Por que França e outros países europeus são contra acordo entre Mercosul e União Europeia Crédito, Getty Images Legenda da foto, Pecuaristas europeus temem a concorrência da carne bovina proveniente da Argentina, do Uruguai e do Brasil Author, Cristina J.
Orgaz Role, BBC News Mundo Há 1 hora Tempo de leitura: 8 min Cerca de 700 milhões de pessoas unidas em uma única zona comercial.
Essa é a proposta do acordo firmado entre o Mercosul e a União Europeia (UE), que criará uma das maiores áreas de livre comércio do mundo.

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O acordo multilateral entre Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia e os 27 Estados do bloco comercial europeu contrasta com a política de tarifas, nacionalismo e acordos bilaterais adotada pelos Estados Unidos desde a chegada de Donald Trump à Presidência.
No entanto, nem todos os países estão satisfeitos.
A França lidera, ao lado da Polônia, Hungria, Áustria e Irlanda, o grupo que se opõe de forma contundente ao acordo.
Com o acordo, seriam eliminadas ao longo dos próximos 15 anos tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários que a União Europeia compra do Mercosul, incluindo carnes, frutas, grãos e café, alimentos importantes ao agronegócio brasileiro.
Alguns produtos, porém, enfrentarão as chamadas "cotas tarifárias".
As carnes bovinas, por exemplo, terão uma cota de 99 mil toneladas por ano — ou seja, pelo tratado, o Mercosul poderá exportar essa quantidade limite com as tarifas reduzidas.
Para muitos agricultores europeus, o acordo representa a abertura do mercado para uma concorrência desleal, já que esses produtos sul-americanos tendem a ser mais baratos em razão de custos trabalhistas e ambientais mais baixos.
Nesta semana, agricultores franceses voltaram a ocupar as ruas em protesto contra o acordo.
Cerca de 350 tratores invadiram a icônica avenida Champs-Élysées, em Paris (capital francesa), e acamparam nas proximidades do edifício do Parlamento.
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Os protestos refletem um profundo mal-estar no setor agrícola francês, e a assinatura prevista do acordo entre a União Europeia e o Mercosul é vista como a gota d'água.
Crédito, Getty Images Legenda da foto, O impacto do acordo divide os Estados membros: a França lidera o bloco do descontentamento Os tratores de agricultores irlandeses também se fizeram ouvir nas últimas semanas.
Dezenas ocuparam em massa as estradas de Athlone (Irlanda), no centro do país, exibindo faixas com slogans como "Pare UE-Mercosul" e a bandeira da União Europeia com a palavra "vendidos".
O mesmo ocorreu na Polônia, Hungria e Áustria: estradas bloqueadas, agricultores indignados e tratores nas capitais cobrando de seus parlamentares que reconsiderem um tratado negociado há 25 anos.
As manifestações em toda a Europa acontecem poucos dias antes de a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, viajar ao Paraguai para a assinatura oficial e levar o documento ao Parlamento Europeu, que precisa dar a aprovação final a um acordo destinado a impulsionar de forma significativa os laços comerciais entre os signatários.
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Concorrência 'desleal' Pule Whatsapp! e continue lendo No WhatsApp Agora você pode receber as notícias da BBC News Brasil no seu celular.
Clique para se inscrever Fim do Whatsapp! O temor generalizado em alguns países europeus é o de perda de renda em um setor submetido a normas de produção consideradas muito mais rigorosas do que as sul-americanas, o que implica custos mais elevados.
Especialistas concordam que as diferenças nas regras sanitárias e de bem-estar animal entre o bloco do Mercosul e o europeu são significativas.
Na União Europeia, há normas rígidas sobre rastreabilidade, uso de pesticidas, hormônios e bem-estar animal.
Há receio de que produtos importados não cumpram padrões equivalentes, mas ainda assim concorram em preço, um ponto que gera rejeição tanto entre produtores quanto entre consumidores.
"Muitos agricultores franceses já estão sofrendo com as medidas sanitárias adotadas pelas autoridades para controlar