Com sinais de que a guerra pode se estender, Pentágono teme pelo estoque de munição para manter ataques contra o Irã — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Com a chegada de 2,5 mil fuzileiros navais e outros 2,5 mil marinheiros faz o número de soldados americanos na região do Oriente Médio em mais de 50 mil, o que representa cerca de 10 mil a mais que o habitual, segundo o jornal The New York Times.

O primeiro de dois contingentes de tropas chegaram na sexta-feira (27) a bordo de um navio de assalto anfíbio, segundo o Exército americano.

➡️Um navio de assalto anfíbio é um tipo de navio militar projetado para levar tropas, veículos e aeronaves até a costa e lançar uma invasão a partir do mar.

Neste sábado (28), a guerra de Israel e EUA contra o Irã completou um mês, sem qualquer sinal de que esteja perto do fim.

Na terceira semana do conflito, os EUA decidiram enviar 2,5 mil fuzileiros navais para a região. Embora ainda não esteja claro de que esses soldados serão encarregados, autoridades dos EUA dizem que o presidente está avaliando se deve tentar um ataque maior, diz o The New York Times.

Esses ataques envolveriam o Estreito de Ormuz e as ilhas do canal.

Possível incursão terrestre no Irã

O jornal Washington Post informou que o Pentágono se prepara para operações terrestres no Irã, que poderiam incluir ações de forças especiais e tropas convencionais. Ainda não há confirmação de que o presidente Donald Trump autorizará esse plano.

O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que os EUA podem atingir seus objetivos sem tropas em solo, mas disse que o envio de forças amplia as opções do governo.

Já o Irã afirmou neste domingo (29) estar pronto para reagir a um possível ataque terrestre dos Estados Unidos e acusou Washington de preparar uma ofensiva por terra enquanto, ao mesmo tempo, fala em negociações.

A declaração ocorre em meio a esforços diplomáticos de países da região, que se reúnem no Paquistão para tentar encerrar o conflito.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Ghalibaf, disse que os EUA enviam sinais de diálogo, mas estariam, nos bastidores, planejando o envio de tropas. Segundo ele, o Irã está preparado para reagir caso isso aconteça.

“Enquanto os norte-americanos exigirem a rendição do Irã, nossa resposta é que jamais aceitaremos a humilhação”, afirmou.

“Nossos ataques continuam. Nossos mísseis estão posicionados. Nossa determinação e fé aumentaram", acrescentou.

Ameaças envolvem petróleo e urânio

Centrífugas de enriquecimento de urânio na usina de Natanz, no Irã. — Foto: IRIB via AP, File

Trump está avaliando uma operação militar para extrair quase mil libras de urânio do Irã, de acordo com autoridades dos EUA, diz o jornal The Wall Street Journal. Essa missão seria complexa e arriscada pois envolveria a incursão terrestre na região por tropas americanos por dias ou mais.

O presidente ainda não tomou uma decisão sobre dar ou não a ordem, disseram as autoridades ao o jornal. A hesitação seria justificada pelo perigo para as tropas dos EUA. Mas Trump permanece aberto à ideia, segundo as autoridades ouvidas pelo The Wall Street Journal. Isso porque ela poderia ajudar a cumprir seu objetivo central de evitar que o Irã fabrique uma arma nuclear.

O presidente também encorajou seus conselheiros a pressionarem o Irã para que aceite entregar o material como condição para encerrar a guerra, de acordo com uma pessoa familiarizada com o pensamento de Trump.

Trump foi claro em conversas com aliados políticos de que os iranianos não podem ficar com o material e discutiu a sua apreensão por força caso o Irã não o entregue na mesa de negociações, ressaltou o jornal.

Ao jornal Financial Times, Trump disse que o país "poderia pegar o petróleo no Irã" e tomar a ilha Kharg, centro petrolífero iraniano no norte do Golfo Pérsico. Apesar da ameaça, Trump ressaltou que um cessar fogo poderia ocorrer "rapidamente" durante a entrevista neste domingo (29).

A ilha de Kharg é responsável por 90% da exportação de petróleo do Irã e poderia forçar Teerã a reabrir o Estreito de Ormuz, segundo o jornal norte-americano "Axios".

Ministros das Relações Exteriores de Paquistão, Arábia Saudita, Turquia e Egito se reuniram neste domingo (29), em Islamabad, para discutir formas de encerrar a guerra, que já dura um mês e deixou milhares de mortos.

Ilha de Kharg, no litoral do Irã, vira alvo do conflito no Oriente Médio — Foto: Reprodução/TV Globo

Os países reunidos apresentaram propostas aos EUA para reabrir o Estreito de Ormuz, responsável por cerca de um quinto do transporte global de petróleo e gás natural.

Entre as propostas discutidas, estão a criação de um sistema de tarifas inspirado no modelo do Canal de Suez e a formação de um consórcio internacional para administrar o fluxo de petróleo pela rota.

O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, disse que, em breve, o país sediará negociações entre os Estados Unidos e o Irã, informou a agência de notícias Associated Press.

Avião dos EUA destruído por drones

Aeronave E-3 Sentry da Força Aérea dos EUA aparece danificada na Base Aérea Príncipe Sultan, na Arábia Saudita, após ataque com mísseis e drones atribuído ao Irã — Foto: AFP

Imagens verificadas pela AFP mostram um avião de vigilância aérea dos Estados Unidos destruído após um ataque iraniano à Base Aérea Príncipe Sultan, na Arábia Saudita, no domingo (29).

A aeronave atingida é um E-3 Sentry, modelo usado para monitoramento aéreo e coordenação de operações militares. Fotos que circularam nas redes sociais indicam que o avião ficou partido ao meio após o impacto.

O ataque foi realizado com mísseis e drones, segundo relatos de veículos como The New York Times e The Wall Street Journal. Pelo menos 12 militares americanos ficaram feridos, sendo dois em estado grave.

De acordo com o Wall Street Journal, o E-3 Sentry estava entre as aeronaves danificadas na base, que também teve aviões de reabastecimento atingidos.

Destroços do avião de vigilância E-3 Sentry, usado para monitoramento aéreo e controle de operações, após ser atingido em ataque na Arábia Saudita — Foto: AFP

A base aérea, localizada na Arábia Saudita, é utilizada pelas forças americanas e foi alvo de ofensivas iranianas nos últimos dias, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio.

Segundo a Al Jazeera, o modelo tem custo unitário de US$ 270 milhões. O E-3 Sentry faz parte do sistema AWACS (Sistema de Alerta e Controle Aerotransportado) e é capaz de rastrear drones, mísseis e aeronaves a centenas de quilômetros de distância.

Antes do ataque, a Força Aérea americana tinha cerca de 16 aeronaves desse tipo em operação.

Boeing E-3 Sentry da Força Aérea dos EUA — Foto: Força Aérea dos EUA

O episódio ocorre em meio a uma sequência de ataques iranianos contra estruturas militares dos EUA no Golfo, que, nas últimas semanas, atingiram sistemas de radar, baterias de defesa antimísseis, drones e aeronaves em bases na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Jordânia e Kuwait, segundo relatos da imprensa internacional.

As ofensivas fazem parte da resposta de Teerã à atuação americana na região e ampliam a tensão em uma das áreas estratégicas para a produção e o transporte global de petróleo.