Ibaneis deve sancionar projeto de socorro ao BRB nesta semana; entenda próximos passos
Ibaneis Rocha, governador do DF, em 3 de fevereiro de 2026 — Foto: TV Globo
O projeto de lei que autoriza o governo do Distrito Federal a adotar medidas para reforçar o patrimônio, melhorar a liquidez e garantir a solidez financeira do Banco de Brasília (BRB) deve ser sancionado ainda esta semana.
O projeto foi aprovado na Câmara Legislativa com 14 votos a favor e 10 contra, nos dois turnos. Como houve mudanças no texto, a versão final foi enviada ao Palácio do Buriti e ainda está sob análise.
A expectativa é de que o governador Ibaneis Rocha (MDB) confirme a versão aprovada e sancione a nova lei nos próximos dias.
O que acontece depois?
Se for sancionado na íntegra, o texto vai autorizar o governo do DF a:
- usar dinheiro e imóveis para ajudar o BRB
- vender terrenos públicos
- pegar empréstimos de até R$ 6,6 bilhões
- criar fundos imobiliários
- reforçar o Instituto de Previdência dos Servidores (Iprev-DF)
- fazer ajustes no orçamento para que tudo isso funcione.
Entenda
Governo do DF apresenta novo projeto para tentar socorrer o BRB, investigado no caso Master — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
A proposta cria um "menu" para permitir ao GDF aportar dinheiro ou bens no BRB. As opções podem ser usadas em conjunto ou separadamente.
O governo poderá colocar dinheiro diretamente no capital social do banco, integralizar capital com bens móveis ou imóveis e fazer aportes patrimoniais de outras formas previstas em lei.
O projeto também autoriza a venda de bens públicos para levantar recursos. Esses bens podem ser do próprio GDF, inclusive os da Terracap, da Novacap, da CEB ou da Caesb. O dinheiro obtido poderá ser destinado ao reforço patrimonial do BRB.
Além disso, o GDF poderá contratar operações de crédito, inclusive com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ou outras instituições financeiras.
O limite máximo de empréstimos será de R$ 6,6 bilhões. Essa trava foi adicionada após reunião com os deputados distritais no último dia 2.
O texto enviado para sanção detalha como os bens poderão ser usados, incluindo:
- transferência de imóveis ao BRB
- aumentar o capital do banco
- constituição de garantias
- cessão de direitos
- alienação (venda) direta ou via licitação
- permuta
- quitar uma dívida
- estruturação por meio de veículos societários ou
- fundos de investimento.
Também prevê a criação de Fundos de Investimento Imobiliário (FII), medida defendida pelo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, securitização e operações estruturadas.
Iprev-DF, relatórios trimestrais e plano de retorno
Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) analisa PL que autoriza que terrenos públicos sejam garantia para empréstimo do BRB. — Foto: Ygor Wolf/g1
O projeto também determina que o Instituto de Previdência dos Servidores (Iprev-DF) receba ao menos 20% do valor dos bens do DF usados nas operações, para ajudar a recompor o patrimônio previdenciário.
Isso pode ser feito por meio de ações, cotas de fundos, participação societária ou outros instrumentos.
Para garantir transparência, o BRB terá de publicar relatórios trimestrais com informações sobre imóveis vendidos ou usados em fundos; valores de avaliação e de venda; compradores ou veículos societários envolvidos; e a aplicação dos recursos para atender às exigências do Banco Central.
Toda ajuda financeira ao BRB deverá ser acompanhada de um plano de retorno ao GDF, com valor esperado a ser devolvido, prazo máximo para devolução, mecanismos de compensação e metas de desempenho.
Caso o BRB não cumpra as metas, medidas compensatórias serão acionadas em favor do DF.
Quais são os imóveis?
O g1 teve acesso aos imóveis e valores especificados pela Terracap:
- SIA, Trecho Serviço Público, Lote F – área pertencente à Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb): R$ 632 milhões;
- SIA, Trecho Serviço Público, Lote G: R$ 632 milhões;
- SIA, Trecho Serviço Público, Lote I: R$ 364 milhões;
- SIA, Trecho Serviço Público, Lote H: R$ 361 milhões;
- SIA, Trecho Serviço Público, Lote C – pertencente à CEB: R$ 547 milhões;
- SIA, Trecho Serviço Público, Lote B – pertencente à Novacap: R$ 1,02 bilhão;
- Centro Metropolitano, Quadra 03, Conjunto A, Lote 01, em Taguatinga – é a sede do Centro Administrativo do DF, abandonada há mais de uma década: R$ 491 milhões;
- "Gleba A" de 716 hectares, pertencentes à Terracap – o documento não diz o endereço com precisão: R$ 2,2 bilhões;
- Setor de Áreas Isoladas Norte SAIN (antigo lote da PM): R$ 239 milhões.
Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.