Paciente de 21 anos é a primeira pessoa a receber tratamento com polilamina no Tocantins

Procedimento traz esperança para a família após meses de incerteza. Sindy Mirela, de 21 anos, ficou paraplégica em janeiro deste ano, após um grave acidente de carro.


  • A jovem Sindy Mirela Santos Silva, de 21 anos, recebeu um tratamento experimental inédito no Tocantins para tentar recuperar movimentos perdidos após uma lesão na medula.

  • O procedimento foi realizado nesta quinta-feira (2), no Hospital Geral de Palmas (HGP), com a aplicação de uma substância chamada polilaminina.

  • A aplicação traz esperança para a família após meses de incerteza. Sindy ficou paraplégica em janeiro deste ano, após um grave acidente de carro.

Jovem paraplégica recebe injeção de polilaminina no HGP

Jovem paraplégica recebe injeção de polilaminina no HGP

A jovem Sindy Mirela Santos Silva, de 21 anos, recebeu um tratamento experimental inédito no Tocantins para tentar recuperar movimentos perdidos após uma lesão na medula. O procedimento foi realizado nesta quinta-feira (2), no Hospital Geral de Palmas (HGP), com a aplicação de uma substância chamada polilamininaveja mais sobre o procedimento abaixo.

A aplicação traz esperança para a família após meses de incerteza. Sindy ficou paraplégica em janeiro deste ano, após um grave acidente de carro. Emocionada, ela conta que o procedimento pode abrir portas para outras pessoas.

"Para mim, foi como estar me afogando e passar um navio para me tirar de lá, porque a gente tem muita expectativa. Meu sentimento hoje é de gratidão, primeiramente, a Deus. Ser a primeira do Tocantins, eu acredito, vai abrir portas para que outras pessoas também tenham acesso", afirma a jovem.

Ledjane Bezerra da Silva, mãe, ao lado da filha Sindy, no HGP — Foto: Bruno Lacerda - Governo do Estado

Entenda como funciona

A substância foi injetada diretamente no local da lesão, no setor de hemodinâmica do HGP. Para garantir precisão, os médicos utilizaram tecnologias de imagem, como o raio-X. Segundo o neurocirurgião responsável, Luiz Felipe Lobo Ferreira, o método é simples e pouco agressivo para o paciente.

"A aplicação é feita com a paciente de lado, com sedação leve e sem necessidade de cortes. Utilizamos uma injeção diretamente na coluna, guiada por imagem, para alcançar exatamente a área da lesão na medula", detalha o médico.

O médico Arthur Luiz Freitas Forte integra a equipe da pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), criadora da substância. Ele explica que a polilaminina serve para proteger e recuperar os tecidos da medula.

"O que conseguimos foi transformar essa proteína em uma forma estável, que pode atuar na regeneração dos neurônios lesionados e também proteger as células que ainda estão viáveis. A expectativa não é falar em cura, mas em melhora da qualidade de vida, com possíveis ganhos de movimento, controle corporal e independência", detalha Forte.

Saiba mais sobre a pesquisa

A polilaminina é uma versão sintética da laminina, uma proteína que o corpo humano já produz para organizar o sistema nervoso. O estudo teve início há quase 30 anos na UFRJ. A substância ajuda a recuperar os axônios, que funcionam como uma "ponte" para transmitir informações entre os neurônios.

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