Governo da Espanha fala em 'vergonha' por cântico islamofóbico da torcida em partida contra o Egito; polícia abre investigação

Torcida espanhola gritou 'quem não pula é muçulmano' durante amistoso entre Espanha e Egito em Barcelona na terça (31), na última data FIFA antes da Copa do Mundo. Estádio mostrou alerta contra o ataque.


  • Torcida espanhola entoou cânticos de cunho islamofóbico durante partida contra o Egito.

  • O coro poderia ter sido enquadrado no protocolo antidiscriminação da Fifa, mas o árbitro não o acionou.

  • O sistema de som do estádio pediu para que os cânticos cessassem, chegando até mesmo a colocar uma mensagem no telão.

  • Ao entoar os cânticos, os torcedores espanhóis atacaram não apenas a religião dos egípcios, mas também a de uma das principais estrelas de sua própria seleção, o camisa 10 Lamine Yamal, que é muçulmano e estava em campo.

Torcida da Espanha entoou cantos islamofóbicos. — Foto: REUTERS/Albert Gea

O governo da Espanha chamou nesta quarta-feira (1º) de vergonhoso o episódio em que a torcida espanhola entoou cânticos islamofóbicos durante uma partida da seleção nacional contra o Egito. A polícia do país anunciou que abriu uma investigação para apurar o caso.

“Insultos e cânticos racistas nos envergonham como sociedade. A extrema-direita não deixará nenhum espaço livre de seu ódio, e aqueles que hoje permanecem em silêncio serão cúmplices”, escreveu o ministro da Justiça espanhol, Félix Bolaños, na rede X.

A polícia regional da Catalunha anunciou nesta quarta-feira no que está investigando cânticos "islamofóbicos e xenófobos" ouvidos durante o jogo.

A partida entre Espanha e Egito ocorreu em Barcelona e era um amistoso preparatório para as duas equipes na última Data FIFA antes da Copa do Mundo de 2026. Os cânticos da torcida espanhola ganharam repercussão, e o sistema de som do estádio pediu para que os cânticos cessassem, chegando até mesmo a colocar uma mensagem no telão.

"Quem não pular é muçulmano", cantou a torcida, de forma pejorativa, alguns minutos após o hino do Egito ser tocado sob vaias.

O coro poderia ter sido enquadrado no protocolo antidiscriminação da Fifa, que abrange ofensas de cunho racial, religioso e de identidade. O árbitro búlgaro Georgi Kabakov, no entanto, não o acionou.

Partida entre Espanha e Egito foi marcada por cânticos islamofóbicos. — Foto: Reprodução X

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Para além do estádio, a Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), responsável pela seleção, também postou a mensagem em suas redes sociais.

Ao entoar os cânticos, os torcedores espanhóis atacaram não apenas a religião dos egípcios, mas também a de uma das principais estrelas de sua própria seleção, Lamine Yamal, que é muçulmano e estava em campo.

Nascido na Espanha e filho de pai marroquino, o jovem de 19 anos estava desde o ano passado praticando o Ramadã — mês mais sagrado do calendário islâmico, que neste ano foi de 17 de fevereiro a 19 de março.