Família registra boletim por morte suspeita de recém-nascido e aponta negligência durante parto em hospital de SP
Avó afirma que filha de 21 anos pediu cesariana, mas procedimento só foi feito horas depois; bebê morreu após complicações respiratórias no Hospital Geral de São Mateus.
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Uma família de São Paulo registrou um boletim de ocorrência contra o Hospital Geral de São Mateus após a morte de um recém-nascido três dias depois do nascimento.
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Os familiares alegam negligência no atendimento durante o trabalho de parto e também nos cuidados prestados ao bebê.
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Em nota, o hospital informou que "apesar de todos os esforços da equipe e das medidas adotadas, o bebê evoluiu a óbito".
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Disse também que o caso será analisado conforme os protocolos internos e reforça que segue à disposição da família para prestar todos os esclarecimentos necessários.
Melissa Araujo Costa, de 21 anos, estava com 40 semanas de gestação — Foto: Arquivo Pessoal
Uma família de São Paulo registrou um boletim de ocorrência contra o Hospital Geral de São Mateus após a morte de um recém-nascido três dias depois do nascimento. Os familiares alegam negligência no atendimento durante o trabalho de parto e também nos cuidados prestados ao bebê.
Em nota, o hospital informou que, "apesar de todos os esforços da equipe e das medidas adotadas, o bebê evoluiu a óbito". Disse também que o caso será analisado conforme os protocolos internos e reforça que segue à disposição da família para prestar todos os esclarecimentos necessários (veja nota completa abaixo).
Ao g1, a avó do bebê, Priscilla de Araújo Diamantino, disse que a filha, Melissa Araujo Costa, de 21 anos, estava com 40 semanas de gestação e deu entrada no hospital na manhã de 24 de março em trabalho de parto. Por volta das 9h30, ela foi submetida a um exame de cardiotocografia após indicação de possível sofrimento fetal, já que o bebê apresentava batimentos cardíacos fracos.
Porém, apesar do quadro, a equipe de enfermagem optou por induzir o parto normal com medicamentos. A avó da criança ressalta que a filha pediu a realização de cesariana ao sentir dores intensas, mas não foi atendida pelos profissionais, que insistiram no parto normal e ainda usaram métodos classificados por ela como invasivos.
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“Eles usaram métodos bem invasivos no parto natural. Como inserir a mão dentro da vagina e pedir para fazer força. Chegaram a dizer que ela estava eufórica e que iam dar um soro para limpar o sangue. Em nenhum momento nos ouviram”, afirmou ao g1.
Ainda segundo a família, apenas após a troca de plantão, por volta das 19h20, uma enfermeira teria identificado a necessidade de cesariana de urgência. Um exame indicou a presença de líquido esverdeado, compatível com mecônio, substância formada pelas primeiras fezes do bebê, que, quando liberada ainda no útero, pode ser sinal de sofrimento fetal e trazer risco se aspirada.
A cirurgia foi realizada cerca de 10 horas após a entrada da gestante no hospital, e o recém-nascido precisou passar por procedimento de aspiração logo após o parto. De acordo com o relato, um pediatra chegou a afirmar que o bebê estava bem, o que foi contestado pela avó.
“O pediatra do centro cirúrgico disse que estava tudo bem. Enquanto isso, eu fiquei ao lado do Davi e percebi que ele respirava com dificuldade. Chamei uma enfermeira e pedi para chamar outro médico que de imediato o aspirou e o levou para a UTI”, disse Priscilla.
O bebê, então, foi encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas morreu em 27 de março. A família foi informada que o recém-nascido teve comprometimento completo dos pulmões.
Na certidão de óbito aponta que a causa da morte foi insuficiência respiratória aguda, hipertensão pulmonar persistente, síndrome de apiração meconial, aspiração de mecônio intra útero e infecção neonatal presumida.
"A nossa familia clama por justiça. O bebê estava saudável. Ainda estamos tentando entender essa monstruosidade que fizeram com nosso pequeno e grande Davi”, afirmou.
O que diz a Secretaria Estadual da Saúde
"O Hospital Geral de São Mateus lamenta profundamente o desfecho do caso e informa que prestou acolhimento à família, oferecendo os esclarecimentos necessários sobre a assistência realizada, permanecendo à disposição dos familiares.
A paciente M.A.C. deu entrada na unidade no dia 24 de março, com 40 semanas de gestação e em trabalho de parto, sendo acompanhada de forma contínua pela equipe assistencial. Durante a evolução do quadro, após a ruptura da bolsa, foi identificada intercorrência obstétrica que indicou a realização de cesariana, procedimento adotado de forma imediata pela equipe.
O recém-nascido apresentou quadro inicial estável, mas evoluiu com grave dificuldade respiratória, compatível com complicações neonatais de alta complexidade, sendo encaminhado à UTI neonatal. Apesar de todos os esforços da equipe e das medidas adotadas, o bebê evoluiu a óbito.
O hospital informa que o caso será analisado conforme os protocolos internos e reforça que segue à disposição da família para prestar todos os esclarecimentos necessários".