Justiça derruba liminar e libera retomada do processo que pode tirar concessão da Enel em SP
Equipe da Enel trabalhando no restabelecimento de energia em SP nesta terça-feira (7) — Foto: MARCO AMBROSIO/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
A Justiça Federal em Brasília revogou nesta quarta-feira (25) a liminar que travava o processo da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) contra a Enel Distribuição São Paulo e autorizou a retomada imediata da apuração que pode levar à perda da concessão de energia elétrica na capital.
O processo analisa se a empresa tem capacidade de cumprir as obrigações previstas em contrato — uma discussão reacendida após sucessivas falhas no fornecimento de energia, especialmente em eventos climáticos extremos registrados nos últimos anos na Grande São Paulo.
A caducidade, penalidade máxima prevista, pode resultar na retirada da concessão.
🔎 Considerada uma medida extrema, a caducidade (ou extinção do contrato) pode ocorrer quando confirmado que a concessionária descumpre obrigações contratuais e não tem condições de manter a prestação de serviços à população.
ANEEL aponta atuação insatisfatória da Enel em apagão de dezembro em SP
Na semana passada, a Justiça havia concedido liminar à Enel e suspendido a tramitação deste processo da Aneel por ter acolhido os argumentos da concessionária de que houve violação ao devido processo legal, uma vez que o diretor-geral da agência votou pela sanção máxima dois dias antes do prazo limite para manifestação da concessionária, em 26 de fevereiro.
Agora, ao derrubar a suspensão, ficou entendido que não houve irregularidades na condução do processo administrativo da Aneel, que estão garantidos o contraditório e o direito de defesa da concessionária, e que ainda não há nenhuma decisão final da agência.
Em nota, a Enel afirmou que "respeita o Poder Judiciário, porém, não concorda com as premissas e conteúdo da decisão recentemente proferida que julgou a improcedente a ação movida pela Companhia" (leia mais abaixo).
Eventos climáticos
A decisão também considerou legítima a inclusão dos recentes eventos climáticos na análise regulatória. Segundo o entendimento da Justiça, usar esses episódios como parâmetro para avaliar a capacidade real de resposta da empresa não configura vício no processo.
Além de revogar a liminar, a Justiça rejeitou novos pedidos para paralisar o andamento da apuração e afastou questionamentos sobre a condução do caso. Com isso, a Aneel está liberada para seguir com a avaliação técnica e regulatória.
Nesta semana, o Ministério Público Federal também se manifestou contra a suspensão do processo. Prefeitura de São Paulo, governo do estado e Advocacia-Geral da União já haviam defendido o mesmo caminho.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que a decisão representa um passo importante para garantir a continuidade da investigação e cobrar melhorias no serviço. A administração municipal defende que o processo siga até o fim, sem novas interrupções, para que sejam avaliadas as condições de prestação de energia na cidade.
Aneel inicia processo para encerrar contrato com Enel
Enel diz que houve cerceamento de defesa
No pedido de liminar apresentado à Justiça Federal nesta terça-feira (17), os advogados da Enel sustentam que houve cerceamento de defesa no processo, já que o diretor-geral da Aneel votou pela sanção máxima dois dias antes do prazo limite para manifestação da concessionária, em 26 de fevereiro.
Essa antecipação é classificada como uma "decisão-surpresa" que viola o devido processo legal.
A Enel sustenta ainda que a Aneel está tentando incorporar "por arrastamento" fatos novos ocorridos em dezembro de 2025, quando um apagão deixou aproximadamente 4,4 milhões de clientes sem energia na área de concessão, a uma investigação que tratava originalmente de eventos de 2024.
Sobre a decisão desta quarta, a Enel disse que não concorda com as premissas e o conteúdo da decisão recentemente proferida que julgou a improcedente a ação movida pela companhia.
"A empresa reforça que seguirá trabalhando para demonstrar, em todas as instâncias, que toda decisão deve ser tomada em pleno respeito às normas legais e regulatórias aplicáveis, de forma imparcial e com base em análises técnicas rigorosas e objetivas. A companhia reafirma sua plena confiança nos fundamentos apresentados e no sistema jurídico brasileiro."