Estudo da Câmara do DF indica 'dilapidação do patrimônio público' em projeto de socorro bilionário ao BRB

Projeto de lei autoriza BRB e governo do DF a usarem imóveis públicos de diferentes formas, inclusive como garantia de empréstimos. Banco pode precisar de até R$ 6,6 bilhões após transações malsucedidas com Banco Master.


  • A Consultoria Legislativa da Câmara do DF analisou o projeto que autoriza o governo Ibaneis a oferecer imóveis como garantir para um empréstimo bilionário a ser tomado pelo Banco de Brasília.

  • O estudo mostra que, caso o projeto seja aprovado, há o risco de "dilapidação do patrimônio público".

  • Segundo avaliação, da Consultoria Legislativa, projeto tem "fragilidades de governança fiscal e transparência".

  • Após a análise, a recomendação é de que o projeto seja considerado inadequado e que mais informações sejam solicitadas ao governo.

Caso Master: Justiça bloqueia R$ 376,4 milhões em ações do BRB

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A Consultoria Legislativa (Conlegis) da Câmara Legislativa do Distrito Federal um estudo sobre o projeto de lei que autoriza o governo do DF a oferecer nove imóveis públicos como garantia para um empréstimo bilionário a ser tomado pelo Banco de Brasília (BRB).

De acordo com o documento, caso a proposta seja aprovada, há o risco de "dilapidação do patrimônio público".

O estudo aponta que há uma "extensa lista de fragilidades" no projeto de lei, como ausência de documentos, relatórios e informações estratégicas que possam viabilizar uma análise sobre as possíveis repercussões orçamentários e financeiras.

"A medida pode resultar, na prática, em transferência relevante de riqueza pública sem adequada mensuração, o que contraria o princípio da prudência fiscal", diz o documento.

Fachada do BRB — Foto: Reprodução/TV Globo

A recomendação da Conlegis é de que a Câmara Legislativa solicite mais informações ao governo sobre a "estimativa de impacto fiscal, com limites e condicionantes claros, com avaliação patrimonial consolidada e com mecanismos reforçados de transparência e controle".

O projeto foi encaminhado à CLDF na terça-feira (24). A expectativa do governo era de que ele fosse votado e aprovado no mesmo dia, mas, devido às lacunas no texto, a análise foi adiada para a próxima semana.

O estudo técnico sobre a proposta foi encomendado à Consultoria Legislativa pelos deputados Fábio Félix (PSOL), Jorge Vianna (PSD) e Pepa (PP).

Fragilidades

No estudo, a Conlegis afirma que o projeto de lei tem "fragilidades de governança fiscal e transparência". O texto considera a proposta "inadmissível". Entre os pontos em destaque, estão as ausências de:

  • Estimativa do impacto orçamentário-financeiro;
  • Declaração que mostre que o projeto tem adequação orçamentária e financeira com a Lei Orçamentária Anual, além da compatilidade com o plano Plurianual e com a Lei de Diretrizes Orçamentárias;
  • Estimativa do montante de potencial de aportes;
  • Avaliação econômico-financeira dos imóveis;
  • Dotação orçamentária específica na Lei Orçamentária de 2026;
  • Avaliação sobre metas fiscais;
  • Avaliação sobre o risco de descapitalização patrimonial do DF;
  • Avaliação do imácto patrimonial nas empresas que usam os imóveis.

O estudo reconhece que o projeto tem o objetivo legítimo de fortalecimento institucional do BRB, mas ressalta que ele não apresenta "robustez suficiente" do ponto de vista da responsabilidade fiscal. Por isso, ele foi considerado inadequado.

Celina diz que imóveis não serão vendidos

Celina Leão diz que imóveis no DF não serão vendidos para socorrer BRB

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A vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou nesta quarta-feira (27), que o projeto enviado à CLDF não prevê a venda de imóveis públicos. No entanto, a proposta prevê expressamente a possibilidades de alienação (venda) dos bens.

Celina disse que o objetivo do governo é apenas oferecer garantias para um eventual empréstimo que o governo precise tomar para reforçar o balanço do banco.

"O projeto de lei traria um fundo, um arcabouço de R$ 2 bilhões, somente em validação para empréstimo. Porque você não pode pegar empréstimo sem dar um aval ou uma garantia. Isso não seria vendido em nenhum momento", declarou.

Apesar da declaração, o texto em tramitação na Câmara Legislativa prevê as duas possibilidades – e algumas outras outras, para o uso dos imóveis.

Proposta do BRB aos acionistas

GDF muda o projeto de socorro ao BRB

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O Banco de Brasília (BRB) pretende emitir até 1,67 bilhão de ações ordinárias, nas próximas semanas, para captar dinheiro no mercado e reforçar o patrimônio da instituição.

Com essa emissão, o BRB espera aumentar o próprio capital social do banco em, no mínimo R$ 529 milhões – e, no máximo, R$ 8,86 bilhões de reais.

Hoje, o capital social do BRB é de R$ 2,34 bilhões. Ou seja: se conseguir captar o montante máximo, o BRB passaria a um capital de R$ 11,2 bilhões – cifra quase quatro vezes maior que o valor atual.

➡️Todos esses números constam na proposta que será levada pelo banco à Assembleia Geral Extraordinária de acionistas, convocada para o dia 16 de março.

➡️Ou seja: todo esse plano ainda precisa ser aprovado pelos investidores do banco – incluindo o governo do Distrito Federal, que é acionista controlador e detém 71,92% do capital do banco do BRB.

Garantia em empréstimos

Enquanto isso, o governo do DF também tenta reforçar o patrimônio do BRB com outra medida: a entrega de nove imóveis públicos de grande porte, que poderiam ser vendidos ou usados como garantia em um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões.

Essa mecânica ainda precisa ser aprovada pela Câmara Legislativa do DF, mas vem enfrentando resistência da oposição ao governo Ibaneis Rocha (MDB) e até de aliados do governador.

BRB espera aprovação do projeto de socorro em até três semanas

BRB espera aprovação do projeto de socorro em até três semanas

O empréstimo, que pode inclusive ser tomado junto ao Fundo Garantidor de Crédito, é uma das hipóteses citadas pelo BRB no plano "preventivo" entregue ao Banco Central há duas semanas, segundo apurou o g1.

O objetivo é garantir que o banco permaneça sólido e não gere desconfianças no mercado. Ou seja: evitar abalos à credibilidade do BRB.

⬆️ Com essa garantia do governo do DF, o BRB teria condições de captar recursos em condições mais favoráveis – com juros menores, por exemplo – para dar mais consistência ao balanço patrimonial do banco, abalado após as transações mal-sucedidas para a compra do Banco Master, nos últimos anos.

⬇️ Em compensação, caso não consigam honrar o empréstimo no futuro, o BRB e o governo do DF podem se ver obrigados a alienar (vender) esses imóveis para pagar o compromisso assumido.

Quais imóveis o GDF quer entregar?

Confira a lista:

  1. SIA, Trecho Serviço Público, Lote F – área pertencente à Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb)
  2. SIA, Trecho Serviço Público, Lote G
  3. SIA, Trecho Serviço Público, Lote I
  4. SIA, Trecho Serviço Público, Lote H
  5. SIA, Trecho Serviço Público, Lote C – pertencente à CEB;
  6. SIA, Trecho Serviço Público, Lote B – pertencente à Novacap;
  7. Centro Metropolitano, Quadra 03, Conjunto A, Lote 01, em Taguatinga – é a sede do Centro Administrativo do DF, abandonada há mais de uma década;
  8. "Gleba A" de 716 hectares, pertencentes à Terracap – o documento não diz o endereço com precisão.

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