Galeria no Guará, no DF, recebe exposição sobre carnaval do artista paraibano Badu; veja fotos

'Carnavalesco Canibalesco' explora práticas artísticas da festa popular através de retalhos de fantasias. Mostra segue até a próxima quarta (25) na Pilastra Galeria.


  • A galeria A Pilastra inaugura exposição "Carnavalesco Canibalesco", do artista Badu, nesta quinta-feira (19) no Guará II, às 19h.

  • Com entrada gratuita, a visitação segue até dia 25 de março.

  • Nascido em João Pessoa (PB) e residente em Goiânia (GO), o artista paraibano Badu (25), mescla bordados, pinturas, desenhos e objetos para criar um universo carnavalesco.

  • A matéria prima principal são retalhos de fantasias de Carnaval coletadas em desfiles no Rio de Janeiro, São Paulo e Vitória.

Artista Badu — Foto: Rubens Filho/Reprodução

A galeria A Pilastra recebe a exposição "Carnavalesco Canibalesco", do artista Badu, a partir desta quinta-feira (19) no Guará II, às 19h.

Com entrada gratuita, a visitação segue até a próxima quarta (25).

Nascido em João Pessoa (PB) e residente em Goiânia (GO), o artista Emmanuel Felipe (25) conhecido como Badu, mescla bordados, pinturas, desenhos e objetos para criar um universo carnavalesco.

A matéria-prima principal são retalhos de fantasias de Carnaval coletadas em desfiles no Rio de Janeiro, São Paulo e Vitória.

Segundo o artista, a mostra não é "sobre" o carnaval, mas sim um próprio carnaval em seu conceito.

"Uma das propostas da exposição é utilizar a sacralidade da pintura a óleo — considerada 'a maior arte' por alguns historiadores — para "carnavalizar" e brincar com essa história oficial da arte, que é muito enrijecida, e transformar isso em um verdadeiro carnaval", explica Badu.
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Processo criativo

A exposição nasceu do sonho de infância de Badu de trabalhar com a festa. Ao entrar na faculdade de Artes Visuais na Universidade Federal de Goiás (UFG), ele viu na arte contemporânea uma alternativa para isso.

"Meu grande sonho desde criança é trabalhar com aquele carnaval de sambódromo. Na arte contemporânea, percebi que havia uma possibilidade de realizar esse desejo, já que eu não podia atuar na Sapucaí por questões financeiras", conta Badu.

Obra do Badu — Foto: A Pilastra/Divulgação

O impulso final para a criação da mostra veio de conversas com a curadora Geovanna Belizze. Mestre em antropologia pela Universidade de Brasília (UnB) e fotógrafa, ela e o artista debateram sobre como o carnaval é subestimado no meio acadêmico e artístico.

A exposição surge como uma resposta a essa visão elitista. As obras utilizam lantejoulas, paetês, glitter e plumas para subverter a lógica tradicional da arte.

"É um processo de subverter essa lógica tradicionalíssima da pintura a óleo. Pegar isso e colocar muito glitter, muitos pigmentos holográficos e transformar em outra coisa que se pareça mais com o carnaval que eu tenho contato", detalha.

'Brilho no fim do túnel'

Esta é a primeira exposição individual de Badu fora de Goiânia. Para ele, a oportunidade significa "o brilho de lantejoulas no fim do túnel", após um período de frustrações com o meio artístico.

Obra do Badu — Foto: A Pilastra/Divulgação

Ele conta que a exposição foi pensada para ser "portátil", cabendo em duas malas para a viagem de ônibus de Goiânia a Brasília.

"É uma experiência única que eu estou amando. O pessoal da Pilastra me recebeu muito bem, de braços abertos, eu só tenho a agradecer porque eu estava muito receoso", afirma.

A exposição de Badu provoca e estimula o debate sobre as possibilidades do que é o carnaval, propondo uma nova história da arte brasileira, mais festiva e popular.

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