Jovem que estava desaparecido no Pico Paraná é encontrado com vida
'Se você vir meu estado, não acredita', diz jovem que havia desaparecido no Pico Paraná 1:58 Irmã publica vídeo com Roberto Farias Thomaz, resgatado após cinco dias.
Crédito: @renata.
cwbotasepi/Instagram
O jovem Roberto Farias de Tomaz, encontrado vivo após quatro dias perdido no Pico Paraná, conseguiu sair da área de montanha depois de saltar de uma cachoeira de cerca de 20 metros de altura, considerada intransponível pelas equipes do Corpo de Bombeiros.
Esse local, historicamente, marca o ponto onde outras buscas por desaparecidos costumam terminar.
A informação foi confirmada ao Estadão nesta segunda-feira, 5, pelo tenente-coronel Ícaro Gabriel, comandante do Grupo de Operações de Socorro Tático, que coordenou as buscas no ponto mais alto do Sul do País, com 1.
887 metros.
Segundo ele, o salto aconteceu já no primeiro dia de desaparecimento e foi determinante para que Roberto conseguisse avançar dezenas de quilômetros pela mata até chegar a uma fazenda na região de Antonina, no litoral do Paraná.
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“Existe uma cachoeira grande ali e nosso pessoal atingiu esse local de madrugada.
Fizemos rapel, subimos, e sempre foi uma barreira que consideramos intransponível para que uma pessoa consiga chegar viva.
Ele informou no depoimento que saltou daquela cachoeira.
Para nós, parecia algo impossível”, afirmou o comandante.

Após chegarem ao cume, o ponto mais alto da montanha, o grupo iniciou a descida na manhã de 1º de janeiro.
Em determinado ponto do trajeto, o jovem foi abandonado pela amiga e se perdeu de outros trilheiros, seguindo uma sinalização equivocada, o que o levou para fora da trilha principal.
Publicidade Roberto Farias Tomaz se perdeu no dia 1º de janeiro e encontrou uma fazenda só no dia 5 Foto: Reprodução/Redes Sociais PUBLICIDADE Segundo relato feito à família, ele escorregou em um trecho íngreme e não conseguiu mais retornar.
A partir desse momento, passou a descer pela encosta, entrando em uma área de mata fechada e extremamente acidentada, fora do traçado usual das trilhas.

Foi ali que ele escorregou e não conseguiu mais subir”, contou a irmã ao Estadão, Renata Farias de Tomaz.
A cachoeira onde as buscas costumam parar Ao seguir pela encosta, Roberto encontrou o leito do Rio Cacatu, ainda na parte superior da montanha.
Sem conseguir voltar nem referência de trilha, acompanhou o curso do rio.
Pouco depois, chegou à cachoeira de aproximadamente 20 metros de altura.
Segundo o Corpo de Bombeiros, esse ponto é conhecido por representar uma barreira natural: pessoas perdidas costumam parar ali, sem conseguir avançar, e equipes de resgate normalmente encerram a progressão naquele trecho devido ao risco extremo.
Pessoas chegam na cachoeira e não conseguem transpor.
É impossível, e ele saltou”, explicou o tenente-coronel.
“Ele informou que pulou nela, se bateu na correnteza e perdeu os óculos e os tênis.
TQeve muita sorte mesmo de não ter se afogado ali”, completou o comandante.
‘Eu pedia proteção e pulei’, disse jovem à família Segundo a irmã, o jovem contou que avaliou a profundidade da água antes de saltar e tomou a decisão em meio ao desespero.
“Ele disse que estava escuro, mas imaginou que fosse fundo.
Falou que pedia toda hora proteção.
Dizia: ‘Deus me protege’.
E pulou.
Na correnteza, perdeu a bota, se machucou bastante, mas conseguiu se segurar numa pedra”, relatou Renata.
Depois do salto, Roberto seguiu o leito do Rio Cacatu.
Em alguns trechos, a água estava cheia devido às chuvas, o que fez com que ele fosse arrastado por vários quilômetros.