Lua deve virar nova fronteira de disputa de recursos naturais cobiçados

Lua deve virar nova fronteira de disputa de recursos naturais cobiçados

A Lua deve virar uma nova fronteira de disputa de recursos naturais cobiçados. Com um programa espacial ainda modesto, o Brasil tenta pegar "carona" com a Nasa para desenvolver projetos de agricultura no ambiente da lua e também tecnologia de satélites.

Décadas após o fim do programa Apollo, a Lua volta ao centro das atenções por um motivo estratégico: seu potencial econômico.

"Economicamente ainda não era viável. Hoje nós sabemos que a lua tem minerais tem elementos químicos muito importantes para a economia da Terra", explica Alexandre Cherman, diretor do Planetário do Rio.

O diretor de astronomia do Planetário do Rio aponta que alguns desses minerais e elementos são encontrados também no planeta Terra e estão em evidência mais do que nunca.

"Todo mundo já ouviu falar dos elementos de terras raras, que são muito importantes para a microinformática, compostos eletrônicos. Então assim, 99% da eletrônica que você tem, celular, câmera, televisão, depende desse tipo de minerais".

Mas o recurso mais cobiçado é o Hélio-3. Está sendo chamado de "ouro da lua" ou "combustível do futuro". Considerado uma fonte de energia eficiente, limpa e sem emissão de gás carbônico, rara na Terra.

Hélio-3: o 'ouro da Lua'

Entre os recursos mais cobiçados está o hélio-3, um isótopo raro na Terra e abundante na superfície lunar. Ele é apontado como um possível combustível para a energia do futuro.

A aposta está na fusão nuclear — processo que utiliza elementos leves e não gera resíduos radioativos como a fissão nuclear tradicional. Nesse contexto, o hélio-3 é considerado peça-chave por sua eficiência e baixo impacto ambiental.

Empresas privadas já se movimentam nesse mercado. Uma startup norte-americana, por exemplo, desenvolve tecnologias para a extração do material diretamente na Lua.

Brasil quer 'carona' em missão internacional

Cerca de 70 países já participam de acordos de cooperação para exploração lunar, liderados por Estados Unidos e China. O Brasil tenta avançar nesse cenário com dois projetos que podem integrar futuras missões.

Um deles é um satélite científico de clima espacial, desenvolvido pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), que deve orbitar a Lua. O outro é uma parceria com a Embrapa para estudar o cultivo de alimentos em bases lunares.

Entre os primeiros alimentos selecionados estão o grão-de-bico e a batata-doce. A ideia é testar sistemas de agricultura em ambientes controlados, como fazendas verticais ou até cavernas lunares, que poderiam oferecer condições mais estáveis para o plantio.

Da ficção à realidade

A possibilidade de cultivar alimentos fora da Terra já foi explorada no cinema. No filme Perdido em Marte, um astronauta sobrevive ao plantar batatas em solo marciano — cenário inspirado em estudos reais conduzidos pela NASA.

Hoje, iniciativas semelhantes começam a sair do campo da ficção. Estados Unidos e China já realizam testes com sementes em missões não tripuladas à Lua.

De volta à Lua — e rumo a Marte

A nova corrida espacial combina desenvolvimento científico, disputa tecnológica e interesses econômicos. Diferentemente do passado, a presença humana na Lua agora é vista como um projeto de longo prazo.

A expectativa é que o satélite funcione como uma base para futuras missões mais ambiciosas — especialmente para Marte, o chamado “planeta vermelho”.

Especialistas acreditam que a humanidade não apenas retornará à Lua, mas estabelecerá uma presença contínua por lá. E vão além: a primeira pessoa a pisar em Marte, dizem, provavelmente já nasceu.

Esta foto sem data, fornecida pela NASA, mostra uma vista da superfície da Lua a partir da sua órbita. — Foto: Ernie T. Wright/NASA via AP