de registro na região Norte da cidade — Foto: Prefeitura de Piracicaba
Apesar de o município já registrar 100% de atendimento no abastecimento, o plano prioriza a manutenção da infraestrutura e o aumento da eficiência operacional. A principal meta é reduzir o índice de perdas na distribuição.
Segundo o plano, atualmente, cerca de 39% da água tratada se perde antes de chegar as torneiras piracicabanas e a meta é diminuir esse número para 25% ou menos até 2055.
Entre as ações previstas estão a substituição de aproximadamente 869 quilômetros de redes de distribuição consideradas obsoletas ou problemáticas e a modernização e ampliação das Estações de Tratamento de Água (ETAs I, II e III), com foco na segurança hídrica.
O estudo não cita a criação de represas para manter o abastecimento da metrópole regular durante os períodos de estiagem, como indicam especialistas em segurança hídrica.
Drenagem urbana
Obras de drenagem perto do Terminal Central em Piracicaba — Foto: Prefeitura de Piracicaba
O eixo de drenagem urbana demanda o segundo maior investimento, em razão do histórico de inundações na cidade, justificou o plano. A meta é que, até 2044, 100% dos domicílios urbanos estejam em situação de segurança frente ao risco de enchentes.
No curto prazo, entre 2026 e 2029, está prevista a elaboração do Plano Diretor de Drenagem Urbana e Manejo de Águas Pluviais (PDDUMAP).
A partir de 2026, o plano também estabelece a inspeção anual de 100% das redes de drenagem, bocas de lobo e cursos hídricos urbanos, além da atualização completa do cadastro técnico das redes existentes até 2030.
Córrego Itapeva foi canalizado entre os anos de 1955 e 1959 durante o governo de Luciano Guidotti — Foto: Prefeitura de Piracicaba
Esgotamento sanitário
Esgotamento sanitário também já apresenta 100% de abrangência em Piraciaba. Por isso, entre as medidas previstas está a desativação de estações de tratamento de esgoto (ETEs) de pequeno porte e baixa eficiência, com direcionamento do esgoto para sistemas maiores e mais modernos, como a ETE Piracicamirim, no curto prazo.
O plano também prevê ações para mitigar a infiltração de águas pluviais na rede coletora, a fim de evitar sobrecargas e extravasamentos.
A menor participação percentual no orçamento também é justificada pela existência de concessão de serviços à iniciativa privada.
Resíduos sólidos
Triagem de resíduos sólidos no aterro de Piracicaba, em 2021 — Foto: Divulgação/ Ministério Público do Estado de São Paulo
O plano busca alinhar o município à Política Nacional de Resíduos Sólidos e ampliar os índices de reciclagem em relação aos patamares de 2018. Segundo o documento, em 2018, a coleta seletiva em Piracicaba coletou resíduos de cerca de 7% dos domicílios do município.
O documento também aponta que, em 2022, 38,5% dos materiais da coleta seletiva foram descartados em aterro sanitário, devido à baixa qualidade na triagem ou à contaminação.
Assim, o plano estabelece ampliação a coleta seletiva de resíduos recicláveis e prevê parceria com cooperativas de catadores.
O PMSB estabelece ainda a implementação de programas permanentes de educação ambiental e prevê a expansão do aterro sanitário CTR Palmeiras, implantação de unidades de compostagem para resíduos orgânicos e a definição de soluções específicas para resíduos de poda, entulhos e resíduos de serviços de saúde.
A meta é assegurar que 100% dos resíduos gerados no município tenham destinação final ambientalmente adequada e em conformidade com as normas vigentes.
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