Ibaneis deixa governo do DF nesta segunda após 7 anos de mandato e em meio à polêmica BRB-Master

Eleito em 2018 e reeleito em 2022, Ibaneis governou DF na pandemia e foi afastado no 8 de janeiro de 2023. Vice no mandato atual, Celina Leão assume o governo até dezembro.


  • Ibaneis Rocha (MDB) deixa o cargo de governador do DF nesta segunda-feira (30) para se candidatar ao Senado nas eleições de 2026.

  • O ato será oficializado em cerimônia na Câmara Legislativa do DF, pela manhã, com a transferência do comando do Poder Executivo para a atual vice-governadora, Celina Leão (PP).

  • Com o ato, Ibaneis encerra uma passagem de mais de sete anos pelo comando do DF. O período começou de forma improvável, passou por oscilações políticas e termina em meio a uma das principais crises do político: a malsucedida tentativa de compra do Banco Master pelo BRB.

  • Advogado, sem carreira política prévia e filiado ao MDB, Ibaneis Rocha eleito governador do DF em 2018 como um azarão.

Ibaneis Rocha em 2019 — Foto: Fátima Meira/Futura Press/Estadão Conteúdo

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), deixa o cargo oficialmente nesta segunda-feira (30) para se candidatar ao Senado nas eleições de 2026.

O ato será oficializado em cerimônia na Câmara Legislativa do DF, pela manhã, com a transferência do comando do Poder Executivo para a atual vice-governadora, Celina Leão (PP) – pré-candidata ao governo do DF.

Com o ato, Ibaneis encerra uma passagem de mais de sete anos pelo comando do DF. O período começou de forma improvável, passou por oscilações políticas e termina em meio a uma das principais crises do político: a malsucedida tentativa de compra do Banco Master pelo BRB.

Relembre abaixo como foi a trajetória de Ibaneis no comando do DF:

Advogado, carreira política e primeiro mandato

Advogado vindo de Corrente (PI) sem carreira política prévia e filiado ao MDB, Ibaneis Rocha eleito governador do DF em 2018 como um azarão.

Derrotou no segundo turno o então governador Rodrigo Rollemberg (PSB) – pegando carona na 'onda de renovação' que marcou aquela eleição, com discurso antipolítica e críticas à classe tradicional do poder local.

À época, a trajetória de Ibaneis era basicamente corporativa, ligada à advocacia e à presidência da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no DF.

Ibaneis Rocha, do MDB, enfrenta primeira eleição política e diz que estudou para disputa

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Aliado de Bolsonaro, Ibaneis buscou desde cedo diálogo com o Palácio do Planalto.

Nos primeiros anos de governo, apostou em uma gestão voltada para obras, regularização fundiária e aproximação com o setor produtivo.

Pandemia de Covid-19

Durante a pandemia, o governo do Distrito Federal tentou navegar uma rota tênue entre as medidas de restrição, criticadas pelo empresariado e pelo bolsonarismo, e a flexibilização das medidas de combate ao vírus.

➡️ Entre o começo da pandemia, em março de 2020, e o fim da emergência em saúde pública em abril de 2022, Brasília teve quase 700 mil casos de Covid-19 registrados e 11,6 mil mortes.

Em 2020, mesmo com o crescimento das infecções, o GDF autorizou uma série de flexibilizações, desde o comércio a espaços de lazer, fazendo a Justiça intervir na situação.

Ibaneis chegou a dizer, nos primeiros meses da Covid, que trataria o vírus como uma gripe, ecoando o discurso do então presidente Jair Bolsonaro.

Depois, com o avançar dos números, o DF se rendeu a medidas mais restritivas de circulação de pessoas e abertura de espaços públicos – atitude que gerou críticas do governo federal.

Reeleição: 8 de Janeiro, CPMI, distritais e desgaste político

Candidato à reeleição ao governo do DF, Ibaneis Rocha (MDB) vota no Lago Sul — Foto: TV Globo/Reprodução

Em 2022, Ibaneis foi reeleito em primeiro turno, com ampla vantagem sobre os adversários e reforçou sua influência na Câmara Legislativa, onde passou a ter uma base ampla.

O resultado consolidou o nome de Ibaneis junto ao eleitorado e o transformou em uma das principais lideranças políticas da capital.

Poucos dias depois, no entanto, os atos golpistas de 8 de janeiro jogaram um balde água fria nessa vitória.

Mesmo tendo sido posteriormente reconduzido ao cargo, o episódio deixou marcas na gestão Ibaneis.

A cadeia de comando da segurança foi questionada; aliados na cúpula da Polícia Militar foram presos, investigados e condenados; e o governo passou a atuar sob vigilância de órgãos federais.

Governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) — Foto: TV Globo/Reprodução

O 8 de Janeiro também repercutiu na política local. A Câmara Legislativa do DF instalou uma CPI para investigar os atos, ampliando o desgaste de Ibaneis Rocha.

Embora o governador não tenha sido diretamente responsabilizado nos relatórios finais, o processo expôs fragilidades administrativas e erros de planejamento.

A narrativa da eficiência administrativa que marcou o início de sua gestão foi substituída por um discurso defensivo, focado na preservação institucional do mandato.

A polêmica do BRB x Banco Master

O escritório de advocacia fundado pelo governador Ibaneis Rocha - e que leva o nome dele - negociou créditos com um fundo que é investigado no escândalo do banco Master

O escritório de advocacia fundado pelo governador Ibaneis Rocha - e que leva o nome dele - negociou créditos com um fundo que é investigado no escândalo do banco Master

Já no fim de 2025, faltando poucos meses para deixar o governo, Ibaneis se tornou o epicentro de um novo desgaste local e nacional: a controversa relação entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master.

Reportagens do g1 detalharam contratos, relações institucionais e questionamentos sobre a atuação do governador Ibaneis Rocha em negociações financeiras envolvendo instituições investigadas.

O governador foi citado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em depoimento prestado à Polícia Federal em janeiro, no contexto da Operação Compliance Zero.

Além disso, as reportagens mostraram que um escritório de advocacia ligado a Ibaneis negociou créditos com um fundo da Reag, empresa que também é alvo de investigação no caso envolvendo o Banco Master.

Apesar de o governador negar irregularidades, o caso acabou ampliando o desgaste político do político.

À TV Globo, Ibaneis Rocha foi categórico: ''Vou sair do governo limpo como eu entrei'.

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