Entenda por que acordo UE-Mercosul será assinado no Paraguai
Brasília
O governo brasileiro identificou potencial para ampliar mercado em diversos segmentos da indústria, desde aviação até siderurgia, a partir de um mapeamento das oportunidades de exportação abertas pelo acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul.
O tratado, que ainda precisa ser validado pelo Parlamento Europeu e pelos Legislativos do Mercosul, foi assinado neste sábado (17), em Assunção (Paraguai).
Levantamento feito pelo Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) para a Folha mostra que o Brasil somou US$ 662,6 milhões em 2024 com a venda para a UE de veículos aéreos, como helicópteros e aviões.
A cifra representa menos de 2% dos US$ 36 bilhões importados pelos europeus só nessa categoria.
Presidentes José Raúl Mulino (Panamá), Javier Milei (Argentina), Santiago Peña (Paraguai), Lula e Yamandú Orsi (Uruguai) e o chanceler boliviano Fernando Aramayo em Foz do Iguaçu (PR) - Evaristo Sá - 20.
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25/AFP

No ramo dos equipamentos, o Brasil vendeu US$ 1,2 bilhão em máquinas, aparelhos, caldeiras, reatores nucleares e instrumentos mecânicos em 2024 para a UE.
A Europa, por sua vez, registrou importação total de US$ 736 bilhões nesse grupo de bens.
Nos cálculos da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), no médio prazo o acordo pode levar a um aumento de 25% a 30% das exportações do setor eletroeletrônico para a União Europeia, além de permitir uma diversificação dos fornecedores de insumos para a produção industrial.
Para o governo, os dados corroboram a pretensão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que o Brasil não se limite "ao eterno papel" de exportador de commodities.

A secretária de Comércio Exterior do Mdic, Tatiana Prazeres, ressalta que o acordo, além de favorecer as exportações do Brasil para a União Europeia, garantirá ao país acesso a instrumentos mais competitivos e tecnologia.
Essa modernização, segundo ela, promoverá um aumento da produtividade da indústria brasileira.
"Nossos estudos indicam que as exportações do Brasil para o resto do mundo também crescem em função do acordo [UE-Mercosul]", afirma ela, acrescentando que o tratado traz um ambiente de maior segurança jurídica e estabilidade para as empresas.
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André Passos Cordeiro, presidente-executivo da Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química), lembra que a UE sempre colocou grandes barreiras não tarifárias sobre a indústria química e petroquímica e ressalta que, com o acordo, passam a valer mecanismos que facilitam o comércio, como o reconhecimento mútuo de certificações.
Ele também vê o tratado com bons olhos sob o ponto de vista geopolítico em meio ao tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
"Se houver um desbalanço competitivo, o próprio acordo leva em conta mecanismos que a Organização Mundial do Comércio estabeleceu há muito tempo e que o Brasil e a Europa respeitam e usam, como salvaguardas e antidumping", diz.
Mas o representante da Abiquim também vê desafios à frente.
Um deles é o custo elevado de matérias-prim