Abbas Araghchi, afirmou que o Irã está preparado para uma possível invasão terrestre. 'Assim podemos confrontá-los e isso seria um desastre para eles', disse. Guarda Revolucionária Islâmica diz que 'novas iniciativas e armas do Irã estão a caminho'.


Guerra no Irã entra no 7º dia com 20 países envolvidos de alguma forma

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Em entrevista à emissora norte-americana NBC divulgada nesta quinta-feira (5), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o Irã está preparado para uma possível invasão terrestre por tropas dos Estados Unidos.

Já nesta sexta-feira (6), a Guarda Revolucionária Islâmica disse que o Irã está pronto para travar uma guerra prolongada.

Analistas preveem que os EUA podem intensificar sua operação militar contra o Irã nos próximos dias, mas ainda não está claro se isso envolveria o envio de tropas terrestres em uma invasão destinada a derrubar a liderança em Teerã.

Araghchi ainda afirmou que está "esperando" pela chegada das tropas americanas. "Assim podemos confrontá-los e isso seria um desastre para eles", disse o chanceler.

"O sistema está funcionando, os comandantes foram substituídos e o líder supremo será substituído."

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, fala durante coletiva de imprensa em Istambul, no dia 22 de junho de 2025. — Foto: Ozan Kose/AFP

Novos armamentos

Segundo o porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica, o país pretende introduzir armamentos avançados que ainda não foram vistos no campo de batalha.

Em comunicado, o brigadeiro-general Ali Mohammad Naeini disse que os inimigos do Irã “devem esperar golpes dolorosos” na próxima nova onda de ataques.

“As novas iniciativas e armas do Irã estão a caminho”, afirmou. “Essas tecnologias ainda não foram empregadas em larga escala.”

Naeini acrescentou que o país está mais preparado agora do que durante a guerra de 12 dias do ano passado, lançada pelos Estados Unidos e por Israel. O porta voz descreveu o confronto militar em andamento como uma “guerra sagrada e legítima”.

O anúncio foi feito no momento em que o Irã disparou o primeiro de seus chamados mísseis Khayber, tendo Tel Aviv como alvo.

Trump diz preferir 'bom líder'

Também em entrevista à NBC, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse ter preferência por um "bom líder".

Nesta quinta (5), o republicano elevou o tom da guerra com o Irã e falou que vai "precisar" se envolver pessoalmente na escolha do novo líder supremo – linha semelhante à vista no começo do ano com a Venezuela, quando uma intervenção americana tirou Nicolás Maduro da presidência.

"Queremos participar do processo de escolha da pessoa que irá liderar o Irã no futuro. Não precisamos voltar a cada cinco anos e fazer isso de novo e de novo... Alguém que seja ótimo para o povo, ótimo para o país", declarou.

Segundo Trump, Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, é o sucessor mais provável, mas afirmou que considera o resultado inaceitável.

"O filho de Khamenei é inaceitável para mim. Queremos alguém que traga harmonia e paz ao Irã. Eles estão perdendo tempo. O filho de Khamenei é um peso morto. Eu preciso estar envolvido na nomeação, como fiz com Delcy [Rodriguez] na Venezuela", disse Trump.

O republicano declarou que se recusa a aceitar um novo líder iraniano que dê continuidade às políticas de Khamenei, as quais, segundo ele, forçariam os EUA a voltar à guerra "em cinco anos".