Museu do Cais das Artes é inaugurado após 16 anos em complexo cultural de R$ 315 milhões inacabado no ES
Projeto concebido para colocar o Espírito Santo no circuito internacional da cultura será entregue parcialmente nesta quinta-feira (2). Complexo segue com menos de 70% das obras concluídas.
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O Cais das Artes, em Vitória, começou a ser entregue aos capixabas nesta quinta-feira (2).
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Após 16 anos, o museu será aberto ao público, marcando a primeira etapa de um empreendimento de pelo menos R$ 315 milhões, que ainda não foi concluído.
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Além do museu, o projeto do Cais das Artes previa a entrega de um teatro para 1.300 pessoas, biblioteca, auditório, café, livraria e praça pública.
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Dados do Departamento de Edificações e de Rodovias do Espírito Santo (DER-ES) indicam que a obra está com 69,87% de execução.
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A entrega do museu acontece após sucessivos contratos, paralisações e novos aportes ao longo dos anos.
Obra do Cais das Artes começou em 2010, em Vitória, no Espírito Santo. — Foto: TV Gazeta
Projetado para ser um complexo de cultura de referência internacional, o Cais das Artes, em Vitória, começou a ser entregue aos capixabas nesta quinta-feira (2). Após 16 anos desde que as obras começaram, o museu será aberto ao público, marcando a primeira etapa de um empreendimento de pelo menos R$ 315 milhões, que ainda não foi concluído.
Além do museu, o projeto do Cais das Artes previa a entrega de um teatro para 1.300 pessoas, uma biblioteca, um auditório, um café, uma livraria e uma grande praça pública.
Dados do Departamento de Edificações e de Rodovias do Espírito Santo (DER-ES) indicam que a obra está com 69,87% de execução. A previsão é que o complexo seja finalizado até dezembro de 2026, mas não há informações se ele vai conter tudo o que está no projeto original.
A entrega do museu acontece após sucessivos contratos, aditivos, paralisações e novos aportes ao longo dos anos. Tudo isso fez o projeto ficar mais caro.
Inauguração do Cais das Artes é adiada para 2026
Obras começaram em março de 2010
As obras do complexo começaram em 29 de março de 2010, após a construtora Santa Bárbara vencer a licitação. À época, a previsão era de que as obras terminassem em 18 meses.
O contrato era de R$ 115.547.695,73, mas a construtora faliu antes de entregar o Cais das Artes, em 2012. No Portal da Transparência do governo do Espírito Santo, consta que foram pagos R$ 62.008.990,07 para as obras, na época.
No ano seguinte, em 2013, uma nova licitação foi feita e as obras foram retomadas.
Obra do Cais das Artes começou em 2010, em Vitória, no Espírito Santo. — Foto: TV Gazeta
Apesar disso, suspeitas de irregularidades paralisaram a obra mais uma vez e o empreendimento passou anos sem avanço significativo, se tornando um símbolo do desperdício do dinheiro público.
Com o tempo, parte da estrutura sofreu deterioração, com problemas como corrosão de materiais e desgaste de equipamentos.
A retomada dos trabalhos aconteceu em junho de 2023 e é o que está sendo entregue nesta quinta-feira.
A previsão é de que sejam gastos mais de R$ 315 milhões. Sendo R$ 132 milhões até 2023 e R$ 183 milhões nessa fase final da obra.
Projeto foi idealizado em 2007
Projeto do Cais das Artes, no Espírito Santo, foi idealizado em 2007 pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha, — Foto: Divulgação/ Metro Arquitetos
O Cais das Artes foi idealizado em 2007 como um dos principais equipamentos culturais do Espírito Santo.
Assinado pelo arquiteto capixaba Paulo Mendes da Rocha, vencedor do Prêmio Pritzker (considerado o Nobel da arquitetura), o projeto previa integrar arte, arquitetura e paisagem, conectando a cidade à Baía de Vitória.
À época, a proposta previa um complexo com teatro para 1.300 pessoas, museu com cerca de três mil metros quadrados de área expositiva, além de biblioteca, auditório, café, livraria e uma grande praça pública.
O objetivo era inserir o estado no circuito internacional das artes, com capacidade para receber grandes exposições, espetáculos e produções culturais.
A entrega do museu representa apenas uma etapa de um projeto mais amplo, que segue em andamento.
Paulo Mendes da Rocha morreu em 2021, aos 92 anos, sem ver o complexo concluído.
Inauguração
A inauguração será marcada pela exposição "Amazônia", do fotógrafo Sebastião Salgado. A gestão do espaço será feita em parceria com a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) e a Fundação Roberto Marinho.
O espaço ficará aberto de quinta a domingo, das 10h às 18h, com entrada gratuita e classificação livre.