Moraes abre inquérito para apurar se houve vazamento de dados de ministros
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu reagir do único jeito que conhece quando é confrontado por fatos incômodos: abrindo um novo inquérito.
Desta vez, o alvo não são “fake news” nem militantes anônimos da internet.
O alvo são servidores técnicos da Receita Federal e do Conselho de Atividades Financeiras (COAF) e, por tabela, a imprensa profissional que revelou informações suspeitas e constrangedoras sobre o ministro e sua família.
O movimento é grave, ilegal e revela muito mais sobre o medo de Moraes do que sobre qualquer ameaça real à democracia.
Segundo reportagem do Poder360, Moraes cogitava, há algum tempo, instaurar um inquérito no STF para investigar uma suposta quebra de sigilo fiscal de ministros da Corte.
A suspeita, levantada por ele próprio, é de que auditores da Receita ou técnicos do COAF teriam acessado informações financeiras de ministros e suas famílias e vazado dados à imprensa.
Não há, até agora, nenhuma prova concreta disso.
Há apenas uma reação irritada diante de reportagens que expuseram fatos desconfortáveis e deixaram Moraes e outros ministros merecidamente constrangidos.
O pano de fundo é claro.
Nas últimas semanas, vieram à tona o contrato de quase R$ 130 milhões do escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci, com o Banco Master, e a sua impressionante evolução patrimonial — capaz de deixar sem fôlego advogados como Kakay, que têm o privilégio único e especial de despachar de bermuda branca no Supremo.
O patrimônio dela cresceu 232% em apenas um ano — mais de R$ 50 milhões.
As informações foram reveladas por Malu Gaspar e Lauro Jardim no jornal O Globo, com base em apuração jornalística legítima.

Pagamentos milionários mensais, muito acima da média de mercado, feitos por um banco hoje investigado por fraudes bilionárias a um escritório pequeno e sem atuação relevante conhecida, que tem como distinção apenas o “Moraes” no nome.
Some-se a isso o fato de que, segundo a própria imprensa, o trabalho supostamente prestado pelo escritório é desconhecido em órgãos onde ele deveria atuar, como o Banco Central (BC), o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
Em vez de responder a essa pergunta, Moraes faz o movimento inverso.
Parte da premissa — puramente especulativa, sem evidência ou prova alguma — de que alguém do COAF ou da Receita Federal teria quebrado o sigilo dele e de outros ministros para atingir o STF, num delírio conspiratório que deveria corar até quem já perdeu a vergonha faz tempo.
A partir daí, tenta justificar um novo inquérito, conduzido, convenientemente, por ele mesmo.
A ilegalidade é evidente.
Auditores da Receita Federal e técnicos do COAF não têm foro privilegiado.
Não cabe ao STF investigá-los.
Não cabe a um ministro abrir inquérito de ofício.
E, sobretudo, não cabe a alguém que se diz vítima atuar como relator e condutor da investigação contra quem lhe teria infligido algum dano ou prejuízo.
Isso viola princípios elementares do devido processo legal, da imparcialidade e da competência.
Mais uma vez, viola-se a democracia “em nome da democracia”.

É retaliação, é intimidação e é vingança.
É uma tentativa explícita de silenciar servidores concursados e jornalistas que cumpriram seu papel constitucional de fiscalizar o poder.
É dizer com um megafone: vamos perseguir até o fim quem revelar verdades incômodas.
O padrão já é conhecido.
Quando surgem denúncias contra terce