Análise: Mercedes confirma favoritismo, e pontos de Bortoleto mostram potencial da Audi na F1

Jornalista Rodrigo França avalia domínio da Mercedes, atuação do piloto brasileiro e mais destaques do GP da Austrália, corrida de abertura da temporada de 2026 da Fórmula 1


Fórmula 1: Rodrigo França analisa resultados do GP da Austrália

Fórmula 1: Rodrigo França analisa resultados do GP da Austrália

A Mercedes confirmou seu favoritismo no GP da Austrália de F1, disputado neste domingo no circuito de Albert Park, em Melbourne. Como era esperado desde os testes em janeiro no shakedown em Barcelona, George Russell e Kimi Antonelli fizeram dobradinha na primeira prova da temporada 2026 e mostraram que já começam o ano como favoritos ao título.

A temporada é muito longa, é verdade, e com o novo regulamento mais times podem evoluir rapidamente, mas na Austrália a Mercedes mostrou que tem atualmente uma vantagem grande em relação aos rivais. O começo da corrida foi bastante movimentado, já que a largada das Ferraris também confirmou o que se viu nas simulações no Bahrein e deu emoção extra nas primeiras voltas, com Charles Leclerc saltando de quarto para primeiro colocado ainda na curva 1.

George Russell comemora vitória no GP da Austrália de F1 — Foto: Anni Graf - Formula 1/Formula 1 via Getty Images

A largada foi interessante, mas um tanto perigosa, com alguns carros saindo muito lentos: Franco Colapinto quase se envolveu em um grave acidente. Andrea Stella, chefe da McLaren, falou aos jornalistas aqui em Melbourne após a corrida que este ainda é um ponto vulnerável em relação à segurança do novo regulamento.

Em todo caso, esta diferença grande de performance na primeira volta criou uma dinâmica muito boa no começo da corrida. Até que veio o safety car virtual, e, com a Ferrari optando por não entrar nos boxes, a Mercedes acabou ganhando uma vantagem em sua parada. Assim, não foi mais incomodada pelo time italiano.

Leclerc, Russell e Hamilton disputando a liderança do GP da Austrália — Foto: Martin Keep/AFP

Apesar de Leclerc achar que não seria possível vencer a Mercedes, ele e Hamilton mostraram esperança para tentar alcançar a ponta ainda neste ano. Vale lembrar que a pista australiana é bem “atípica” na questão de exigir muito gasto da bateria, e a situação na China tende a ser diferente, pela característica de autódromo “normal”, e não um circuito urbano veloz dentro de um parque, como Melbourne.

A prova na Austrália também teve uma movimentação forte nos bastidores em relação aos clientes dos motores Mercedes, como Williams e McLaren, que acreditam estar em desvantagem em relação ao time oficial neste início de temporada com novo regulamento. Vale ficar atento a como os alemães vão gerenciar esta situação.

Lando Norris no GP da Austrália de F1 — Foto: Hollie Adams/Reuters

Se observarmos o rendimento deste domingo, a McLaren, campeã de 2025, foi a quarta força no GP, ficando atrás também da Red Bull. E Alpine e Williams não conseguiram se destacar no pelotão intermediário. Quem brigou pelas posições finais do top-10 foram Racing Bulls, Haas e Audi.

O time estreante na F1 inclusive fez história ao marcar pontos logo em seu primeiro GP com o nono lugar de Gabriel Bortoleto. Pode parecer exagero, mas o brasileiro colocou seu nome em uma estatística de uma marca centenária que tem longa tradição no automobilismo internacional, mas que nunca tinha participado da F1. Começar esta jornada com pontos é algo impressionante, principalmente pelo desafio de correr com sua própria unidade de potência.

Gabriel Bortoleto celebra pontos em primeira corrida da Audi na F1 — Foto: Globo

Ao ser perguntado pelo ge após a corrida sobre o papel de Bortoleto nesta conquista dos primeiros pontos, Jonathan Wheatley destacou que o brasileiro tem como diferencial “aprender rápido” (não por acaso, foi campeão em seus anos de estreia na F3 e F2). Esta também é uma característica que a Audi está mostrando em 2026.

Nos testes de shakedown em Barcelona, o time não teve um grande rendimento logo de cara, mas conseguiu evoluir rapidamente nas duas semanas de testes no Bahrein e mais ainda neste final de semana em Melbourne. A Audi só não teve um domingo perfeito, porque Nico Hulkenberg sequer largou, confirmando outra previsão que adiantamos aqui – a de que a prova da Austrália seria de “resistência”.

A dinâmica da corrida, com os pilotos tendo que gerenciar energia, dividiu opiniões. Os que mais elogiaram foram os que andaram bem (Russell inclusive brincou sobre isso no rádio logo após receber a bandeirada em primeiro), e os maiores críticos, os que estão longe da briga pela vitória.

Será interessante ver qual grupo tende a aumentar no próximo domingo, na China. E o tamanho da dominância da Mercedes certamente influenciará esta equação.