Esquema ilegal de aplicação de canetas emagrecedoras em Monte Alto foi descoberto após relatos de pacientes com efeitos colaterais
Prefeitura abriu processos administrativos para investigar os casos, mas estabelecimentos não foram lacrados. Produtos foram apreendidos durante operação da Polícia Civil após denúncias.
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Segundo a Prefeitura, relatos de pacientes que teriam usado Tirzepatida chegaram à auditoria médica.
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Alguns dos casos foram formalizados pela plataforma digital de Ouvidoria do município, o eOuve.
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O esquema ilegal de aplicação de canetas emagrecedoras em duas clínicas em Monte Alto (SP) foi descoberto após denúncias.
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A biomédica Sinara Correa de Oliveira e a técnica de enfermagem Ivane Rosa da Silva foram presas em flagrante durante a operação.
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Sinara pagou fiança de R$ 1,6 mil e foi liberada. Ivane foi liberada na quarta-feira (1º), após audiência de custódia.
Aplicação de canetas emagrecedoras: técnica de enfermagem e biomédica são investigadas
O esquema ilegal de aplicação de canetas emagrecedoras em duas clínicas em Monte Alto (SP) descoberto na terça-feira (31) veio à tona após pacientes buscarem atendimento médico no Pronto Socorro e em unidades de saúde relatando efeitos colaterais.
A informação foi confirmada ao g1 pela Prefeitura, por meio da Vigilância Sanitária. Em nota, a administração municipal informou que os relatos de pacientes que teriam usado Tirzepatida chegaram à auditoria médica.
Ainda segundo a Prefeitura, alguns dos relatos foram formalizados pela plataforma digital de Ouvidoria do município, o eOuve.
"Esses pacientes precisaram de atendimento, seja no Pronto Socorro, seja nas unidades de saúde, por efeitos colaterais que teriam sido fruto desse uso. A partir daí, a Vigilância Sanitária foi integrada à ação que chegou aos dois estabelecimentos".
A Secretaria de Saúde abriu processos administrativos para investigar os casos, mas a Vigilância Sanitária optou por não lacrar os estabelecimentos, para que outros profissionais que trabalham nestes locais sigam a rotina de atendimento.
Delegado responsável pelo caso, Marcelo Lorenço dos Santos afirma que as duas clínicas alvo da operação agiam em conjunto e faziam indicação mútua de clientes.
"O que se descortinou nessa investigação é que uma clínica era indicada pela outra. Então, os pacientes da clínica de estética eram arregimentados pela pessoa lá e esses pacientes tinham acesso a esse medicamento comercializado de forma irregular pela outra clínica".
A biomédica Sinara Correa de Oliveira e a técnica de enfermagem Ivane Rosa da Silva foram presas em flagrante. Sinara pagou fiança de R$ 1,6 mil e foi liberada. Ivane foi liberada na quarta-feira (1º), após audiência de custódia.
A biomédica Sinara Correa e a técnica de enfermagem Ivane Rosa, suspeitas de vender canetas emagrecedoras sem autorização em Monte Alto (SP). — Foto: Reprodução/EPTV
As duas profissionais devem responder por falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins medicinais.
A defesa de Ivane Rosa da Silva informou que ela foi liberada por ser ré primária, ter bons antecedentes e residência fixa e que os produtos apreendidos no local em que ela estava eram de uso pessoal.
A defesa de Sinara Correa informou que a biomédica atua há anos sem histórico de irregularidades e que exerce as atividades com base em conhecimento técnico e observância das diretrizes da profissão.
Denúncias levaram autoridades à fiscalização
De acordo com o delegado Marcelo Lorenço dos Santos, nas duas clínicas fiscalizadas foram encontradas ampolas de tirzepatida guardadas em geladeiras sem comprovação de procedência.
"Ele não pode ser comercializado sem autorização da Anvisa e essas duas clínicas não tinham essa autorização", disse.
A fiscalização foi feita na terça-feira, durante operação da Vigilância Sanitária e da Guarda Civil Municipal, após denúncias sobre um esquema de aplicação de canetas emagracedoras em Monte Alto.
Ampolas de canetas emagrecedoras foram apreendidas em clínicas de Monte Alto (SP). — Foto: Cacá Trovó/EPTV
Em uma das clínicas, a polícia também encontrou fichas de atendimento indicando que no local ocorria a aplicação das medicações.
"Lá havia o nome do paciente e o cronograma de aplicação com a posologia, como seria aplicado, quais gramas, os valores e também uma tabela demonstrando o emagrecimento da pessoa, os quilos."
A Polícia Civil quer agora descobrir quem fornecia as ampolas para as clínicas.