Fuji entra no radar da F1 diante de riscos para os GPs do Catar e Abu Dhabi

Circuito japonês não recebe uma corrida há 18 anos. Mundial já foi desfalcado com a decisão da F1 em não realizar GPs do Bahrein e Arábia Saudita no mês de abril, devido ao conflito entre Irã, Israel e EUA


Marcelo Courrege atualiza informações sobre o calendário de 2026 da Fórmula 1

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A F1 precisou revogar a realização dos GPs do Bahrein e Arábia Saudita em abril, devido à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. Agora, as atenções se voltam para possíveis impactos a outras corridas no Oriente Médio, como os GPs do Catar e Abu Dhabi. Porém, alternativas já estariam sendo analisadas pela categoria: em especial, a disponibilidade do Circuito de Fuji, no Japão. (Veja o vídeo acima).

Circuito de Fuji no GP do Japão da F1 em 2007 — Foto: Steven Tee/LAT Images

A reportagem do ge apurou, no Circuito de Suzuka, que fornecedores e prestadores de serviço no GP do Japão (prova em andamento neste fim de semana da F1) foram sondados sobre a possibilidade de também atuarem em uma eventual corrida em Fuji. A consulta visaria uma data entre novembro e dezembro deste ano, período para o qual as etapas em Lusail e Yas Marina estão previstas.

O Autódromo de Portimão, que retorna ao calendário de 2027 com o GP de Portugal, chegou a ser citado em rumores na imprensa especializada sobre outras alternativas para o Mundial de 2026.

A princípio, o GP do Catar está previsto para 29 de novembro; o GP de Abu Dhabi encerraria o campeonato em 6 de dezembro. Ao contrário de Bahrein e Arábia Saudita, as duas últimas corridas do Mundial seguem por ora confirmadas no calendário.

Vista do Monte Fuji nas 6 Horas de Fuji da WEC 2025 — Foto: Jakob Ebrey/LAT Images

Entretanto, o ge também apurou que algumas equipes veem com incerteza a realização de ambas as provas diante das circustâncias. Além disso, Mercedes, McLaren e Williams seguem com equipamentos presos no Circuito de Sakhir desde o fim dos testes de pré-temporada, em meados de fevereiro.

Fuji já recebeu a F1 em quatro ocasiões: 1976, 1977, 2007 e 2008. A estreia do circuito japonês, construído com design do ex-piloto Stirling Moss aos pés do Monte Fuji, foi marcada pela antológica disputa final entre Niki Lauda e o campeão James Hunt pelo título mundial de 1976.

Nas duas aparições no século XXI, a pista sagrou Lewis Hamilton e Fernando Alonso como vencedores. Desde então, Fuji segue como pista Grau 1 da Federação Internacional do Autombilismo (FIA), o que a gabarita para receber uma corrida da F1. Atualmente, o circuito é palco de uma das etapas do Mundial de Endurance (WEC), as 6 Horas de Fuji, gerenciada pela entidade.

Atual vista do Circuito de Fuji, palco das 6 Horas de Fuji da WEC em 2025 — Foto: Qian Jun/MB Media/Getty Images

A F1 decidiu que não seria possível realizar, em abril, as duas corridas nos circuitos de Sakhir e Jeddah devido à guerra envolvendo Irã, Israel e EUA. O conflito está perto de completar um mês e passou a ser fonte de grande preocupação para a categoria por seu rápido avanço por vários territórios do Golfo Pérsico: Bahrein e a Arábia Saudita foram atingidos pelo Irã em retaliação aos ataques de EUA e Israel.

Em 28 de fevereiro, um míssil iraniano caiu na base da Marinha dos Estados Unidos no Bahrein, a apenas 30 km do Circuito de Sakhir - palco do GP do Bahrein da F1. Na ocasião, a Pirelli se preparava para realizar testes de pneus com funcionários da McLaren e Mercedes; a sessão foi cancelada, e os empregados de ambas as equipes chegaram a ficar presos no país até dias antes do GP da Austrália.

No início de março, a Árabia Saudita registrou duas mortes e 12 feridos depois que um projétil militar caiu em uma área residencial na cidade de Al-Kharj. Nesta sexta-feira, outra ofensiva do Irã na Base Aérea Príncipe Sultan deixou 12 soldados americanos feridos. Segundo o jornal inglês "The Guardian", o país também estaria pressionando os Estados Unidos por mais ataques ao Irã.

Vista do Circuito de Jeddah-Corniche durante o GP da Arábia Saudita da F1 em 2025 — Foto: Jakub Porzycki/NurPhoto via Getty Images

O Catar também foi alvo de uma investida do Irã neste mês: o país bombardeou o complexo de energia Ras Laffan. Vale destacar, ainda, que Bahrein, Arábia Saudita, Catar e os Emirados Árabes Unidos (onde fica Abu Dhabi) são fronteiriços ao Irã, separados apenas pelo Golfo Pérsico. Por isso, desde a eclosão do conflito, a F1 se pronunciou assegurando que monitora de perto seus desdobramentos.

Infos e horários - GP do Japão da F1 2026 — Foto: Infoesporte